AREsp 2596826 - DECISAO
O acórdão recorrido analisou suficientemente as questões suscitadas, verificando que o banco comprovou a contratação e o uso do cartão de crédito consignado mediante documentos juntados, aplicou a tese do IRDR nº 53.983/2016 e, não havendo prova de ato ilícito, rejeitou a devolução em dobro e a indenização; a...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas (irdr), Súmulas 5 E 7 Do STJ, Repetição De Indébito, Danos Morais, Contratação De Cartão De Crédito Consignado, Ônus Da Prova (art. 373, II, Cpc/2015)
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos
Legal Issues
- 1 Alegada omissão e violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015
- 2 Aplicabilidade do IRDR nº 53.983/2016 ao caso
- 3 Ônus da prova sobre a regularidade da contratação (art. 373, II, CPC/2015)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido analisou suficientemente as questões suscitadas, verificando que o banco comprovou a contratação e o uso do cartão de crédito consignado mediante documentos juntados, aplicou a tese do IRDR nº 53.983/2016 e, não havendo prova de ato ilícito, rejeitou a devolução em dobro e a indenização; a tentativa de desconstituir tal conclusão exigiria reanálise de fatos e provas, vedada em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, não havendo, portanto, violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Deixo de majorar os honorários advocatícios (art. 85, § 11, do CPC/2015), devido à fixação anterior no patamar máximo permitido em lei.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da inexistência de violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015, da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e da ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial (e-STJ fls. 653/656). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fls. 476/477): APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÍVIDA. RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. IRDR Nº 53983/2016. APLICAÇÃO. ART. 373, II, DO CPC. PROVA DA UTILIZAÇÃO DO CARTÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. 1º APELO PROVIDO. 2º APELO DESPROVIDO. I. O cerne do presente recurso consiste em examinar, se de fato o empréstimo questionado pelo autor da demanda, ora apelante, inobservou o dever de informação, o que ensejaria a repetição do indébito e, ainda, reparação a título de danos morais. II. Da análise detida dos autos, verifico que o Banco apelante se desincumbiu de provar a existência de fato extintivo do direito do autor, visto que comprovou através de documentos de Ids. 24789130/24789153 (termo de adesão de cartão de crédito consignado com autorização para desconto em folha de pagamento, documentos pessoais de titularidade do apelante, comprovante de TED) que houve regular contratação do cartão de crédito na modalidade consignado, atendendo assim o disposto no art. 373, II do Código de Processo Civil. III. Resta evidenciado o uso do cartão pelo Recorrido, vez que as faturas carreadas pelo Réu (ID nº. 24789138/24789144) apresentam demonstrativos com movimentações relacionadas aos saques realizados. IV. Repise-se que no julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas - IRDR nº. 53.983/2016, o Tribunal de Justiça do Maranhão fixou a tese no sentido de que, apesar de não ser vedada a contratação de quaisquer modalidades de mútuo financeiro, a exemplo do empréstimo na modalidade cartão de crédito, cabe à instituição financeira/ré o ônus de provar que houve a contratação do empréstimo consignado, mediante a juntada do contrato ou de outro documento capaz de revelar a manifestação de vontade da consumidora no sentido de firmar o negócio jurídico, o que restou demonstrado no caso concreto. V. Assim, a aplicação da tese jurídica fixada no IRDR nº 53983/2016 é medida que se impõe, em atendimento ao que dispõe o Código de Processo Civil. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 521/534). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 535/571), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação dos seguintes dispositivos legais: (i) arts. 489, § 1º, IV e VI, e 1.022, II, do CPC/2015, aduzindo omissão no acórdão recorrido acerca de "provas importantes acostadas nos autos" (e-STJ fl. 540). Acrescenta que "os argumentos suscitados nos autos pela Recorrente não foram devidamente analisados com relação a decisão do superior Tribunal de Justiça, bem como o julgamento desta matéria em duas ações civis públicas, bem como à onerosidade excessiva e desvantagem atribuída ao consumidor" (e-STJ fl. 541, sic), e que "princípios das relações de consumo basilares sequer foram alvo de enfrentamento" (e-STJ fl. 541), e (ii) arts. 985 do CPC/2015, 422 do CC e 6º, III e IV, 39, V, 47, 51, IV, e 52 do CDC, sustentando ter havido equivocada aplicação das teses fixadas no IRDR n. 53983/2016 e defendendo, em suma, a ilegalidade do contrato de cartão de crédito consignado. Nesse contexto, apontou ainda a inobservância da Resolução n. 3.694/2009 do BACEN e a contrariedade do acórdão recorrido ao que decidido nas Ações Civis Públicas n. 0010064-91.2015.8.10.0001 e 106890-28.2015.4.01.3700. No agravo (e-STJ fls. 657/667), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada (e-STJ fl. 670). É o relatório. Decido. Inexiste afronta aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. Quanto às razões pelas quais o Tribunal de origem reconheceu a legalidade da contratação do empréstimo via cartão de crédito, o acórdão recorrido consigna que (e-STJ fls. 480/483, destaquei): Da análise detida dos autos, verifico que o Banco apelante se desincumbiu de provar a existência de fato extintivo do direito do autor, visto que comprovou através de documentos de Ids. 24789130/24789153 (termo de adesão de cartão de crédito consignado com autorização para desconto em folha de pagamento, documentos pessoais de titularidade do apelante, comprovante de TED) que houve regular contratação do cartão de crédito na modalidade consignado, atendendo assim o disposto no art. 373, II do Código de Processo Civil .. .. Registre-se que a contratação de cartão de crédito consignado difere do empréstimo consignado. Por expressa autorização contratual, o titular autoriza o Banco a deduzir, quando do recebimento da sua remuneração, a quantia correspondente ao pagamento mínimo da fatura, a qual é repassada pelo órgão pagador do contratante à administradora do cartão de crédito. Portanto, o restante da fatura deve ser pago voluntariamente, na data do vencimento, sob pena de a administradora ficar autorizada a financiar o saldo devedor remanescente. A partir daí, esse saldo devedor fica sujeito ao referido desconto mínimo mensal, feito diretamente na conta do beneficiário por ocasião do órgão pagador, até que haja a quitação da dívida. Em verdade, o autor anuiu aos termos apresentados para a autorização do desconto em folha de pagamento, fazendo exsurgir a presunção juris tantum de que teve ciência de todo o conteúdo constante do documento, a qual só deve ser afastada com a produção de prova em contrário, o que não ocorreu nos presentes autos. Por certo, resta evidenciado o uso do cartão pela consumidora, vez que as faturas carreadas pelo Réu (ID nº. 24789138/24789144) apresentam demonstrativos com movimentações relacionadas a saques realizados. Assim, não basta alegar que não desejou celebrar o contrato de cartão de crédito, vez que eventual vício do consentimento se encontra afastado pela expressa e inequívoca celebração do contrato, que comprova a modalidade contratual assinada pela consumidora, o que afasta, por completo, a pretensão declaratória e o pedido indenização por danos materiais e morais. Repise-se que no julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas - IRDR nº. 53.983/2016, o Tribunal de Justiça do Maranhão fixou a tese no sentido de que, apesar de não ser vedada a contratação de quaisquer modalidades de mútuo financeiro, a exemplo do empréstimo na modalidade cartão de crédito, cabe à instituição financeira/ré o ônus de provar que houve a contratação do empréstimo consignado, mediante a juntada do contrato ou de outro documento capaz de revelar a manifestação de vontade do consumidor no sentido de firmar o negócio jurídico, o que restou demonstrado no caso concreto. Nesse cenário, a aplicação da tese jurídica fixada no IRDR nº 53983/2016 é medida que se impõe, em atendimento ao que dispõe o Código de Processo Civil. Com efeito, não restando demonstrada a prática de ato ilícito por parte da instituição bancária apelada, tem-se que o negócio jurídico firmado é válido, sendo o numerário transferido à conta da apelante, os descontos das prestações mensais se revestem de legalidade, representando o exercício legítimo do direito da instituição bancária de cobrar a contraprestação devida pelo contrato de empréstimo firmado. Assim, uma vez que não restou demonstrado o fato constitutivo do direito alegado pela parte autora, não há que se falar, portanto, em devolução em dobro dos valores descontados e tampouco reparação a título de danos morais, ante ausência de comprovação de prática de ato ilícito pelo Banco réu. O julgador não está obrig ado a se pronunciar sobre todos os argumentos invocados pelas partes, bastando que os fundamentos utilizados sejam suficientes para embasar a decisão, como no caso dos autos. Desse modo, não assiste razão à parte, visto que o Tribunal a quo decidiu a matéria controvertida nos autos, ainda que contrariamente a seus interesses, não incorrendo em nenhum dos vícios previstos nos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015. Ademais, do excerto acima reproduzido, depreende-se que a conclusão da Corte local, pela inexistência de abusividade ou ilegalidade na contratação, se fundamenta em análise do conjunto fático-probatório dos autos. Logo, derruir as premissas do acórdão recorrido para se acolher a pretensão recursal no sentido de reconhecer a nulidade do ajuste demandaria a reanálise de fatos e provas, bem como a interpretação das previsões contratuais, providências vedadas em sede de recurso especial, a teor das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ressalte-se que, "consoante iterativa jurisprudência desta Corte, a incidência da Súmula 7 do STJ é óbice também para a análise do dissídio jurisprudencial, o que impede o conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.662.160/DF, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Deixo de majorar os honorários advocatícios (art. 85, § 11, do CPC/2015), devido à fixação anterior no patamar máximo permitido em lei. Publique-se e intimem-se. EMENTA