AREsp 2543180 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se a decisão do Tribunal de origem por entender que o acórdão recorrido fundamentou adequadamente a conclusão de que a autora não comprovou o desemprego involuntário exigido para o pagamento da indenização securitária; ademais, o recurso especial foi considerado deficiente...
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- Parties
- Agravante/recorrente: DEBORA FERREIRA SOARES; Recorrida: Bradesco
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo em parte; nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmulas 282/283/284/stf, Honorários Sucumbenciais, Seguro Prestamista, Indenização Por Desemprego Involuntário, Ônus Da Prova
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Parties
DEBORA FERREIRA SOARES
Agravante/recorrente
Bradesco
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 alegada omissão do acórdão quanto ao art. 1.022 do CPC
- 2 necessidade de prequestionamento para recurso especial (súmula 282/STF)
- 3 deficiência de fundamentação do recurso especial (súmulas 283 e 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se a decisão do Tribunal de origem por entender que o acórdão recorrido fundamentou adequadamente a conclusão de que a autora não comprovou o desemprego involuntário exigido para o pagamento da indenização securitária; ademais, o recurso especial foi considerado deficiente quanto à demonstração das supostas violações de dispositivos legais e houve ausência de prequestionamento, e eventual reforma demandaria reexame de provas vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo em parte; nego provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Majorar os honorários sucumbenciais de 12% para 15% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DEBORA FERREIRA SOARES contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro assim ementado: "CONSUMIDOR. SEGURO PRESTAMISTA. QUITAÇÃO DE FINANCIAMENTO POR DESEMPREGO. NEGATIVA DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA NA VIA ADMINSTRATIVA. Sentença de improcedência. Apelo autoral. Autora que comprova a contratação de seguro, porém, não junta os documentos necessários para verificação de cumprimento da exigência para recebimento da indenização securitária. RECURSO DESPROVIDO" (e-STJ fl. 311). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 345/352). No recurso especial, a recorrente alega violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 1.022 do Código de Processo Civil, sustentando que o "acórdão não esclareceu a contradição apontada nos Embargos de Declaração, não ocorrendo a devida prestação jurisdicional" e que "não se pronunciou acerca da contradição relativa ao nexo causal, obrigação de fazer (indenizar) tendo em vista que cabalmente demostrado ser a Recorrente segurada da Recorrida" (e-STJ fl. 358); e (ii) arts. 186, 884 e 944 do Código Civil, 3º, § 2º, 4º, 6º, 12, II, 47 e 51, IV, do Código de Defesa do Consumidor, aduzindo que a negativa de pagamento da indenização se deu sob o argumento de que "o contrato realizado pela recorrente não virou seguro" (e-STJ fl. 362). Afirma que a lide não trata da apresentação, ou não, de documentação para registro do sinistro, fato esse nunca alegado pela recorrida. Ao contrário, a controvérsia reside no cumprimento de obrigação contratual decorrente de contrato de seguro válido. Assevera que o Tribunal estadual inova ao afirmar que o pagamento do sinistro não ocorreu por falta de comprovante de dispensa imotivada. Narra que "(..) ficou desempregada em 25/12/2019, apresentando toda a documentação comprobatória do desemprego involuntário, que a negativa de pagamento via administrativa se deu por alegação da Recorrida em que a Recorrente não é segurada, pois o contrato feito não virou contrato de seguro, muito embora ter a Recorrente pago as prestações. Assim, a demanda é norteada a fim de que seja reconhecido o contrato de seguro entre as partes e assim seja pago o sinistro" (e-STJ fl. 366). Sem as contrarrazões, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. Em relação ao art. 1.022 do CPC, a recorrente afirma o seguinte: "Como amplamente demonstrado, o acórdão não esclareceu a contradição apontada nos Embargos de Declaração, não ocorrendo a devida prestação jurisdicional, negando-se vigência, dessa forma, ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil. Face à omissão do acórdão, que não se pronunciou acerca da contradição relativa ao nexo causal, obrigação de fazer (indenizar) tendo em vista que cabalmente demostrado ser a Recorrente segurada da Recorrida Bradesco que negou pagamento do seguro sob o pretexto de não ser a Recorrente segurada e que o contrato por ela assinado e pago, "não virou contrato com seguro" acabou por favorecer equivocadamente as Recorridas em não indenizar em não cumprir com a obrigação contratual" (e-STJ fl. 358). Entretanto, colhe-se do aresto recorrido que "Nestes autos então, a questão não gira sobre haver ou não a contratação. Isso é inequívoco. A questão é que a autora não prova seu desemprego involuntário, para que tenha direito ao recebimento da indenização" (e-STJ fl. 319). Verifica-se, portanto, que o Tribunal de origem motivou adequadamente a sua decisão, com fundamento diverso e suficiente , solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Como se sabe, cabe ao julgador apreciar os fatos e as provas da demanda segundo seu livre convencimento, declarando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos que o levaram a solucionar a lide. Desse modo, o não acolhimento das teses ventiladas pela parte recorrente não significa negativa de prestação jurisdicional, ainda mais quando o aresto aborda todos os pontos relevantes da controvérsia, como na espécie. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. (..)" (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) De resto, a deficiência na fundamentação recursal ficou evidenciada, visto que a parte recorrente, apesar de indicar os arts. 186, 884 e 944 do CC e 3º, § 2º, 4º, 6º, 12, II, 47 e 51, IV, do CDC, como malferidos, não especificou de que forma cada um deles teria sido contrariado pelo acórdão recorrido, inviabilizando a compreensão da controvérsia posta nos autos. Assim, incide, por analogia, a Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. INICIAL. ANÁLISE. SÚMULA Nº 83/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, as condições da ação, aí incluída a legitimidade, devem ser aferidas com base na teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Súmula nº 83/STJ. 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento. 5. Na hipótese, apesar de apontar o malferimento à legislação federal, o apelo extremo foi incapaz de evidenciar as ofensas aos dispositivos legais invocados. Nesse contexto, a fundamentação recursal é absolutamente deficiente, o que atrai a incidência dos óbices contidos nas Súmulas nºs 283 e 284/STF. 6. A Segunda Seção decidiu que a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. Precedente. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.818.651/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - grifou-se) Além disso, as matérias versadas nos dispositivos apontados como violados no recurso especial não foram objeto de debate pelas instâncias ordinárias, sequer de modo implícito, e nem foram suscitadas nos embargos declaratórios opostos na origem. Por esse motivo, ausente o requisito do prequestionamento, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". A propósito: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO COMO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 26 E 29 DA LEI 10.931 E 789 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ATRAÇÃO DO ENUNCIADO 282/STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS COMO AGRAVO INTERNO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO." (EDcl no REsp 1.789.134/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 30/11/2020, DJe de 3/12/2020 - grifou-se) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. ALCANCE DAS PARCELAS VENCIDAS ANTERIORMENTE AO QUINQUÊNIO QUE PRECEDE O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. 1. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 2. O acórdão recorrido que adota a orientação firmada pela jurisprudência do STJ não merece reforma. 3. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.097.857/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 10/11/2017 - grifou-se) Ainda que assim não fosse, rever o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias demandaria o reexame dos fatos e das provas dos autos, o que é inviável no recurso especial pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 12% (doze por cento) sobre o valor da causa, os quais devem ser majorados para o patamar de 15% (quinze por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA