AREsp 2634724 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito, negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão, a perícia foi realizada com base em documentação suficiente e os cálculos do perito tinham presunção de veracidade não desconstituída; a reforma da decisão demandaria reexame do...
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- Parties
- Agravante: LUIZ ANTÔNIO KNOB
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Julgamento
- Outcome
- conheço do agravo e, nesta extensão, nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Omissão E Negativa De Prestação Jurisdicional, Perícia Contábil E Cálculos, Súmula 7/stj, Honorários Sucumbenciais, Preclusão, Multas Por Não Exibição De Documentos
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Parties
LUIZ ANTÔNIO KNOB
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Julgamento
Legal Issues
- 1 alegação de omissão/negativa de prestação jurisdicional
- 2 presunção de veracidade dos cálculos periciais
- 3 necessidade de exibição de slip/xer para perícia
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a decisão, a perícia foi realizada com base em documentação suficiente e os cálculos do perito tinham presunção de veracidade não desconstituída; a reforma da decisão demandaria reexame do conjunto fático-probatório, obstado pela Súmula nº 7/STJ.
Court Disposition
conheço do agravo e, nesta extensão, nego provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por LUIZ ANTÔNIO KNOB contra a decisão q ue inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO REVISIONAL EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - INSURGÊNCIA QUANTO AOS CÁLCULOS REALIZADOS PELA PERÍCIA JUDICIAL CONTÁBIL - IMPUGNAÇÃO DESACOMPANHADA DE MOTIVAÇÃO - CÁLCULOS QUE SEGUIRAM OS PARÂMETROS DO JULGADO - DOCUMENTOS DOS AUTOS SUFICIENTE PARA REALIZAÇÃO DOS CÁLCULOS - DECISÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. A documentação constante dos autos, consistente em demonstrativos de conta vinculada, mostrou-se suficiente para a elaboração dos cálculos periciais, realizados sem a juntada de slip/xer 712. Verifica-se que, apesar das alegações do exequente, ora apelante, os cálculos apresentados pelo perito contábil gozam de presunção de veracidade não desconstituída e mostram-se adequados às determinações contidas no julgado" (e-STJ fls. 1.042/1.043). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 1.115/1.123). Nas extensas razões do recurso especial (e-STJ fls. 1.124/1.165) o recorrente aponta violação dos artigos 400, 489, § 1º, IV, 507, 524, § 4º, e 1.022, II, do Código de Processo Civil. Alega omissão do acórdão recorrido quanto à preclusão, bem como acerca da alegada necessidade de se cumprir a decisão judicial anterior que havia fixado multa pela não exibição dos documentos, bem como que se homologassem os cálculos do exequente. Sustenta que "O Recorrente não quer mais os slips, pois já esperou 13 anos por eles, e não pretende esperar outros 13 (treze). Deve ser cumprida a decisão judicial que aplicou a multa pelo descumprimento da decisão e a aplicação do art. 400 do CPC, art. 524, §§ 4º e 5º do CPC, no sentido de que sejam homologados os cálculos apresentados no cumprimento de sentença. Quanto aos "demonstrativos de conta vinculada" entregues no lugar dos SLIPS, O PRÓPRIO PERITO, AFIRMA, NA TRANSCRIÇÃO FEITA NO ACÓRDÃO, QUE NÃO PODE ATESTAR SE OS DEMONSTRATIVOS DE CONTA VINCULADA SÃO IDÔNEOS" (e-STJ fl. 1.154). Contrarrazões às e-STJ fls. 1.186/1.199. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. Quanto à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. É o que se verifica do seguinte trecho do acórdão que julgou os embargos de declaração: "Com relação às alegadas omissão e contradição, o acórdão embargado analisou devidamente a matéria relativa à apresentação da documentação . Colaciona-se fragmento slip que tratou da matéria: "(..) Assim, verifica-se que não se mostra necessária a apresentação do documento slip/xer, já que a perícia foi realizada de maneira adequada com base na documentação já acostada aos autos, o que afasta, por consequência, o pedido de aplicação de multa diária ao banco. Ademais, ressalta-se que, apesar das alegações do exequente, não demonstrou nem mesmo indícios de que houve alguma alteração nos demonstrativos apresentados, nem mesmo que há irregularidade nas movimentações dele constantes. É de se perceber, ainda, que o exequente não sustentou eventuais equívocos nos cálculos realizados pelo perito judicial. Assim, se não restou comprovada a utilização de metodologia inadequada ou de índices incorretos pela perícia, não há falar-se em reforma da decisão que homologou os cálculos, máxime se seguiram o que foi estabelecido pela sentença. Isso porque os cálculos apresentados pelo perito contábil gozam de presunção de veracidade não desconstituída e mostram-se adequados às determinações contidas no julgado. (..)". Nota-se que, apesar das alegações do embargante, não há falar-se em aplicação de multa, já que sequer será necessária a apresentação da documentação. Dessa forma, em que pese as alegações apresentadas pelo embargante, não foi constada a presença de vícios, o que indica a intenção de rediscussão da matéria" (e-STJ fl. 1.119). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se)-- Registra-se que, mesmo à luz do art. 489 do CPC, o órgão julgador não estaria obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). A motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo julgador, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios. Conforme se infere das transcrições acima, consignadas no acórdão que julgou os embargos de declaração na origem, a Corte local solucionou a controvérsia à luz do conjunto fático-probatório dos autos, o que inviabiliza o recurso especial em razão da incidência da Súmula nº 7/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta ext ensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA