AREsp 2517567 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente e de forma concreta todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial; alegações genéricas sobre a inexistência de reexame de fatos e provas e menções às teses sustentadas são insuficientes para afastar os óbices das Súmulas...
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- Parties
- Agravante: WILLIAMS TAVARES DA ROCHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula N. 83 Do STJ, Súmula N. 182 Do STJ, Princípio Da Dialeticidade, Art. 932, III, Do CPC, Art. 253, Parágrafo Único, I, Do Regimento Interno Do STJ
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Parties
WILLIAMS TAVARES DA ROCHA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 aplicabilidade da Súmula n. 7 do STJ (vedação ao reexame de fatos e provas)
- 2 aplicabilidade da Súmula n. 83 do STJ (uniformidade de jurisprudência)
- 3 exigência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida (Súmula n. 182 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente e de forma concreta todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial; alegações genéricas sobre a inexistência de reexame de fatos e provas e menções às teses sustentadas são insuficientes para afastar os óbices das Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ, aplicando-se a Súmula n. 182 do STJ e o disposto no art. 932, III, do CPC, que autorizam o não conhecimento monocrático do recurso.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por WILLIAMS TAVARES DA ROCHA contra decisão do Tribunal de origem que, no exame prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial pelos seguintes fundamentos (fls. 692-696): Súmulas n. 7 e 83 do STJ. Nas razões do presente agravo em recurso especial, argumenta a defesa que o recurso especial deveria ter sido admitido, pois os referidos óbices sumulares não se aplicariam ao caso dos autos. A parte recorrente aborda, ainda, aspectos relacionados ao mérito da causa e reitera questões deduzidas no recurso especial. Articula, ainda, que (fls. 713 e 782): .. como se tivesse aplicação a Súmula nº 83 do excelso STJ, que tal Súmula, "data venia", não se apresenta no caso, visto que o agravante demonstrou concretamente a violação aos dispositivos legais federais no seu aludido recurso especial, principalmente do art. 413, §1º do CPP, como mais uma vez será demonstrado adiante, citando decisões jurisprudenciais divergentes, inclusive agora refutando que o egrégio TJBA tenha decidido no mesmo sentido da decisão recorrida. .. a impetração do presente agravo no recurso especial não objetiva a reanálise das provas e teses recursais defensivas, mas a sua valoração, especialmente, "data venia", quando o r. acórdão então recorrido malferiu tantos dispositivos de Lei Federal e perquiriu de forma contraditória e omissa a prova dos autos, ensejando, pois, a impetração em realce, para impronunciar ou absolver o ora agravante. Requer o provimento do recurso, com a consequente repercussão jurídica. Impugnação apresentada. Parecer do Ministério Público Federal às fls. 816-823. É o relatório. Como relatado, o recurso especial foi inadmitido por aplicação dos seguintes fundamentos: (i) análise que exigira o reexame de fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7 do STJ quanto à concessão do direito ao recurso em liberdade em razão da alegação de excesso de prazo e (ii) contrariedade das razões do recurso ao sentido da pacífica jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ) com relação à desconstituição da decisão de pronúncia, por excesso de linguagem e por ausência de indícios da autoria, e à concessão do direito ao recurso em liberdade. Porém, as razões do agravo em recurso especial não enfrentam, de modo suficiente, todos os fundamentos referidos, não bastando para tanto que a parte recorrente mencione cada um deles, pois, para atendimento do princípio da dialeticidade, devem ser demonstradas, de modo específico e concreto, quais seriam as razões pelas quais a decisão recorrida deveria ser reformada. Vale esclarecer, quanto ao óbice referido na Súmula n. 7 do STJ, que a alegação genérica sobre a desnecessidade de que sejam reexaminados os fatos e as provas é insuficiente para o efetivo enfrentamento da decisão recorrida, ainda que feita breve menção à tese sustentada, quando ausente o devido cotejo das premissas fáticas do acórdão proferido na origem (AgRg no AREsp n. 2.030.508/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 13/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.672.166/SE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.576.898/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024). Por sua vez, quanto ao impedimento decorrente da aplicação da Súmula n. 83 do STJ, "é necessário que a parte comprove que o entendimento desta Corte Superior destoa da conclusão a que chegou o Tribunal de origem ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes mediante distinguishing, o que não ocorreu na hipótese" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.278.302/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/9/2023, DJe de 3/10/2023). Como se co nstata, a efetiva impugnação dos fundamentos que levaram o Tribunal de origem a inadmitir o recurso especial exigia o expresso e efetivo enfrentamento de cada um dos respectivos fundamentos, sem o que não se pode cogitar do desacerto da decisão agravada, conforme relatado. Aplica-se, em consequência, a conclusão prevista na Súmula n. 182 do STJ, que estabelece ser "inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". A propósito: AgRg no AREsp n. 2.706.517/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 23/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.564.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.126.667/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 18/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.262.869/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 25/6/2024. Por fim, registro que, n os termos do art. 932, III, do CPC, incumbe monocraticamente ao relator "não conhecer de recurso .. que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida", hipótese amparada também pelo art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO SUFICIENTE. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.