AREsp 2657540 - ACORDAO
A agravante não impugnou de forma efetiva, específica e motivada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em particular a aplicação da Súmula n. 284 do STF por ausência de similitude fática; assim, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e mantendo por...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Quarta Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido).
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Impugnação Dos Fundamentos Da Decisão Agravada, Aplicação Analógica Da Súmula 182 Do STJ, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Litigância De Má Fé
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Quarta Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 se a agravante impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 aplicabilidade, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ quando não há impugnação efetiva e específica de todos os fundamentos
- 3 incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ quanto à impossibilidade de revisão de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
A agravante não impugnou de forma efetiva, específica e motivada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em particular a aplicação da Súmula n. 284 do STF por ausência de similitude fática; assim, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e mantendo por analogia a aplicação da Súmula n. 182 do STJ, o agravo interno deve ser desprovido. Ademais, não se caracteriza litigância de má-fé que justifique a aplicação de penalidade.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial por aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/08/2024 a 02/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO APELO EXTREMO. ARTS. 932, III, DO CPC E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em observância ao princípio da dialeticidade, mantém-se a aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ quando não há impugnação efetiva, específica e motivada de todos os fundamentos da decisão que inadmite recurso especial, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra julgado da Presidência que, com amparo no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheceu do agravo em razão da aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ. A agravante sustenta que impugnou todos os fundamentos da decisão denegatória do recurso especial. Defende a inaplicabilidade das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e 284 do STF. Requer, assim, seja reconsiderada a decisão agravada ou seja o agravo julgado pelo colegiado. Contrarrazões apresentadas de fls. 901-904, em que se requer o não conhecimento do recurso com a condenação da parte agravante à pena de litigância de má-fé. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO APELO EXTREMO. ARTS. 932, III, DO CPC E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em observância ao princípio da dialeticidade, mantém-se a aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ quando não há impugnação efetiva, específica e motivada de todos os fundamentos da decisão que inadmite recurso especial, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO A irresignação não reúne condições de prosperar. O recurso especial foi inadmitido devido à incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, tendo em vista a impossibilidade de revisão pelo STJ da questão referente à reparação por danos morais, da autorização do procedimento médico sem adentrar a análise do acervo fático-probatório e a interpretação de cláusulas contratuais; e a não demonstração da divergência jurisprudencial nos moldes exigidos pela legislação processual civil de regência, haja vista a ausência de similitude fática entre os arestos comparados, a atrair a aplicação da Súmula n. 284 do STF. A ora agravante interpôs agravo em recurso especial contra a decisão do Tribunal a quo. O Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso por concluir que a parte deixara de impugnar a aplicação da Súmula n. 284 do STF (ausência de similitude fática). Conforme exposto na decisão de fls. 854-855, a parte agravante não contestou adequadamente um dos fundamentos da decisão então agravada, na medida em que, no agravo em recurso especial, limitou-se a defender a inaplicabilidade das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e, apesar de mencionar a Súmula n. 284 do STF em seu recurso, as razões apresentadas pela parte não guardam relação com o fundamento utilizado pela decisão denegatória. A decisão que inadmitiu o recurso especial aplicou a Súmula n. 284 do STF por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial pois os acórdãos comparados não guardavam semelhança fática a ensejar a deficiência de fundamentação do recurso. No agravo em recurso especial, a parte afirma a inaplicabilidade do referido óbice sumular, ao argumento de que seu recurso sustentou a violação dos arts. 10 e 12 da Lei n. 9.656/1998 e 421, 422 e 423 do CC sem, contudo, demonstrar como o acórdão paradigma indicado teria semelhança com o caso ora em análise. Nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não se conhecerá do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida. A refutação apta a infirmar a decisão agravada deve ser efetiva, específica e motivada, o que não ocorreu na espécie. Confiram-se os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.101.598/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 30/9/2022; e AgInt no AREsp n. 2.053.156/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022. Assim, tendo em vista que, no julgamento dos EAREsp n. 746.775/PR, em 19/9/2018, a Corte Especial do Superior Tribunal assentou que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade, é de rigor a manutenção da incidência, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Portanto, a parte agravante não logrou êxito em demonstrar situação superveniente que justificasse a alteração da decisão agravada. No que se refere ao pedido de aplicação da pena por litigância de má-fé, formulado em impugnação ao agravo interno, ressalte-se que a litigância de má-fé, passível de ensejar a aplicação de multa e de indenização, configura-se quando houver insistência injustificável da parte na utilização e reiteração indevida de recursos manifestamente protelatórios, o que não ocorreu na espécie (AgInt no AREsp n. 1.658.454/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 31/8/2020, DJe de 8/9/2020). No caso, apesar do desprovimento do agravo interno, não está caracterizada a manifesta inadmissibilidade do recurso ou mesmo a litigância temerária, razão pela qual é incabível a aplicação da penalidade acima referida. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.