AREsp 2672772 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram de forma específica e concreta os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem (especialmente quanto à incidência da Súmula n.7/STJ), em desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015),...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SANDRA REGINA BAPTISTA PIMENTEL; Agravante: SERGIO HENRIQUE BAPTISTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso, Admissibilidade, Súmula N.7/stj, Súmula N.182/stj, Agravo Em Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SANDRA REGINA BAPTISTA PIMENTEL
Agravante
SERGIO HENRIQUE BAPTISTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula n.7/STJ à inadmissão do recurso especial
- 2 Obrigação de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida (princípio da dialeticidade, art. 932, III, CPC/2015)
- 3 Incidência da Súmula n.182/STJ pela falta de impugnação específica
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram de forma específica e concreta os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem (especialmente quanto à incidência da Súmula n.7/STJ), em desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015), justificando a aplicação da Súmula n.182/STJ.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SANDRA REGINA BAPTISTA PIMENTEL e SERGIO HENRIQUE BAPTISTA contra a decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado na Apelação Cível n. 5057039-26.2022.4.02.5101/RJ. É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre, pelo fundamento de que (fl. 384, e-STJ) haveria a necessidade de analisar fatos e provas para a apreciação das teses expostas nas razões do Recurso Especial, incidindo o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. Todavia, em relação ao óbice da Súmula n. 7/STJ, não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a afirmar o que segue (fls. 400-406, STJ): O recurso se restringe à discussão puramente jurídica expressa previsão do artigo 6º da Lei 7.713/88, desrespeitada pelo Colendo Tribunal a quo, na medida em que alegou que as verbas de complementação de aposentadoria percebidas pelo de cujus não goza de isenção fiscal. Não há falar em revisão fático-probatória. Eis que exaustivamente comprovada a condição de portador de moléstia grave -condição tal, inclusive, nunca negada pelas decisões ao quo, bem como nunca impugnada pela ré -,assim como resta mais que comprovado o recolhimento do tributo e seu respectivo monte. Assim, não se intende a revisão fático-probatória dos fatos alegados, haja vista mais do que comprovados. Ocorre, na verdade, que a interpretação das normas tributárias adotada pelo v. acórdão recorrido se demonstra incompatível com o espírito da legislação federal, em especial do artigo 6º da Lei 7.713/88. Tal matéria, inclusive, é de amplo conhecimento deste E. STJ, com centenas de julgamentos semelhantes, conforme jurisprudência uníssona apontada no Recurso Especial em questão. .. Mister, portanto, o reconhecimento da isenção das verbas recolhidas pelo contribuinte, visto que absolutamente comprovada a situação de isenção fiscal por portabilidade de moléstia grave. Insista-se: não se pretende, portanto, a rediscussão de tais provas, eis que completamente comprovadas em favor do contribuinte, mas apenas a aplicação fiel da legislação citada (Lei 7.713/88), uma vez que evidentemente violada pelo v. acórdão regional. Assim, a parte agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar, de maneira efetiva e concreta, a forma pela qual, independentemente de aprofundado reexame dos elementos probantes, seria exequível examinar as teses recursais, o que configura desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, inciso III, CPC/2015). Limitou-se a tecer argumentos de que sua irresignação teria natureza de direito , se m especificar quais seriam as premissas de fato do decisum recorrido, tampouco deixando claro as razões pelas quais prescinde de revolvimento de sua análise. Afirmar que os fatos relativos à comprovação da moléstia grave e a consequente aplicação de isenção tributária estaria amplamente demonstrada não apresenta as premissas de fato que o acórdão adotou, tampouco explicita a razão pela qual seria despicienda a reanálise de fatos e provas. Não realizar o cotejo entre o fatos adotados no acórdão e as premissas fáticas das razões de seu apelo nobre evidentemente não realiza impugnação específica do óbice de admissibilidade do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte local para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ. Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNADO DE FORMA ESPECÍFICA O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4.º, DO CÓD IGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO CABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A parte agravante, no agravo em recurso especial, deixou de impugnar de forma específica, o fundamento da decisão que não admitiu o apelo nobre na origem. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Não deve ser aplicada, na hipótese, a multa prevista no art. 1.021, § 4.º, do Código de Processo Civil, pois, consoante orientação desta Corte Superior, o mero inconformismo com a decisão impugnada não acarreta a necessária imposição da sanção, quando não caracterizada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.362.235/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 21/5/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DO ÓBICE PREVISTO NO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.