AREsp 2654163 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente e de forma detalhada o fundamento da decisão agravada, que baseou a inadmissão do recurso especial na necessidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ); essa omissão configura violação do princípio da dialeticidade e...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DA PARAÍBA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Certidão De Dívida Ativa (cda), Embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc)
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Parties
ESTADO DA PARAÍBA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o recurso especial foi corretamente inadmitido por demandar reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7 do STJ)
- 2 Se o agravo impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do princípio da dialeticidade e dos arts. 932, III, CPC e 253, p. único, I, do RISTJ
- 3 Se a certidão de dívida ativa (CDA) possui liquidez e certeza nos termos do art. 202 do CTN e do art. 2º e §5º da Lei 6.830/80
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente e de forma detalhada o fundamento da decisão agravada, que baseou a inadmissão do recurso especial na necessidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ); essa omissão configura violação do princípio da dialeticidade e enseja a aplicação dos arts. 932, III, CPC, 253, p. único, I, do RISTJ e da Súmula 182 do STJ, impedindo o conhecimento do agravo.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto pelo ESTADO DA PARAÍBA, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado na alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, assim ementado (fl. 206): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DA NULIDADE DA CDA POR DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS EXIGIDOS PELO ART. 2º DA Lei. 6.830/80. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO IRREGULAR. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. DESPROVIMENTO. - Embora se trate de descrição objetiva, na CDA devem estar resumidas informações que garantam a exata compreensão da infração atribuída ao contribuinte. - Na presente hipótese não é possível aferir em qual(is) alínea(s) do art.106 do RICMS está incurso o embargante, ora apelado, e diante da patente irregularidade do processo administrativo, que nada informa acerca da origem do crédito, a nulidade da CDA é medida que se impõe, ainda que o embargante não tenha ajuizado ação anulatória com tal propósito. Opostos embargos declaratórios, foram estes rejeitados, em aresto assim sumariado (fl. 245): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA. MEIO ESCOLHIDO IMPRÓPRIO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 1.022 DO CPC/2015. REJEIÇÃO. - Segundo o rol taxativo do art. 1022 do Código de Processo Civil, os Embargos Declaratórios só são cabíveis quando houver na decisão vergastada obscuridade, contradição, omissão ou para correção de erro material. Em seu recurso especial de fls. 257-266, sustenta a parte recorrente violação aos artigos 202, do CTN, e 2º. § 5º, da Lei nº 6.830/80, por não reconhecer a liquidez e certeza da CDA executada. Defende que a certidão de dívida ativa está livre de vícios, ao argumento de que (fl. 261): "a CDA apresenta valores apuráveis mediante simples cálculo aritmético, uma vez que não há exigência legal de instrução do feito com a memória detalhada do débito para a demonstração do valor cobrado na execução, além disso, a indicação do valor originário da dívida e o termo inicial atendem os requisitos previstos na legislação a fim de que a CDA possua liquidez e certeza capaz de render ensejo à execução fiscal, sem que induza cerceamento de defesa, de sorte que é perfeitamente possível ao executado compreender e, portanto, impugnar as infrações que lhe são imputadas e as penalidades respectivas." O Tribunal de origem, à fl. 287, não admitiu o recurso especial sob o seguinte argumento: Ao acatar a tese defendida pela parte insatisfeita, de forma a infirmar o entendimento sedimentado no acórdão hostilizado acerca da análise do preenchimento dos requisitos legais da certidão de dívida ativa, de ofício, e existência de prejuízo ao executado, demanda, inevitavelmente, o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos - tema insusceptível de discussão em sede de recurso especial - , nos termos da Súmula nº 7 do STJ, o que impede a remessa do apelo nobre à instância superior (..). Em seu agravo, às fls. 293-297, o agravante afirma que não há incidência do óbice da Súmula 7 do STJ na espécie, uma vez que, "não é cabível inferir que o julgamento do presente recurso necessita de fundamentação, na medida em que não há no caso nenhuma necessidade de análise de matéria probatória" . É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. De início, verifica-se que não foi impugnada a integralidade da fundamentação da decisão agravada, porquanto a parte agravante não infirmou especificamente o fundamento utilizado para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se na incidência do enunciado 7 da Súmula do STJ, em razão da contenda demandar reexame fático e probatório dos autos. Todavia, no seu agravo, a parte limitou-se a afirmar que "este Superior Tribunal de Justiça quem deverá analisar se o julgamento é possível ou não fazendo o cotejo do Acórdão com o Recurso Especial, portanto, entende-se que não cabe ao Tribunal Local aplicar a Súmula 07 para inadmitir o especial, frisando-se que não resta necessário o reexame de matéria fático-probatória (fl. 296), argumentação essa que não refuta, adequada e suficientemente, o fundamento da decisão agravada. Logo, o fundamento da decisão agravada, à míngua de impugnação detalhada, específica e pormenorizada, permanece hígido, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar o fundamento do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial . Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.