AREsp 2347247 - DECISAO
O agravo foi inadmitido porque a decisão agravada tinha conteúdo híbrido e a parte não interpôs agravo interno na parte em que houve negativa de seguimento, provocando preclusão; ademais, o agravo dirigido a esta Corte era inadmissível por ausência de impugnação de um dos fundamentos da decisão de inadmissão (Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: Lucas Luiz Bergoncini; Custos Legis/manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade (inadmissão Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Agravo Interno, Preclusão, Prescrição, Súmulas 284/stf E 7/stj, Decisão Mista (conteúdo Híbrido), Repercussão Geral/temas Repetitivos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Lucas Luiz Bergoncini
Agravante/recorrente
Ministério Público Federal
Custos Legis/manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade (inadmissão Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do agravo por ausência de impugnação de um dos fundamentos da decisão de inadmissão (Súmula 284/STF)
- 2 incidência do princípio da preclusão pela não interposição de agravo interno contra tópico que negou seguimento
- 3 impossibilidade de reexame do conjunto probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo foi inadmitido porque a decisão agravada tinha conteúdo híbrido e a parte não interpôs agravo interno na parte em que houve negativa de seguimento, provocando preclusão; ademais, o agravo dirigido a esta Corte era inadmissível por ausência de impugnação de um dos fundamentos da decisão de inadmissão (Súmula 284/STF), e não há ilegalidade na fundamentação do acórdão quanto à prescrição, sendo vedado ao STJ reexaminar matéria fática ou o conjunto probatório (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ).
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial (com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal) apresentado contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (Apelação Criminal n. 0040428-78.2011.8.26.0506) que manteve a condenação de Lucas Luiz Bergoncini, alterando a tipificação da conduta para aquela prevista no art. 171 do Código Penal e reduzindo a pena aplicada. Nas razões do recurso especial, a defesa do agravante suscitou negativa de vigência dos arts. 59 do Código Penal e 61 do Código de Processo Penal (fls. 388/394). A Corte de origem negou seguimento a um dos tópicos do recurso especial, com base no Tema 129/STF (na forma do art. 1.030, I, b, do CPC), e, no mais, inadmitiu recurso com fundamento nas Súmulas 284/STF e 7/STJ (fls. 415/417). Contra o decisum a defesa interpôs o presente agravo (fls. 419/427). Instado a se manifestar na condição de custos legis, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento e, caso conhecido, pelo desprovimento do recurso. (fls. 451/456). É o relatório. O agravo é inadmissível. A decisão agravada ostenta conteúdo híbrido, de modo que, no tópico em que foi negado seguimento ao recurso, seria adequada a interposição de agravo interno no Tribunal a quo, o que não ocorreu no caso, circunstância que atrai a incidência do princípio da preclusão, especificamente na parte em que se verificou a negativa de seguimento. Nesse sentido, confiram-se: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. TEMA 895/STF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, E DA AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 660/STF. DECISÃO MISTA. PARCIAL NEGATIVA DE SEGUIMENTO E INADMISSÃO DO APELO EXTREMO. AGRAVO INTERNO E AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INTERPOSIÇÃO SIMULTÂNEA. UNIRRECORRIBILIDADE. EXCEÇÃO. RECLAMO CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. A alegada violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição, por implicar ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional e não possui repercussão geral (Tema 895/STF). 2. A suposta afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, se dependente da análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional, não tendo repercussão geral (Tema 660/STF). 3. A decisão de natureza híbrida, que em parte nega seguimento e em parte inadmite o recurso extraordinário, enseja a interposição simultânea de agravo interno e de agravo em recurso extraordinário. Exceção ao princípio da unirrecorribilidade que se agasalha na interpretação dos §§ 1º e 2º do art. 1.030 do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido (AgInt no RE nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.866.098/PR, Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 25/3/2022 - grifo nosso). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO HÍBRIDA. APLICAÇÃO DO ART. 1.030, I, "b", DO CPC/2015. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL DE ORIGEM. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 284/STF. VIOLAÇÃO À NORMA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO STJ EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. PLEITO DE REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEBATE DA MATÉRIA. SÚMULAS 282/STF e 211/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos do enunciado 77 da I Jornada de Direito Processual Civil, para impugnar decisão que obsta trânsito a recurso excepcional e que contenha simultaneamente fundamento relacionado à sistemática dos recurso s repetitivos ou da repercussão geral (art. 1.030, I, do CPC) e fundamento relacionado à análise dos pressupostos de admissibilidade recursais (art. 1.030, V, do CPC), a parte sucumbente deve interpor, simultaneamente, agravo interno (art. 1.021 do CPC) caso queira impugnar a parte relativa aos recursos repetitivos ou repercussão geral e agravo em recurso especial/extraordinário (art. 1.042 do CPC) caso queira impugnar a parte relativa aos fundamentos de inadmissão por ausência dos pressupostos recursais. 2. De acordo com o art. 1.030, I, "b", §2º, do CPC/2015, cabe agravo interno contra a decisão que nega seguimento a recurso especial interposto contra acórdão em conformidade com tese firmada em sede de recurso repetitivo. A interposição de agravo em recurso especial constitui falha inescusável que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. 3. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação do artigo 1.022 do CPC quando, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. 4. Não compete ao STJ analisar, em sede de especial, alegação de contrariedade a norma constitucional, nos termos do art. 105, III, "a", da CF. 5. Rever os fundamentos que ensejaram o entendimento acerca da suficiência de provas e da não ocorrência de cerceamento de defesa exigiria reapreciação do conjunto probatório, o que é vedado em recurso especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 6. A Corte estadual concluiu que não ficou comprovada a realização dos alegados pagamentos parciais e amortizações, ao passo que a alteração de tais premissas esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 7. De acordo com o princípio da dialeticidade, as razões recursais devem impugnar, com transparência e objetividade, os fundamentos suficientes para manter íntegro o decisum recorrido. Deficiente a fundamentação, incidem as Súmulas 182/STJ e 284/STF. (AgRg no Ag 1056913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2008, DJe 26/11/2008). 8. A matéria referente aos arts. 805 e 884 do CC não foi objeto de discussão no acórdão recorrido, apesar da oposição de embargos de declaração, não se configurando o prequestionamento, o que impossibilita a sua apreciação na via especial (Súmulas 282/STF e 211/STJ). 9. Esta Corte admite o prequestionamento implícito dos artigos tidos por violados, mas desde que a tese debatida no apelo nobre seja expressamente discutida no Tribunal de origem. (AgRg no AREsp 748.582/RS, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 13/05/2016) g.n. 10. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.920.307/PR, Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 15/12/2021 - grifo nosso). Quanto ao tópico em que se verificou a inadmissão do recurso especial, afigura-se adequada a interposição de agravo dirigido a esta Corte (art. 1.030, § 1º, c/c o art. 1.042, ambos do CPC), sendo o reclamo, no entanto, inadmissível no caso, ante a ausência de impugnação de um dos fundamentos da decisão de inadmissão: Súmula 284/STF. Logo, o agravo é inadmissível. Acresço, ainda, que, embora a prescrição alegada consubstancie matéria de ordem pública, não se verifica ilegalidade na fundamentação expendida no acórdão exarado no julgamento dos embargos de declaração, que bem solucionou essa controvérsia (fls. 384/385): .. Os fatos se deram no dia 09 de novembro de 2.010, com recebimento da inicial acusatória em27 de abril de 2.012 (fls. 75). E, diante da tentativa infrutífera de citação pessoal do réu e de sua inércia após a citação editalícia, determinou-se a suspensão do curso do processo e do prazo prescricional, nos termos do artigo 366, da legislação processual penal, o que se deu em 13 de setembro de 2.012 (fls.93). Com a citação pessoal de Lucas em 08 de dezembro de 2.016, o curso do feito foi retomado nesta data (fls. 156 e 159). Encerrada a instrução processual, prolatou-se o édito condenatório, que foi publicado em 15 de agosto de 2.019 (fls. 292). Isto considerado, não se ultrapassou o lapso de 04 anos - prazo prescricional previsto para a pena ora imposta ao réu, de 01 ano e 02 meses, com fulcro no artigo 109, inciso V, do estatuto repressivo -, entre os marcos interruptivos do recebimento da denúncia e publicação da sentença(cerca de 07 anos e 04 meses), considerando-se o tempo em que o processo teve o andamento suspenso(aproximadamente 04 anos e 03 meses).Dessa forma, não verificadas as alegadas contradição, obscuridade ou omissão, exercida a atividade jurisdicional pelo C. Colegiado, é certo que a modificação do julgado não se há de alcançar pela via dos embargos de declaração, cuja finalidade é esclarecer dúvidas ou contradições no julgado. .. Em face do exposto, não conheço do agravo (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ). Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE OSTENTA CONTEÚDO HÍBRIDO. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TÓPICO EM QUE FOI NEGADO SEGUIMENTO AO RECURSO. PRECLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO (ART. 1.042 DO CPC) CONTRA O TÓPICO EM QUE O RECLAMO FOI INADMITIDO. ADEQUAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO SUFICIENTE DE UM DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO. INADMISSIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL (ART. 932, III, DO CPC). PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE. Agravo não conhecido.