AREsp 2708629 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não rebateu de forma específica e concreta todos os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem, descumprindo o ônus de dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, o que atrai a incidência da Súmula n. 182/STJ e...
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- Parties
- Agravante: VICK COMÉRCIO DE PLÁSTICOS E METAIS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Conhecimento (não Conhecido)
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula N. 7/stj, Súmula N. 182/stj, Princípio Da Dialeticidade (art. 932, III, Cpc/2015), Impugnação Específica De Fundamentos
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Parties
VICK COMÉRCIO DE PLÁSTICOS E METAIS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Conhecimento (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial diante da Súmula n. 7/STJ
- 2 Exigência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida
- 3 Aplicação da Súmula n. 182/STJ e do art. 932, III, do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não rebateu de forma específica e concreta todos os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem, descumprindo o ônus de dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, o que atrai a incidência da Súmula n. 182/STJ e impede o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por VICK COMÉRCIO DE PLÁSTICOS E METAIS LTDA. contra a decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado no Agravo de Instrumento n. 5006700-76.2023.4.03.0000. É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre, pelo fundamento de que (fls. 182-183, e-STJ): a) haveria a necessidade de analisar fatos e provas para a apreciação das teses expostas nas razões do Recurso Especial, incidindo o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ; e b) não estariam identificados os vícios de fundamentação que acarretariam a violação dos arts. 1.022 e 489 do CPC. Todavia, em relação ao óbice da Súmula n. 7/STJ, não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a afirmar o que segue (fls. 551-552, STJ): .. 11. Contudo, Ilmos. Ministros, sem razão a r. decisão hostilizada, na medida em que a discussão aqui travada não implica o revolvimento de matéria fática-probatória, já definida pelo Tribunal local, mas tão somente a busca pela correta aplicação do direito. 12. Assim, a intenção da Agravante se resume apenas à análise da questão de direito relativa aos vícios jurídicos constantes na r. decisão agravada. 13. A questão submetida ao crivo deste E. STJ limita-se a busca pela correta aplicação dos dispositivos legais que foram violados. Tais dispositivos são os artigos 485, incisos IV e VI, § 3º e 803, inciso I, ambos do CPC; artigos 151, inciso VI e 204, ambos do CTN; e, artigo 3º, da Lei nº 6.830/80, devidamente prequestionados no v. acórdão recorrido. 14. Diante disso, é evidente e não há dúvidas de que a Agravante não busca o reexame de fatos e provas, que serão tomados tal como consolidados pelo E. Tribunal "a quo", mas tão somente a análise da questão de direito submetida ao crivo deste E. Tribunal, o que é perfeitamente possível, razão pela qual o r. "decisum" não merece prosperar, ao que deverá ser admitido e processado o Recurso Especial interposto pela Agravante, para que seu mérito seja analisado e julgado. Assim, a parte agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar, de maneira efetiva e concreta, a forma pela qual, independentemente de aprofundado reexame dos elementos probantes, seria exequível examinar as teses recursais, o que configura desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, inciso III, CPC/2015). Limitou-se a tecer argumentos de que sua irresignação teria natureza de direito , se m especificar quais seriam as premissas de fato do decisum recorrido, tampouco deixando claras as razões pelas quais prescinde de revolvimento de sua análise. Evidentemente, esta linha argumentativa não realiza impugnação específica do óbice de admissibilidade do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte local para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ. Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNADO DE FORMA ESPECÍFICA O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4.º, DO CÓD IGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO CABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A parte agravante, no agravo em recurso especial, deixou de impugnar de forma específica, o fundamento da decisão que não admitiu o apelo nobre na origem. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Não deve ser aplicada, na hipótese, a multa prevista no art. 1.021, § 4.º, do Código de Processo Civil, pois, consoante orientação desta Corte Superior, o mero inconformismo com a decisão impugnada não acarreta a necessária imposição da sanção, quando não caracterizada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.362.235/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 21/5/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DO ÓBICE PREVISTO NO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.