AREsp 2170601 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO deixou de atacar de forma específica e concreta todos os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem, limitando-se a alegações genéricas de natureza jurídica; assim, incide a Súmula 182 do STJ e falta o...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO; Autor: empresa contribuinte
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Impugnação Concreta Dos Fundamentos, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Dialeticidade Recursal, ISS Tributação (fato Subjacente)
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Parties
MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Agravante
empresa contribuinte
Autor
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica e concreta dos fundamentos da decisão de inadmissão
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 vedação ao reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO deixou de atacar de forma específica e concreta todos os fundamentos da decisão de inadmissão proferida pelo Tribunal de origem, limitando-se a alegações genéricas de natureza jurídica; assim, incide a Súmula 182 do STJ e falta o pressuposto de admissibilidade decorrente da impugnação adequada previsto no art. 932, III, do CPC/2015, sendo inviável conhecer do agravo em sua integralidade dado o caráter indivisível do dispositivo da decisão de inadmissão.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO que inadmitiu recurso especial dirigido contra acórdão prolatado em apelação cível. A empresa contribuinte ajuizou ação anulatória insurgindo-se contra a cobrança referente a ISS em atividade de consignação de veículos e requerendo a anulação do auto de infração. Após sentença de parcial procedência em relação ao recálculo do débito fiscal dos últimos cinco anos, o acórdão negou provimento ao recurso do contribuinte. É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte de origem inadmitiu o recurso da municipalidade pelos seguintes fundamentos: ausência de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, harmonia do acórdão hostilizado com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça (Súmula n. 83 do STJ), e necessidade de revolvimento do conjunto fático e probatório do processo (Súmula n. 7 do STJ). Todavia, nas razões do agravo de recurso especial, não impugnou de forma apropriada a fundamentação atinente à incidência da Súmula n. 7 do STJ. Esclareça-se que o município agravante, no tocante à Súmula n. 7 do STJ, restringiu-se a afirmar, de maneira genérica, que "o i. Desembargador-relator .. fundamentou seu voto no sentido de que o débito fiscal deva ser recalculado, de modo que sobre ele só incidam juros legais de mora pelo prazo limite de 05 (cinco) anos, .. permanecendo .. suspensa a sua exigibilidade até que o Município apresente o novo valor devido .. os quais demonstraram a existência de vícios de contradição e omissão no julgado", que "tais circunstâncias consistem em premissas fixadas no v. acórdão recorrido e .. trata-se .. de apurar qual a consequência jurídica correta que se lhes deve atribuir", que é "questão meramente de direito" e que "todas as referidas alegações são verificadas de plano, sem a necessidade de incursão em matéria fática, sendo as mesmas matérias exclusivamente de direito" (fls. 648-650). Assim fazendo, não ficou esclarecido, à luz das teses veiculadas no apelo nobre, especialmente cotejando a fundamentação do acórdão recorrido, de que forma o exame dessas teses prescindiria da análise de elementos probantes, tal como explicitado na decisão que não admitiu o recurso especial. Neste sentido: .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Destarte, verifica-se que deixou de ser observada a dialeticidade recursal exigida pelo art. 932, inciso III, do CPC/2015. Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Também nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte Agravante não se insurge de maneira adequada contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. Em tempo, a ementa do mencionado julgado: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.