AREsp 2767303 - DECISAO
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial; alegações genéricas de que não se pretende reexame de provas não afastam a incidência da Súmula n. 7, e a ausência de precedentes contemporâneos ou...
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- Parties
- Agravante: DIEGO FELIPE DE JESUS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial; Julgamento Do Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; não conhecido o agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula N. 83 Do STJ, Súmula N. 182 Do STJ, Reexame De Provas, Redução Da Pena Pela Tentativa, Exame De Corpo De Delito, Valoração Das Consequências Do Crime
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Parties
DIEGO FELIPE DE JESUS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial; Julgamento Do Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Se o agravo impugnou especificamente e de forma pormenorizada todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 Se assertivas genéricas de que não se pretende reexaminar provas são suficientes para afastar a incidência da Súmula n. 7 do STJ
- 3 Se a indicação de precedentes é necessária para afastar a incidência da Súmula n. 83 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial; alegações genéricas de que não se pretende reexame de provas não afastam a incidência da Súmula n. 7, e a ausência de precedentes contemporâneos ou supervenientes do STJ impede o afastamento da Súmula n. 83, devendo incidir a Súmula n. 182, com consequente não conhecimento do agravo.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; não conhecido o agravo em recurso especial
Orders
- Agravo regimental desprovido.
- Não conheço do agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO DIEGO FELIPE DE JESUS agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais na Apelação n. 0507550-50.2018.8.13.0024. Nas razões do recurso especial, o agravante apontou violação dos arts. 59 e 14, parágrafo único, do Código Penal. Sustentou que, para aferição do grau de redução da reprimenda pela tentativa, a jurisprudência do STJ "não traz como parâmetro apenas o iter criminis percorrido, mas também o grau da lesão sofrido pela vítima" (fl. 3.371). Asseriu que o documento apto e determinante para informar o grau de lesão sofrida pela vítima é o exame de corpo de delito, que, no caso, descreveu que a vítima teve apenas lesões leves. Ainda, entendeu não haver fundamento a justificar a valoração negativa das consequências do crime, pois "as lesões sofridas pela vítima estão amplamente diluídas no tipo penal no qual o recorrente foi condenado, principalmente pelo fato do Exame de Corpo de delito da vítima indicar a presença de lesão de natureza leve" (fl. 3.374). Pleiteou o decote do vetor consequências do delito e a redução pela tentativa no grau máximo. O recurso especial foi inadmitido no juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal local, pela incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do agravo. Decido. O agravo é tempestivo, mas não merece conhecimento, pois não atacou adequadamente os fundamentos da decisão combatida. Conforme relatado, o especial foi inadmitido ante a incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ, ocasião na qual, ao invocar a aplicação do último óbice sumular mencionado, colacionou dois julgados proferidos pelo STJ em 2024. Em seu agravo, o insurgente ressaltou não pretender "o reexame da prova. Mas sim a adequada tipificação jurídica e jurisprudencial ao caso narrado que se coloca à frente de Vossas Excelências, ou seja, qualquer que seja a análise, sempre prescindirá de reexame fático-probatório" (fl. 3.407, grifei). Ainda, reafirmou que "a jurisprudência do STJ não traz como parâmetro apenas o iter criminis percorrido, mas também o grau da lesão sofrido pela vítima" (fl. 3.407). Para tanto, registrou trechos de dois julgados proferidos em 2014. Entretanto, cabe ressaltar que são insuficientes, para refutar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ - como ocorreu no presente caso -, assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. A parte deve expor, com particularidade, as razões invocadas pelo Tribunal a quo e evidenciar a desnecessidade da apreciação fático-probatória dos autos. Nessa perspectiva: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A impugnação específica, pormenorizada e concreta de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial é requisito para o conhecimento do agravo. Apresenta-se insuficiente, pois, a mera alegação de não incidência de óbice apontado pela decisão agravada. 2. No caso em tela, o agravo em recurso especial não impugnou especificamente o fundamento de inadmissibilidade consistente no óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "inadmitido o recurso especial com base na Súm. 7 do STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. O cotejo com as premissas fáticas de que partiu o aresto faz-se imprescindível" (AgInt no AREsp n. 600.416/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18/11/2016). .. (AgRg no AREsp n. 2.237.512/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 26/5/2023, grifei) .. 5. Relativamente à Súmula 7/STJ, mostra-se insuficiente "sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, sem explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas" (AgRg no AREsp n. 1.677.886/MS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 3/6/2020). 6. O momento adequado para impugnação dos fundamentos da decisão que ensejou a inadmissão do recurso especial é a interposição do agravo, sob pena de preclusão, não cabendo fazê-lo nas razões do agravo regimental. 7. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.856.037/RS, Rel. Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), 6ª T., DJe 28/6/2021) Além disso, no caso da Súmula n. 83 do STJ, não basta afirmar que o Tribunal decidiu contra a jurisprudência desta Corte Superior. É necessário ao menos colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão que inadmitiu o especial que comprovem o alegado, ou seja, que a matéria defensiva encontra amparo no entendimento do STJ. Uma vez que isso não foi feito pela parte, é correto o não conhecimento do agravo em recurso especial. Nesse sentido: .. 3. Ademais, para impugnar a incidência da Súmula n. 83/STJ, a parte deve demonstrar que os precedentes indicados na decisão agravada são inaplicáveis ao caso ou deve apresentar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ, o que não ocorreu. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.249.255/DF, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), 6ª T., DJe 23/2/2024.) .. III - Para impugnar a incidência da Súmula n. 83, STJ, incumbe ao agravante demonstrar que os julgados indicados na decisão agravada são inaplicáveis ao caso ou, ainda, colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão recorrida para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do Tribunal. Precedentes. IV - A indicação de julgados proferidos por Tribunais de Justiça dos Estados, em data não especificada, não possui aptidão para infirmar precedentes recentemente proferidos pelas turmas criminais do STJ. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.246.366/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, 6ª T., DJe 26/9/2023.) .. 3. Ainda, "para impugnar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, o agravante deve demonstrar que os precedentes indicados na decisão que inadmitiu o recurso especial são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ" (AgRg no AREsp n. 1823881/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe 26/4/2021), o que não ocorreu. .. (AgRg no AREsp n. 1.827.996/PR, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, 6ª T., DJe 16/8/2021) Assim, uma vez que a parte não rebateu adequadamente as causas de inadmissão de seu recurso especial, de rigor a aplicação da Súmula n. 182 do STJ na hipótese. A propósito: .. 3. A incidência da Súmula n. 83 do STJ só é combatida com pedido explícito de afastamento do referido óbice e a apresentação de jurisprudência desta Corte Superior contrária, contemporânea ou superveniente, à apresentada na decisão de inadmissibilidade do recurso especial, o que não foi feito pela defesa. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.672.166/SE, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 6/9/2024) .. 4. Para impugnar a incidência da Súmula n. 83 desta Corte, deve-se demonstrar que os precedentes indicados na decisão agravada são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ. 5. Ao recorrente incumbe demonstrar o equívoco da decisão agravada, sendo imprescindível que impugne todos os óbices por ela apontados de maneira específica e suficientemente demonstrada, nos termos dos arts. 932, III, CPC; 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182/STJ, não bastando, para tanto, deduzir alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia. 6. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n. 1.992.288/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), 6ª T., DJe 25/4/2024) Destaco, por oportuno, que "a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.785.474/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 3/5/2021). Deveras: .. o entendimento pacífico desta Corte é o da imprescindibilidade da impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sejam eles autônomos ou não, "pois não existe identidade entre a lógica da Súmula n. 182 do STJ e a da Súmula n. 283 do STF, uma vez que o conhecimento, ainda que parcial, do agravo em especial, obriga a Corte a conhecer de todos os fundamentos do especial, inclusive os não impugnados de modo específico" (AgRg no AREsp n. 68.639/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/2/2012). (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.413.506/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 27/6/2019) À vista do exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA