AREsp 2702385 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e concreta todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, não cumprindo o ônus de demonstrar, diante da moldura fática reconhecida, que a análise das teses suscitadas prescindiria do revolvimento...
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- Parties
- Agravante: JOSE VICENTE FALCI; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Dialeticidade Recursal, Impugnação Concreta
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Parties
JOSE VICENTE FALCI
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 7 do STJ na inadmissão do recurso especial pelo Tribunal a quo
- 2 Obrigatoriedade de impugnação específica e concreta dos fundamentos da decisão de inadmissão (art. 932, III, CPC/2015)
- 3 Aplicabilidade da Súmula 182 do STJ ao agravo em recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e concreta todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, não cumprindo o ônus de demonstrar, diante da moldura fática reconhecida, que a análise das teses suscitadas prescindiria do revolvimento do acervo fático, nos termos do art. 932 do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSE VICENTE FALCI contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado no Agravo de Instrumento n. 2182102-53.2023.8.26.0000, assim ementado (fls. 217-221): SUSTENTAÇÃO ORAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO -Inadmissibilidade - Recurso interposto contra decisão que, em cumprimento de sentença, considerou intempestiva a impugnação do devedor - Hipótese que não enseja sustentação oral em julgamento presencial Observância dos artigos 937, inciso VIII, do Código de Processo Civil, e 146, § 4º, do Regimento Interno desta Corte - Possibilidade de julgamento virtual mesmo ante a oposição expressa da parte. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - Decisão que acusou a intempestividade da resposta a ato processual - Admissibilidade - Regularidade da intimação do devedor - Oficial de Justiça que tem fé pública e certificou apenas a ausência de condições físicas do executado de apor seu ciente à intimação, que foi suprida pela assinatura do filho - Agravo de instrumento não provido. Os Embargos de Declaração opostos foram rejeitados (fls. 245-252). Recurso Especial apresentado pelo recorrente, por indicada violação aos seguintes artigos de lei federal: 245, caput, § 4º, 525, § 1º, inc. V, 489, § 1º, incs. IV e VI e 1022, inc. II, do Código de Processo Civil; bem como divergência jurisprudencial. Argumentou existência de omissão e equívoco sobre premissa fática no acórdão. Ademais, sustentou a nulidade da intimação pessoal . O Tribunal de origem não admitiu o recurso (fls. 311-313), o que ensejou a interposição do presente agravo (fls. 317-343). O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls. 370-371, no qual opinou pelo não conhecimento do agravo. É o relatório. Decido. O agravo não comport a conhecimento. O Tribunal de origem não admitiu o apelo nobre em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ. Contudo, a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial, restringiu-se a afirmar, de maneira genérica, que não se trata de revolvimento do acervo fático-probatório, não tendo esclarecido, à luz das teses veiculadas no apelo nobre, quais sejam, violação aos arts. 245, caput, § 4º, 525, § 1º, inc. V, 489, § 1º, incs. IV e VI e 1022, inc. II, do Código de Processo Civil, de que maneira não seria necessária a incursão ao campo fático-probatório. Para buscar afastar a incidência da Súmula n. 7 do STJ, deve a parte cotejar a moldura fática incontroversa do acórdão recorrido com as teses por ele suscitadas, demonstrando de que forma o seu exame prescindiria da análise de elementos probantes, tal como explicitado na decisão que não admitiu o recurso especial. A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ. Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.