AREsp 2725800 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, incidindo a vedação prevista nos arts. 932, III, do CPC e 253, p. ú., I, do RISTJ e o enunciado 182 da Súmula do STJ; a decisão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV; Agravada: Elaine Celina de Lima
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Prescrição, Princípio Da Dialeticidade, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV
Agravante
Elaine Celina de Lima
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 aplicação da Súmula 182/STJ e dos arts. 932, III, do CPC e 253, p. ú., I, do RISTJ
- 3 impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório no recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, incidindo a vedação prevista nos arts. 932, III, do CPC e 253, p. ú., I, do RISTJ e o enunciado 182 da Súmula do STJ; a decisão também ressaltou a impossibilidade de reexame do substrato fático-probatório na seara do recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte agravante no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites legais.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por SÃO PAULO PREVIDÊNCIA - SPPREV, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado na alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 543): AÇÃO DE COBRANÇA - Pensão por morte recebida indevidamente - Pensionista que manteve união estável - Situação apurada e comprovada - Declarações assinadas pela ré que afastam alegação de boa-fé - Devolução determinada, respeitada a prescrição quinquenal - Recurso provido em parte. Opostos embargos declaratórios pela recorrida Elaine Celina de Lima, foram estes rejeitados, em aresto assim sumariado (fls. 570): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Omissão, erro material e contradição - Não reconhecimento - Ausência dos requisitos do art. 1.022 do CPC - Embargos conhecidos e rejeitados. Em seu recurso especial de fls. 355-363, sustenta a recorrente violação aos artigos 189 do Código Civil e 1º do Decreto 20.910/1932, ao argumento de que "não há que se falar em prescrição da cobrança dos valores de pensão percebidos indevidamente no quinquênio anterior à propositura da ação, tendo em vista o princípio da actio nata e a data da efetiva constatação das causas de ilegalidade do benefício em processo administrativo" (fl. 582). Pontua que "a ciência inequívoca da necessária cassação do benefício da requerida se deu através de Parecer CJ/SPPREV n. 471/2019, exarado em 12 de setembro de 2019 - fls. 268 dos autos judiciais, razão pela qual somente em tal data começou o curso do prazo prescricional" (fl. 581). O Tribunal de origem, à fl. 611, não admitiu o recurso especial sob os seguintes argumentos: Os argumentos expendidos não são suficientes para infirmar as conclusões do v. acórdão combatido que contém fundamentação adequada para lhe dar respaldo, tampouco ficando evidenciado o suposto maltrato às normas legais enunciadas, isso sem falar que rever a posição da Turma Julgadora importaria em ofensa à Súmula nº 7 do Col. Superior Tribunal de Justiça. Inadmito, pois, o recurso especial (págs. 577/583) com fundamento no art. 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil. Em seu agravo em recurso especial às fls. 620-622, a agravante pondera que não "há que se falar que rever a posição da Câmara Recursal importaria em revolvimento do substrato fático-probatório dos autos, pois a questão tratada no caso é estritamente de direito e independe de reexame fático ou probatório" (fl. 621). É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. De início, verifica-se que não foi impugnada a íntegra da fundamentação da decisão agravada, porquanto a agravante não infirmou especificamente todos os argumentos utilizados para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se em dois fundamentos distintos e autônomos: (i) - a incidência do óbice da Súmula 284/STF, tendo em vista que os "argumentos expendidos não são suficientes para infirmar as conclusões do v. acórdão combatido que contém fundamentação adequada para lhe dar respaldo" (fl. 611); e (ii) - incidência do enunciado 7 da Súmula do STJ, tendo em vista a impossibilidade de reexame de fatos e provas na seara especial. Todavia, no seu agravo, a parte não impugnou os referidos óbices, os quais, à míngua de impugnação específica e pormenorizada, permanecem hígidos , produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar a íntegra da fundamentação do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, a agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 10 % sobre o valor já arbitrado, nos termos do artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.