AREsp 2017084 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não atacou específica e concretamente todos os fundamentos que embasaram a inadmissão do recurso especial pela Corte a quo, notadamente quanto à incidência da Súmula n. 7 do STJ, descumprindo o dever de dialeticidade previsto no art. 932, III, do...
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- Parties
- Agravante: ONESUBSEA DO BRASIL SERVICOS SUBMARINOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento (inadmissibilidade)
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Admissibilidade Recursal, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Art. 932, III, Cpc/2015
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Parties
ONESUBSEA DO BRASIL SERVICOS SUBMARINOS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 se houve impugnação concreta e específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 aplicabilidade da Súmula n. 7 do STJ ao caso
- 3 caráter unitário da decisão que não admite o recurso especial e a incidência da Súmula n. 182 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não atacou específica e concretamente todos os fundamentos que embasaram a inadmissão do recurso especial pela Corte a quo, notadamente quanto à incidência da Súmula n. 7 do STJ, descumprindo o dever de dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, atraindo a aplicação da Súmula n. 182 do STJ; ademais, a decisão que não admite o recurso especial é unitária e deve ser impugnada em sua integralidade.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ONESUBSEA DO BRASIL SERVICOS SUBMARINOS LTDA contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado em apelação cível. A agravante requereu anulação de Autos de Infração e Imposição de Multa (AIIM) por não recolhimento de ICMS nos anos de 2001 e 2002, tendo obtido sentença de parcial procedência para corrigir a CDA. É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre pelos seguintes fundamentos: inexistência de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, fundamentos do acórdão recorrido baseado em legislação local (Súmula n. 280 do STJ) e necessidade de reexame de fatos e provas (Súmula n. 7 do STJ). Todavia, a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial, não impugnou, de maneira apropriada, a fundamentação atinente à Súmula n. 7 do STJ. Esclareça-se que a parte agravante, no tocante à Súmula n. 7 do STJ, restringiu-se a afirmar, de maneira genérica, que "envolve exclusivamente questão de direito, não havendo que se falar em reexame de fatos e provas", que "as premissas fáticas já foram estabelecidas nos presentes autos, havendo divergência somente quanto à interpretação da legislação federal aplicada ao presente caso", que "os fatos são incontroversos e, (..) estão delineados nas r. decisões proferidas nestes autos, que "a súplica (..) é apenas uma: a subsunção dos incontestes fatos às normas jurídicas consubstanciadas nas legislações federais violadas, que "não entende a necessidade (..) de reexame fático probatório quanto ao decurso do prazo decadencial no caso concreto, que "o que importa (..) é o período autuado e a data em que a Agravante foi notificada do lançamento fiscal, e isso é incontroverso", que "está-se diante de fatos incontroversos, não havendo que se falar em reexame de acervo fático probatório", que "não há qualquer necessidade de reexame das matérias de fato e/ou provas, basta a análise em conjunto das decisões proferidas nesses autos em primeira e segunda instâncias", e que "o pleito para que o Tribunal Superior valore os fatos já delineados pela instância ordinária à luz da legislação em vigor não pode ser confundido com o reexame de prova" (fls. 3784-3787). A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) Destarte, verifica-se que deixou de ser observada a dialeticidade recursal exigida pelo art. 932, inciso III, do CPC/2015. Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Assi m fazendo, não restou esclarecido, à luz das teses veiculadas no apelo nobre, especialmente cotejando a fundamentação do acórdão recorrido, de que forma o exame dessas teses prescindiria da análise de elementos probantes, tal como explicitado na decisão que não admitiu o recurso especial. A propósito: .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte Agravante não se insurge de maneira adequada contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. A propósito, a ementa do mencionado julgado: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.