AREsp 2740976 - DECISAO
Não conheço do agravo em recurso especial porque a agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial; além disso, as alegações implicariam reexame de fatos e provas vedado ao recurso especial (Súmula 7/STJ) e não se demonstrou dissenso com a...
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- Parties
- Agravante: ELIENI DE ARAUJO DA CONCEIÇÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão) Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido (não provido).
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Reexame De Fatos E Provas (súmula 7/stj), Consonância Com Jurisprudência Do STJ (súmula 83/stj), Falta De Impugnação Específica (súmula 182/stj), Regime Prisional E Fundamentação Idônea
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Parties
ELIENI DE ARAUJO DA CONCEIÇÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão) Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por implicar reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ)
- 2 necessidade de demonstrar dissenso com jurisprudência do STJ para afastar a Súmula 83
- 3 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo em recurso especial porque a agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial; além disso, as alegações implicariam reexame de fatos e provas vedado ao recurso especial (Súmula 7/STJ) e não se demonstrou dissenso com a jurisprudência do STJ que embasou a decisão de inadmissão (Súmula 83/STJ), aplicando-se, por fim, a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido (não provido).
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ELIENI DE ARAUJO DA CONCEIÇÃO contra decisão do Tribunal de origem que, no exame prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial pelos seguintes fundamentos (fls. 857-858): O apelo especial não reúne condições de prosseguir quanto à indicada ofensa ao artigo 386 do CPP. Isso porque, segundo remansoso entendimento da Corte Superior, "a pretensão ao reexame do mérito da condenação proferida pelo Tribunal a quo, relativa ao crime em tela, ao argumento de ausência de suporte fático-probatório, nos termos expostos no recurso especial, não encontra amparo na via eleita. É que, para acolher-se a pretensão de absolvição, seria necessário o reexame aprofundado do conjunto fático-probatório, providência esta incabível na via estreita do recurso especial." (AgRg no REsp n. 1.898.364/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 23/3/2023). Outrossim, "Para acolher-se a pretensão de absolvição seria necessário o reexame aprofundado conjunto fático-probatório, providência esta incabível na via estreita do recurso especial." (REsp n. do 1.945.740/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 6/10/2023). Melhor sorte não socorre o apelo especial em relação ao suposto malferimento ao artigo 33 do Código Penal, porque o entendimento sufragado pela turma julgadora se encontra em fina sintonia com a iterativa jurisprudência da Corte Superior: "não obstante as circunstâncias judiciais terem sido consideradas favoráveis, mostra-se adequada a fixação de regime inicial mais gravoso, diante da reincidência do agravante, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal." (AgRg no REsp n. 2.011.544/PR, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024). Assim, "Inadmissível o recurso especial quando o entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ)." (AgInt no AREsp n. 2.364.134/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023). Nas razões do presente agravo em recurso especial, argumenta a defesa que o recurso especial deveria ter sido admitido (fls. 874-878): .. não se busca um reexame das provas, mas sim, uma nova valoração das provas já especificadas e delineadas na decisão recorrida. .. O que se busca aqui é sanar uma inarredável falha do Tribunal de piso, do ensejo do acórdão guerreado, quando, equivocadamente, dera ao âmago das provas debatidas, uma qualificação jurídica desacertada. Desse modo, os fatos e provas em espécie, a seguir explicitados, verdadeiramente ocorreram, nos moldes do que constam da decisão hostilizada. Nesse compasso, o acórdão vergastado revela incorreção quando laborou na subsunção dos fatos à norma aplicada. Com efeito, nessas circunstâncias, emerge inescusável necessidade de revaloração do fato comprovado. Por esse ângulo, por ter-se, na hipótese, o desígnio único relativo à incorreta qualificação jurídica dos fatos, trata-se, por isso, de examinar-se matéria de direito. Sendo assim, afastada a aplicação da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, por se tratar de revaloração jurídica dos fatos. .. Não há incidência da Súmula 7/STJ, quando se busca uma revaloração jurídica, tendo em vista que a condenação se deu com base exclusiva do depoimento dos policiais, sem levar em consideração a contradição dos depoimentos suscitados e, principalmente, pelo fato de que as próprias vítimas NEGAM o envolvimento da Ré nas condutas delitivas, pois nem a viram. Por isso, há dúvida plausível nos elementos probatórios nos autos, de modo que invocamos o princípio "in dubio pro reo", lastreado de dúvidas, não há alternativa a não ser a absolvição da Recorrente. Trata-se de notória inobservância à vigência da Lei federal, por violação do art. 386, V e VII do Código de Processo Penal. .. No caso em apreço, é necessária a superação da Súmula 83 do STJ. Como depreende-se dos autos, não há razões para que a Recorrente cumpra a pena em regime mais gravoso, qual seja, o regime fechado. Desta forma, o Agravante colacionou precedentes contemporâneos aplicados ao caso, para comprovar o entendimento deste Colendo STJ. Contudo, o juízo ad quem mantem a tese de que por ser a ré reincidente, revelam seu grau de periculosidade, impõe-se a manutenção do regime fechado. Todavia, é imperioso mencionar que a reincidência, per si, não implica AUTOMATICAMENTE a imposição do regime mais gravoso, devendo, pois, ser devidamente justificado. Ainda assim tanto o juízo a quanto o ad quem consideraram a reincidência e impôs automaticamente, sem, contudo, fundamentar sua decisão concretamente, data vênia, não passa de uma fundamentação genérica. Nesse sentido, é o entendimento deste C. Superior Tribunal de Justiça que a imposição de regime de cumprimento de pena mais severo exige motivação idônea: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO. REGIME FECHADO. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. REINCIDÊNCIA E GRAVIDADE CONCRETA DO DELITO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. De acordo com a Súmula 440/STJ, "fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito". De igual modo, as Súmulas 718 e 719 do STF, prelecionam, respectivamente, que "a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada" e "a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea". 2. Na hipótese, apesar de a pena-base do agravante ter sido imposta no piso legal, o estabelecimento de regime mais severo do que o indicado pelo quantum da reprimenda baseou-se na reincidência do réu e na gravidade concreta do delito, e não abstrata, como referido pela defesa, evidenciada pelo seu modus operandi, tudo a exigir resposta estatal superior, dada a maior reprovabilidade da conduta, em atendimento ao princípio da individualização da pena. 3. No caso, o roubo foi perpetrado mediante invasão da residência da vítima, idosa, a qual foi ameaçada pelo recorrente com uma arma branca (faca), e ele a obrigou a permanecer trancada em um dos cômodos da casa. 4. A aplicação de pena no patamar mínimo previsto no preceito secundário na primeira fase da dosimetria não conduz, obrigatoriamente, à fixação do regime indicado pela quantidade de sanção corporal, sendo lícito ao julgador impor regime mais rigoroso do que o indicado pela regra geral do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, desde que mediante fundamentação idônea, como na hipótese. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.388.878/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 7/11/2023, DJe de 13/11/2023.) Requer o provimento do recurso, com a consequente repercussão jurídica. Impugnação apresentada. Parecer do M inistério Público Federal opinando pelo não provimento do agravo em recurso especial, nos termos da seguinte ementa (fl. 917): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. ABSOLVIÇÃO. REGIME. REEXAME DE FATOS E PROVAS. 1. Sendo apelo de natureza extraordinária, submetido também a pressupostos intrínsecos ou específicos de admissibilidade, o recurso especial não se presta ao reexame de fatos e provas, aspecto em torno do qual as instâncias ordinárias são soberanas. 2. Assim, inadmissível o apelo especial em que o recorrente, sob pecha de violação a dispositivo de lei federal, insiste que o Tribunal a quo se equivocou ao deixar de absolvê-lo por insuficiência de provas. Súmula nº 7/STJ. 3. O regime inicial fechado afigura-se necessário, na espécie, para a prevenção e reprovação do delito, notadamente em razão do modus operandi empregado durante a empreitada criminosa. Súmula nº 83/STJ. 4. Parecer pelo não provimento do agravo em recurso especial. É o relatório. Como relatado, o recurso especial foi inadmitido por aplicação dos seguintes fundamentos: (i) análise que exigiria o reexame de fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7 do STJ e (ii) contrariedade das razões do recurso ao sentido da pacífica jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ). Porém, as razões do agravo em recurso especial não enfrentam, de modo suficiente, todos os fundamentos referidos, não bastando para tanto que a parte recorrente mencione cada um deles, pois, para atendimento do princípio da dialeticidade, devem ser demonstradas, de modo específico e concreto, quais seriam as razões pelas quais a decisão recorrida deveria ser reformada. Vale esclarecer que, quanto ao impedimento decorrente da aplicação da Súmula n. 83 do STJ, "é necessário que a parte comprove que o entendimento desta Corte Superior destoa da conclusão a que chegou o Tribunal de origem ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes mediante distinguishing, o que não ocorreu na hipótese" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.278.302/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/9/2023, DJe de 3/10/2023). Como se constata, a efetiva impugnação dos fundamentos que levaram o Tribunal de origem a inadmitir o recurso especial exigia o expresso e efetivo enfrentamento de cada um dos respectivos fundamentos, sem o que não se pode cogitar do desacerto da decisão agravada, conforme relatado. No caso, a parte agravante não comprovou que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça destoa da conclusão alcançada pelo acórdão recorrido, pois não trouxe precedentes divergentes do utilizado na decisão que inadmitiu o recurso especial. Aplica-se, em consequência, a conclusão prevista na Súmula n. 182 do STJ, que estabelece ser "inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". A propósito: AgRg no AREsp n. 2.706.517/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 23/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.564.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.126.667/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 18/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.262.869/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 25/6/2024. Por fim, registro que, n os termos do art. 932, III, do CPC, incumbe monocraticamente ao relator "não conhecer de recurso .. que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida", hipótese amparada também pelo art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO SUFICIENTE. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.