AREsp 2659923 - DECISAO
O agravo não merece provimento porque a fundamentação recursal é deficiente, não demonstrando de que forma os dispositivos invocados foram contrariados, e porque a matéria relativa ao art. 244 do CPC não foi prequestionada. Ademais, as conclusões do Tribunal de origem assentam-se no exame do conjunto...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: MARCIO FERNANDES DE SOUZA; Agravante/recorrente: JULIANA PEREIRA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 282/stf, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Leilão Extrajudicial, Edital De Leilão, Parcelamento De Arrematação, Nulidade Processual
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Parties
MARCIO FERNANDES DE SOUZA
Agravante/recorrente
JULIANA PEREIRA DA SILVA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 alegada violação dos arts. 244 e 895, §1º, do CPC
- 2 deficiência na fundamentação recursal que impede a compreensão da controvérsia
- 3 falta de prequestionamento da matéria relativa ao art. 244 do CPC
Ratio Decidendi
O agravo não merece provimento porque a fundamentação recursal é deficiente, não demonstrando de que forma os dispositivos invocados foram contrariados, e porque a matéria relativa ao art. 244 do CPC não foi prequestionada. Ademais, as conclusões do Tribunal de origem assentam-se no exame do conjunto fático-probatório dos autos, cuja reanálise é vedada nesta instância pela Súmula 7/STJ, de modo que não se conhece do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo.
- Não conhecer do recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARCIO FERNANDES DE SOUZA e JULIANA PEREIRA DA SILVA contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "Apelação. Execução de título extrajudicial. Extinção pela satisfação da obrigação. Alegação de nulidades no edital do leilão, em que não foram previstos os parâmetros dos lances parcelados. Propostas condicionais que, como previsto nas regras do certame, foram enviadas por meio de correio eletrônico ao leiloeiro. Alegação de inobservância ao art. 15 do Provimento CSM n. 1.625/09. Inconsistência. Recorrente que se calou sobre eventuais nulidades quando intimada. Argumentações genéricas e sem demonstração de efetivo prejuízo. Conduta processual que se caracteriza como "nulidade de algibeira", rechaçada pela jurisprudência. Sentença mantida. Recurso improvido" (e-STJ fl. 1.542). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 1.589/1.593). No recurso especial, os recorrentes alegam violação dos artigos 244 e 895, §1º, do Código de Processo Civil, sob o argumento de que "(..) não basta apenas a simples menção ao parcelamento, mas, sim, todas as condições de fracionamento da arrematação, sob pena de inarredável nulidade processual"(e-STJ fl. 1.568). Aduzem que a ausência de minudente especificação de todas as condições do parcelamento do bem objeto de arrematação enseja a nulidade do procedimento, passível de reconhecimento em qualquer tempo ou grau de jurisdição. Sustentam que o edital de leilão público padecia de vício que prejudicou a livre concorrência, ocasionando-lhes prejuízos, à medida que foram lesados pela arrematação fora dos padrões de legalidade e em condições de desigualdade. Com as contrarrazões, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. De início, a deficiência na fundamentação recursal ficou evidenciada, visto que a parte recorrente, apesar de indicar os arts. 244 e 895, §1º, do CPC como malferidos, não especificou de que forma eles teriam sido contrariados pelo acórdão recorrido, inviabilizando a compreensão da controvérsia posta nos autos. Destaca-se que os recorrentes sequer apontaram em que consistiu o alegado vício do edital de leilão público, tampouco quais condições do parcelamento não foram adequadamente especificadas. Assim, incide, por analogia, a Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. INICIAL. ANÁLISE. SÚMULA Nº 83/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, as condições da ação, aí incluída a legitimidade, devem ser aferidas com base na teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Súmula nº 83/STJ. 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento. 5. Na hipótese, apesar de apontar o malferimento à legislação federal, o apelo extremo foi incapaz de evidenciar as ofensas aos dispositivos legais invocados. Nesse contexto, a fundamentação recursal é absolutamente deficiente, o que atrai a incidência dos óbices contidos nas Súmulas nºs 283 e 284/STF. 6. A Segunda Seção decidiu que a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. Precedente. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.818.651/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - grifou-se) No que se refere à ofensa ao art. 244 do CPC, verifica-se que a matéria nele versada não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias, sequer de modo implícito, e não foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de sanar omissão porventura existente. Por esse motivo, ausente o requisito do prequestionamento, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". A propósito: EDcl no REsp 1.789.134/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 30/11/2020, DJe de 3/12/2020; AgInt no AREsp 1.097.857/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 10/11/2017. Além disso, as conclusões do tribunal de origem acerca do mérito da demanda decorreram inquestionavelmente da análise do conjunto fático-probatório carreado aos autos, o que se pode aferir a partir da leitura dos fundamentos do julgado atacado, que ora se colaciona, na parte que interessa: "Objetivamente, o edital do leilão a fls. 1.291/1.293 previu a possibilidade, em consonância com a lei processual, de aquisição por meio de pagamento parcelado, cujas propostas deveriam obedecer o art. 895, §§ 6ª e 7º, do CPC e seriam feitas por meio de mensagem eletrônica por e-mail ao leiloeiro, para posterior apreciação pelo Juízo em caso de inexistência de lance à vista. Devidamente intimada a respeito, a parte apelante não se manifestou (fls. 1.296). Ademais, novamente intimada, agora para se manifestar sobre as propostas de arrematação condicional, outra vez ficou em silêncio (fls. 1.374 e 1.376). Vale lembrar que a proposta feita diretamente nos autos (fls. 1.369/1.371), complementada a fls. 1.404/1.405, além de não ter seguido o edital, foi rejeitada pela sua intempestividade (fls. 1.433/1.434). Com efeito, o que se tem é mera argumentação genérica da parte apelante, sem demonstração de qualquer prejuízo em concreto, sobretudo eventual descumprimento do que previsto no art. 895, §1º, do CPC, o que de fato não se constata (fls. 1.358, proposta 1, R$ 201.000,00 com entrada de 35% e restante em 30 parcelas) Além disso, não há falar em descumprimento ao art. 15 do Provimento CSM 1.625/09, pois venceu o lance de condição mais vantajosa (fls. 1.358, R$ 201.000,00 com entrada de 35% e saldo remanescente em 30 parcelas), nos termos do art. 895, §8º, inc. I do CPC, privilegiando- se a efetividade do processo e, mais uma vez, não se verificou prejuízo algum, afinal, a diferença das propostas válidas era superior a trinta mil reais, não sendo possível cogitar que haveria alguma concorrência. Observa-se também que ao formular as propostas parceladas, o leiloeiro disponibilizou contato direto para sanar quaisquer dúvidas por meio até mesmo de whatsapp (fls. 1.363 e 1.367, 11-95595-8912) sendo crível a possibilidade de consulta sobre lances parcelados e nada obstando a realização de novo lanço condicional, desde que dentro do período previsto para a realização do certame" (e-STJ fls. 1.543/1.544). Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. A propósito: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE COISA IMÓVEL. LEI Nº 9.514/97. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. ADMISSIBILIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS NO CASO CONCRETO. REEXAME DE PROVAS. DESCABIMENTO. SÚMULA N.º 7 DO STJ. LEILÃO EXTRAJUDICIAL. CIÊNCIA PRÉVIA DA DEVEDORA FIDUCIANTE. QUESTÃO ANALISADA A PARTIR DO EXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. SÚMULA N.º 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, ocorrendo o devido enfrentamento da matéria, como no caso, admite-se a utilização da técnica da fundamentação per relationem, não havendo que se falar em ofensa ao art. 489 do CPC. 2. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido de averiguar a presença, ou não, dos requisitos autorizadores da inversão do ônus da prova, daria ensejo ao reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado nesta instância especial, ante o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 3. No contrato de alienação fiduciária em garantia, em regra, é imprescindível a intimação pessoal do devedor acerca da data da realização do leilão extrajudicial, tanto na vigência do Decreto-Lei n.º 70/66, quanto na vigência da Lei n.º 9.514/97. 4. Sem embargo, "não se decreta a nulidade do leilão, por ausência de intimação pessoal, se ficar demonstrada a ciência inequívoca do agravante" (AgInt no AgInt no AREsp n.º 1.463.916/SP, relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado aos 3/12/2019, DJe de 9/12/2019). 5. Rever a conclusão do Tribunal estadual, no sentido de que a devedora teve ciência prévia da realização do leilão, exigiria nova incursão no acervo fático-probatório da causa, o que não se admite em âmbito de recurso especial, ante o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 6. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp n. 2.573.041/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 25/9/2024) "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DE SÚMULA. DESCABIMENTO. SÚMULA N. 518 DO STJ. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. VALIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. ATA NOTARIAL. FALTA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA. SÚMULA N. 284 DO STF. LEILÃO EXTRAJUDICIAL DE IMÓVEL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. ARREMATAÇÃO. DÉBITOS. RESPONSABILIDADE DO ARREMATANTE RECONHECIDA. INFORMAÇÃO NO EDITAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. ACÓRDÃO IMPUGNADO DE ACORDO COM O ENTENDIMENTO DESTE TRIBUNAL SUPERIOR. SÚMULA N. 83 DO STJ. INCURSÃO NO CAMPO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme sedimentado na jurisprudência desta Corte, não se admite a análise de matéria constitucional em recurso especial, sob pena de usurpação de competência do STF. 2. É incabível recurso especial fundado em alegação de afronta a súmula, por não se enquadrar no conceito de lei federal, segundo estabelecido na Súmula n. 518 do STJ. 3. Inexiste afronta aos arts. 11, 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a Corte local pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 4. Inadmissível o recurso especial quando o entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ). 5. É firme a orientação do STJ de que a impertinência temática do dispositivo legal apontado como ofendido resulta na deficiência das razões do recurso especial, fazendo incidir a Súmula n. 284 do STF. 6. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 7. O conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional exige a demonstração da divergência, mediante o cotejo analítico do acórdão recorrido e dos arestos paradigmas, de modo a se verificarem as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados (arts. 255, § 1º, do RISTJ e 1.029, § 1º, do CPC/2015), ônus do qual a parte recorrente não se desincumbiu. 8. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.088.200/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 30/8/2024) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, tendo em vista que não foram arbitrados na origem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA