AREsp 2231168 - DECISAO
O Tribunal entendeu que o acórdão do Tribunal de origem abordou as questões relevantes, afastando a alegação de omissão; verificou-se ausência de prequestionamento quanto ao art. 618, II, do CPC (incidindo Súmula 211/STJ) e existência de fundamentos suficientes não impugnados pelo recorrente (aplicação por analogia...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: espólio de RICHARD CLEMENT HABER e CLAIRE ANNIE HABER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Exame Do Recurso Especial Após Inadmissão Pelo Tribunal De Origem
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Prequestionamento, Fundamentação Judicial (art. 489, §1º Cpc), Honorários Sucumbenciais (art. 85, §11, Cpc), Inventário, Alvará Judicial Para Extinção De Empresa, Intempestividade E Preclusão
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Parties
espólio de RICHARD CLEMENT HABER e CLAIRE ANNIE HABER
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Exame Do Recurso Especial Após Inadmissão Pelo Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 ausência de fundamentação adequada alegada (art. 489, §1º, CPC)
- 2 dever do inventariante de zelar pelos interesses do espólio (art. 618, II e art. 507, CPC)
- 3 prequestionamento como requisito do recurso especial (Súmula 211/STJ)
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que o acórdão do Tribunal de origem abordou as questões relevantes, afastando a alegação de omissão; verificou-se ausência de prequestionamento quanto ao art. 618, II, do CPC (incidindo Súmula 211/STJ) e existência de fundamentos suficientes não impugnados pelo recorrente (aplicação por analogia da Súmula 283/STF), razão pela qual o agravo foi conhecido em parte e o recurso especial, nessa extensão, teve seu provimento negado; não se aplicou a majoração de honorários do art. 85, §11, do CPC por origem em decisão interlocutória.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo espólio de RICHARD CLEMENT HABER e CLAIRE ANNIE HABER contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. Inventário. Irresignação em face do despacho que manteve decisão anterior, a qual deixou de apreciar o pedido de expedição de alvará para extinção de empresa de titularidade do "de cujus", por considerar o processo suspenso em razão de liminar concedida em ação anulatória de testamento. Inadmissibilidade. Prazo do agravo conta-se a partir da deliberação lesiva ao interesse da parte, não se iniciando após a intimação do despacho que apreciou reiteração do pedido. Intempestividade configurada. Recurso não conhecido" (fl. 699). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fl. 725). No recurso especial, a parte recorrente alega violação do art. 489, §1º, do Código de Processo Civil por ausência de fundamentação quanto ao dever do inventariante de zelar pelos interesses do espólio. Defende ainda ofensa aos arts. 507 e 618, II, do CPC ao argumento de ser dever do inventariante zelar pelo espólio e de que havia requerido a expedição de alvará judicial para a extinção da empresa, por meio da qual o de cujus exercia sua atividade, a fim de evitar indevida oneração do espólio. Após as contrarrazões (fls. 736/744), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. Registra-se que o tribunal de origem se pronunciou acerca dos pontos levantados pela recorrente, mesmo que de modo breve, afastando os argumentos deduzidos que, em tese, seriam capazes de infirmar a conclusão adotada. É o que se verifica no seguinte excerto: "Ademais, não apreciada a questão do poder de administração do espólio por parte do inventariante devido à impossibilidade de apreciação do mérito, ante a intempestividade configurada. Inocorrente, portanto, vulneração ao art. 618, II, do CPC" (fl. 728). Como se sabe, cabe ao julgador apreciar os fatos e as provas da demanda segundo seu livre convencimento, declarando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos que o levaram a solucionar a lide. Desse modo, o não acolhimento das teses ventiladas pela parte recorrente não significa omissão ou deficiência de fundamentação da decisão, ainda mais quando o aresto aborda todos os pontos relevantes da controvérsia, como na espécie. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE PROCESSUAL. DECISÃO QUE DEFERIU O PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA EXECUTADA. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. TEORIA MENOR. OBSTÁCULO AO RESSARCIMENTO DOS DANOS CAUSADOS AOS CONSUMIDORES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS CONSTATADOS. REVISÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. PENHORA SOBRE SALDO DE PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. POSSIBILIDADE. NÃO UTILIZAÇÃO PARA FINS ALIMENTARES. REVISÃO. NECESSIDADE DE INCURSÃO NO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. ANÁLISE CASUÍSTICA. NÃO OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ocorre negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, todas as questões que lhe foram submetidas, ainda que tenha decidido contrariamente à pretensão da parte. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que não há se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. 2.(..)" (AgInt no AREsp 2.205.438/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se). Assim, no que se refere à ofensa ao art. 618, II, do CPC, verifica-se que a matéria versada no dispositivo apontado como violado no recurso especial não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias, embora opostos embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento, incide o disposto na Súmula nº 211/STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". Ademais, esta Corte Superior já firmou entendimento no sentido de que "não configura contradição afirmar a falta de prequestionamento e afastar indicação de afronta ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que é perfeitamente possível o julgado se encontrar devidamente fundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos desejados pela postulante, pois a tal não está obrigado" (AgRg no AREsp 524.768/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma , julgado em 07/08/2014, DJe 15/08/2014). No que se refere à alegada ofensa ao artigo 507 do CPC, esta foi afastada pelo tribunal de origem sob o seguinte fundamento: "Como visto, a decisão ofensiva ao interesse da parte é aquela exarada às f. 509, disponibilizada no DJE em 28.09.2020, de modo que há muito já havia se exaurido o prazo recursal quando da reiteração do pedido em 22.01.2021. O despacho posterior, objeto do agravo, representou tão-somente indeferimento do pedido de reconsideração. Esta última deliberação ostenta natureza de mera confirmação ou reiteração da determinação anterior, nada decidindo, razão pela qual a questão já se encontra preclusa" (fl. 702). Tal fundamento, entretanto, não foi objeto de impugnação pela parte recorrente, atraindo a incidência, por analogia, da Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Confiram-se: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESCISÃO DO CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ENVIO DA NOTIFICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA Nº 283 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de combate aos fundamentos do acórdão recorrido, suficientes por si só, para a manutenção do decidido acarreta a incidência da Súmula n.º 283 do STF. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.157.654/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023 - grifou-se). Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA