HC 922883 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a denúncia não é inepta: descreve suficientemente as condutas e circunstâncias, havendo indícios de autoria, prova da materialidade e nexo causal que justificam a persecução penal, de modo que o trancamento da ação penal é medida excepcional não demonstrada de plano...
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- Parties
- Agravante/paciente: CLEVERSON DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (quinta Turma, Sessão Virtual 13/02/2025 a 19/02/2025)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; negar provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Inépcia Da Denúncia, Trancamento Da Ação Penal, Homicídio Qualificado, Furto Qualificado, Fraude Processual, Prova Da Materialidade, Indícios De Autoria, Art. 41 Do CPP, Habeas Corpus, Agravo Regimental
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Parties
CLEVERSON DOS SANTOS
Agravante/paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (quinta Turma, Sessão Virtual 13/02/2025 a 19/02/2025)
Legal Issues
- 1 Se a denúncia é inepta nos termos do art. 41 do CPP
- 2 Se há ausência de justa causa que justifique o trancamento da ação penal
- 3 Se existem indícios de autoria e prova de materialidade que motivem a instauração da ação penal
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a denúncia não é inepta: descreve suficientemente as condutas e circunstâncias, havendo indícios de autoria, prova da materialidade e nexo causal que justificam a persecução penal, de modo que o trancamento da ação penal é medida excepcional não demonstrada de plano nos autos.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; negar provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto por CLEVERSON DOS SANTOS
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/02/2025 a 19/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO, FURTO QUALIFICADO E FRAUDE PROCESSUAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se verifica possível quando ficar demonstrado, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. É certa, ainda, a possibilidade de encerramento prematuro da persecução penal nos casos em que a denúncia se mostrar inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal - CPP, o que, de todo modo, não impede a propositura de nova ação desde que suprida a irregularidade. 2. No caso, após análise detida dos autos, e na esteira das conclusões da Corte a quo, tem-se que a denúncia ofertada pelo Parquet local, faz a devida qualificação do acusado, descreve de forma objetiva e suficiente as condutas delituosas perpetradas pelo suposto agente, que, em tese, configuram crimes de homicídio qualificado, furto qualificado e fraude processual, assim como as circunstâncias do cometimento dos mesmos. Em tese, o agravante teria ceifado a vida da vítima juntamente com outro indivíduo, os quais teriam entrado à noite na residência da ofendida e saído pela manhã, e, ao que se demonstra dos fatos, teriam simulado suicídio por enforcamento, limpando a cena do crime posteriormente. 3. De outra parte, restou demostrado indícios suficientes de autoria, prova da materialidade e a existência de nexo causal e, ao revés do alegado nas razões recursais, a denúncia não faz imputações genéricas, razão pelo qual se mostra em conformidade com o comando pertinente do Estatuto Processual Penal, de modo a permitir o exercício da ampla defesa. 4. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo regimental interposto por CLEVERSON DOS SANTOS contra decisão singular por mim proferida, de fls. 606/614, na qual não conheci do habeas corpus. No presente agravo, a defesa alega que os fatos narrados na exordial acusatória não são condizentes com a realidade fática. Sustenta a inépcia da denúncia quanto ao delito de homicídio (fato 1). Afirma que a inicial acusatória não preenche os requisitos do art. 41, do Código de Processo Penal - CPP, ao passo que não minudencia quais seriam as condutas delitivas atribuídas ao agravante. Requer, assim: "A) Seja recebido e conhecido o presente agravo regimental; B) O provimento do presente agravo para que o Habeas Corpus seja conhecido e provido nos exatos termos dos pedidos formulados na inicial; C) Com o escopo de possibilitar o acesso às instâncias superiores, seja efetuado o prequestionamento expresso referente aos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais levados em consideração quando do julgamento do remédio constitucional; D) Quando do julgamento do presente Agravo Regimental em habeas corpus, que o feito seja submetido à julgamento presencial, com o escopo de possibilitar sustentação oral pela defesa do paciente (que fará o pedido nos termos do regimento interno do Tribunal), com a intimação do defensor dativo signatário, Eduardo Meyer (OAB/SC 44.972), para a sessão de julgamento; E) Sejam atribuídas à defesa técnica (dativa) as mesmas garantias processuais/prerrogativas dos Defensores Públicos (prazos/intimação pessoal etc)" (fls. 616/623). É o relatório. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO, FURTO QUALIFICADO E FRAUDE PROCESSUAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se verifica possível quando ficar demonstrado, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. É certa, ainda, a possibilidade de encerramento prematuro da persecução penal nos casos em que a denúncia se mostrar inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal - CPP, o que, de todo modo, não impede a propositura de nova ação desde que suprida a irregularidade. 2. No caso, após análise detida dos autos, e na esteira das conclusões da Corte a quo, tem-se que a denúncia ofertada pelo Parquet local, faz a devida qualificação do acusado, descreve de forma objetiva e suficiente as condutas delituosas perpetradas pelo suposto agente, que, em tese, configuram crimes de homicídio qualificado, furto qualificado e fraude processual, assim como as circunstâncias do cometimento dos mesmos. Em tese, o agravante teria ceifado a vida da vítima juntamente com outro indivíduo, os quais teriam entrado à noite na residência da ofendida e saído pela manhã, e, ao que se demonstra dos fatos, teriam simulado suicídio por enforcamento, limpando a cena do crime posteriormente. 3. De outra parte, restou demostrado indícios suficientes de autoria, prova da materialidade e a existência de nexo causal e, ao revés do alegado nas razões recursais, a denúncia não faz imputações genéricas, razão pelo qual se mostra em conformidade com o comando pertinente do Estatuto Processual Penal, de modo a permitir o exercício da ampla defesa. 4. Agravo regimental desprovido. VOTO O presente agravo regimental não merece provimento, em que pesem os argumentos apresentados pelo agravante, devendo a decisão ser mantida por seus próprios fundamentos. Conforme afirmado no decisum agravado, esta Corte Superior não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, porém ressalta a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente, o que não é o caso dos autos. Com efeito, busca-se no presente recurso a reconsideração da decisão recorrida para que a ação penal seja trancada por inépcia da denúncia. Por oportuno, transcrevo os seguintes excertos do acórdão recorrido sobre o tema: "O mandamus deve ser conhecido, e a ordem, denegada. 1. A alegação de inépcia da inicial não procede. A ausência de indicação categórica, na inicial, da conduta humana praticada pelo Paciente C. dos S., que supostamente provocou o óbito da Vítima P. A. F., deve-se à imprecisão da causa mortis, como se vê no laudo pericial (Evento 1, doc1, p. 17-19, do inquérito) e no laudo complementar (Evento 120). O Perito, no primeiro documento, consignou que "não é possível afirmar a causa mortis pelo exame necroscópico pois não encontramos lesão que possa ser indubitavelmente fatal". A redação da exordial, de fato, não é ideal, como seria se a ação humana precisa, causadora eficiente da morte da Vítima, fosse explicitamente descrita. Mas dados os elementos disponíveis, os termos da imputação são satisfatórios, pois permitem o regular exercício do direito de defesa ao descrever o restante das circunstâncias (data, local e os cenários que antecederam e sucederam o evento morte)" (fl. 25). Em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se verifica possível quando ficar demonstrado, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. É certa, ainda, a possibilidade de encerramento prematuro da persecução penal nos casos em que a denúncia se mostrar inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal - CPP, o que, de todo modo, não impede a propositura de nova ação, desde que suprida a irregularidade. Constata-se que o Tribunal a quo entendeu que a acusação estaria amparada por indícios de autoria mais amplos que os afirmados pela defesa, pois, conforme se depreende da denúncia (fls. 34/38), o Ministério Público faz a devida qualificação do acusado, descreve de forma objetiva e suficiente as condutas delituosas perpetradas pelo suposto agente, que, em tese, teria ceifado a vida da vítima juntamente com outro indivíduo, os quais teriam entrado a noite na residência da ofendida e saído pela manhã, e, ao que se demonstra dos fatos, teriam simulado suicídio por enforcamento, limpando a cena do crime posteriormente. Essas circunstâncias demostram indícios suficientes de autoria, prova da materialidade e a existência de nexo causal e, ao revés do alegado nas razões recursais, não faz imputações genéricas, razão pelo qual se mostra em conformidade com o comando pertinente do Estatuto Processual Penal, de modo a permitir o exercício da ampla defesa. Impende a transcrição de excertos da denúncia, a qual descreve a participação do agravante na empreitada delituosa, apontando indícios de autoria aptos a deflagrar a ação penal em face do acusado, possibilitando sua defesa, como se extrai dos seguintes trechos da inicial acusatória: "Fato 1 Na madrugada do dia 25 de dezembro de 2023, em horário que será melhor esclarecido no decorrer da instrução processual, mas por volta das 3h, na residência localizada na Rua .. o denunciado C. dos S., agindo contra mulher por razões da condição de sexo feminino, por menosprezo ou discriminação à condição de mulher, com manifesto animus necandi, em comunhão de esforços e acordo de vontades com outro indivíduo não identificado e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, matou P. A. F. Segundo consta, no dia 24 de dezembro de 2023, em horário que será melhor esclarecido no decorrer da instrução, a vítima saiu de sua residência em uma motocicleta Honda Biz, cor vermelha, e logo após retornou acompanhada de um masculino não identificado. Mais tarde, por volta das 22h22min, o denunciado se deslocou até a residência da vítima, e lá permaneceu até às 7h41min do dia seguinte, juntamente com o outro masculino não identificado. Foi assim que, por volta das 3h da madrugada, teria se iniciado um desentendimento entre a vítima, C. dos S. e o masculino, por motivos ainda desconhecidos, tendo o denunciado e o terceiro acabado por ceifar a vida da vítima, consoante Laudo Pericial n. 2023.04.08527.24.002-221 (evento 1, INQ1, fls. 17-19). O crime foi perpetrado mediante recurso que dificultou a defesa da ofendida, tendo em vista que a vítima havia ingerido bebida alcoólica, foi morta por dois masculinos, em uma residência pequena, dificultando sua defesa. Por fim, o delito foi praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, pois envolve menosprezo à condição de mulher, manifestado pelo denunciado e seu comparsa através da aversão e objetificação da vítima, já que P. A. F. foi covardemente agredida e morta durante um encontro casual com os masculinos. .. FATO 3 Por fim, em data e horário que serão melhor esclarecidos no decorrer da instrução processual, mas provavelmente na madrugada do mesmo dia 25 de dezembro de 2023, na residência localizada na Rua João Severino Gomes 246, bairro da Glória, nesta cidade, o denunciado CLEVERSON DOS SANTOS, em comunhão de esforços e acordo de vontades com outro indivíduo não identificado, inovou artificiosamente, para produzir efeito em processo penal, o estado de lugar e de coisa, com o fim de induzir a erro o juiz. Segundo consta do caderno indiciário, na data de 29 de dezembro de 2023, por volta das 16h29min, foi registrado o Boletim de Ocorrência n. 2020.2023.0006736 (evento 1, fls. 5-6), noticiando o suposto suicídio de P A F . Contudo, após a realização de perícia no local e exame necroscópico na vítima, constatou-se que o denunciado e o masculino simularam um suicídio por enforcamento de P A F , tendo em vista que amarraram uma corda (fio de extensão elétrica) em seu pescoço, bem como limparam a cena do crime, visando ludibriar a verdadeira causa mortis da vítima. Assim agindo, o denunciado CLEVERSON DOS SANTOS infringiu o disposto no artigo 121, § 2º, incisos IV e VI c/c § 2º-A, inciso II, na forma do artigo 29, caput; artigo 155, § 4º, inciso IV; e artigo 347, parágrafo único, todos do Código Penal, na forma do artigo 69 do mesmo diploma legal .. ." (fls. 34/37) No mesmo sentido colaciono os seguintes julgados deste STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIMES DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO, OCULTAÇÃO DE CADÁVER E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. ELEMENTOS INDICIÁRIOS SUFICIENTES À INSTAURAÇÃO DA AÇÃO PENAL. NULIDADE DA CITAÇÃO POR HORA CERTA. EFETIVO PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. PRINCÍPIO PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. ART. 563 DO CPP. ALEGADO PATROCÍNIO INFIEL DO ANTIGO ADVOGADO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. VIA INADEQUADA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Como é de conhecimento, o trancamento de ação penal ou de procedimento investigativo na via estreita do habeas corpus ou de recurso em habeas corpus somente é possível, em caráter excepcional, quando se comprovar, de plano, a inépcia da denúncia, a atipicidade da conduta, a incidência de causa de extinção da punibilidade ou a ausência de indícios de autoria ou prova da materialidade do delito. 2. Na hipótese, conforme destacado pela Corte local, consta expressamente na denúncia que, além da confissão do acusado V. C. DA. R. de que o mandante do crime foi o recorrente, há transcrições de conversas via aplicativo WhatsApp confirmando referidas alegações, além de constar 13 ligações entre o referido acusado e o recorrente no dia do homicídio e várias outras ligações entre os dois. Assim, estando presentes a materialidade delitiva e os indícios suficientes de autoria, bem como amoldando-se a conduta ilícita aos delitos tipificado na inicial acusatória, não há que se cogitar de falta de condição da ação e de falta de justa causa, como faz crer a defesa, cumprindo ressaltar que o pleito defensivo só poderia ser reconhecido quando evidenciado de pronto, sem a necessidade de juízo valorativo do conjunto fático-probatório dos autos. 3. No curso do processo penal, o reconhecimento de nulidades reclama uma efetiva demonstração do prejuízo à parte (princípio pas de nullité sans grief, positivado pelo art. 563 do CPP), a fim de justificar a anulação de atos processuais, o que não ocorreu na hipótese. Isso porque, conforme entendeu a Corte de origem, depois de citado por hora certa, o recorrente constituiu advogado para atuar em sua defesa, que se manifestou nos autos, apresentando defesa preliminar em seu favor e o assistindo durante a instrução criminal, dados que sinalizam a ciência da ação penal e a oportunidade de ampla defesa e do contraditório. 4. Por fim, na linha da conclusão adotada pela Corte local, no julgamento do writ originário, não há como se analisar o alegado patrocínio infiel do antigo causídico na via eleita, que poderá ser analisado no decorrer da instrução processual e, caso constatado, apurado em ação penal própria. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no RHC n. 198.042/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CONFLITOS ENTRE GRUPOS INDÍGENAS ADVERSÁRIOS. TENTATIVA DE HOMICÍDIO. AUTORIA COLETIVA. INÉPCIA DA DENÚNCIA NÃO EVIDENCIADA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INVIABILIDADE. ELABORAÇÃO DE LAUDO ANTROPOLÓGICO. DISPENSABILIDADE NA ATUAL FASE JUDICIAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Consta da exordial a classificação do crime, a descrição do fato criminoso e das respectivas circunstâncias, bem como a qualificação do acusado, em observância ao disposto no art. 41 do CPP. Não bastasse, verificam-se presentes indícios de autoria e prova de materialidade, inviabilizando o trancamento da ação penal. 2. A propósito, "O trancamento da ação penal em sede de habeas corpus é medida excepcional, somente se justificando se demonstrada, inequivocamente, a ausência de autoria ou materialidade, a atipicidade da conduta, a absoluta falta de provas, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a violação dos requisitos legais exigidos para a exordial acusatória, o que não se verificou na espécie. " (HC n. 359.990/SP, Sexta Turma, relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 6/9/2016; DJe de 16/9/2016.) 3. Revisar o referido entendimento implicaria reexame de provas, inviável pela via do writ, cujo rito é célere e demanda que a ilegalidade seja demonstrada de plano. 4. Ademais, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem admitindo, excepcionalmente, em crimes de autoria coletiva, possa o titular da ação penal descrever os fatos de forma geral, tendo em vista a incapacidade de se mensurar, com precisão, em detalhes, o modo de participação de cada um dos acusados na empreitada criminosa. Portanto, será regular a peça acusatória quando, a despeito de não delinear as condutas individuais dos corréus, anunciar o liame entre a atuação do denunciado e a prática delituosa, demonstrando a plausibilidade da imputação e garantindo o pleno exercício do direito de defesa. Precedentes." (RHC n. 68848/RN, Sexta Turma, relator Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma. julgado em 27/9/2016; DJe de 13/10/2016.) 5. Quanto à tese de imprescindibilidade do laudo criminológico, por ora, não se identifica a indispensabilidade do exame no momento inicial da ação penal. "Outrossim, o processo encontra-se ainda na primeira fase do procedimento inerente aos crimes dolosos contra a vida, destinada a tão somente avaliar a existência ou não de prova da materialidade do crime e de indícios suficientes de autoria, nada impedindo que se renove a prova perante o juízo natural da causa - o Tribunal do Júri - se, por hipótese, vierem os recorrentes a ser pronunciados." (RHC n. 86305/RS, Sexta Turma, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, julgado em 1º/10/2019; DJe de 18/10/2019.) 6 . Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 181.331/RS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. INÉPCIA DA DENÚNCIA NÃO CONFIGURADA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 41 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. INSURGÊNCIA CONTRA A PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE DA CONDUTA. RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. TESE DE EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. INSTRUÇÃO ENCERRADA. FEITO NA FASE DE ALEGAÇÕES FINAIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 52/STJ. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO ADVOGADO PARTICULAR DO ACUSADO. MATÉRIA SUSCITADA APENAS NO AGRAVO REGIMENTAL. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. AGRAVO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. O entendimento pacífico desta Corte é de que o trancamento da ação penal pela via do habeas corpus e do recurso ordinário em habeas corpus é medida de exceção, que só é admissível quando emerge dos autos, sem a necessidade de exame valorativo do conjunto fático ou probatório, a imputação de fato penalmente atípico, a inexistência de qualquer elemento indiciário demonstrativo de autoria e materialidade do delito ou, ainda, a extinção da punibilidade. 2. No caso, conclui-se que o Ministério Público apontou elementos indiciários suficientes sobre a autoria e a materialidade dos delitos capitulados na denúncia, de forma a garantir o exercício da ampla defesa e do contraditório, já que a peça acusatória contém descrição capaz de delinear satisfatoriamente a conduta deletéria imputada e as circunstâncias que a caracterizam, de acordo com o preconizado no art. 41 do Código de Processo Penal. 3. É prematuro, pois, determinar desde já o trancamento do processo-crime, sendo certo que, no curso da instrução processual, poderá a Defesa demonstrar a veracidade dos argumento de falta de vínculo subjetivo com o crime. 4. As circunstâncias mencionadas no aresto combatido evidenciam a necessidade da prisão cautelar para assegurar a ordem pública, em razão da gravidade da conduta e do risco de reiteração delitiva. As instâncias ordinárias ressaltaram que os Acusados mataram a Vítima mediante disparos de arma de fogo, após desentendimento para a prática de crimes. Tais circunstâncias justificam a custódia cautelar para a garantia da ordem pública. 5. Ademais, ficou consignado que o Agravante também responde a outro processo criminal pela suposta prática do crime de tráfico de drogas, o que também demonstra o risco concreto de reiteração delitiva, justificando a custódia cautelar para a garantia da ordem pública. 6. Quanto ao alegado excesso de prazo na formação da culpa, de acordo com informações colhidas no endereço eletrônico do Tribunal de origem, verifica-se que, em 09/08/2023, houve o encerramento da instrução, porquanto o feito está na fase de alegações finais. Desse modo, fica superada a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo , nos termos da Súmula n. 52 do Superior Tribunal de Justiça: "Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo". 7. No âmbito do agravo regimental, não se admite que a Parte amplie objetivamente as causas de pedir e os pedidos formulados na petição inicial ou no recurso. A tese de que não houve a realização de diligências para localização do Acusado trata-se de indevida inovação recursal. 8. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no HC n. 778.355/PE, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) Nesse contexto, não vislumbro, no caso concreto, constrangimento ilegal passível de correção, não merecendo prosperar a irresignação no que se refere ao trancamento prematuro da ação penal por inépcia da denúncia. Desse modo, mantenho a r. decisão agravada pelos seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao agravo regimental.