AREsp 2851416 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e específica todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, em especial a incidência da Súmula 83/STJ, e não trouxe precedentes contemporâneos ou supervenientes do Superior Tribunal de Justiça que...
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- Parties
- Agravante: RUAN LUKAS MARTINS DE JESUS; Órgão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 182/stj, Pronúncia, Mutatio Libelli, Dolo Eventual, Qualificadoras Do Homicídio, Impugnação Específica De Fundamentos
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Parties
RUAN LUKAS MARTINS DE JESUS
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ como óbices à admissibilidade do recurso especial
- 2 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
- 3 compatibilidade entre dolo eventual e crime tentado
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e específica todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, em especial a incidência da Súmula 83/STJ, e não trouxe precedentes contemporâneos ou supervenientes do Superior Tribunal de Justiça que demonstrassem divergência jurisprudencial, de modo que se impõe o não conhecimento do agravo com fundamento na ausência de impugnação específica e no art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por RUAN LUKAS MARTINS DE JESUS contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS que inadmitiu o recurso especial. Consta dos autos que o agravante foi pronunciado pela suposta prática do delito previsto no art. 121, § 2º, inciso III, c.c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (e-STJ, fls. 692/699). Inconformada, a Defesa interpôs recurso em sentido estrito perante o Tribunal de origem, que negou provimento ao recurso (e-STJ, fls. 820/844). Eis a ementa do acórdão: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. RECURSO DA DEFESA. PRELIMINAR DE QUEBRA DA IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO. REJEITADA. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. TRIBUNAL DO JÚRI. DECISÃO DE PRONÚNCIA. PROVA DA MATERIALIDADE. INDÍCIOS DE AUTORIA DELITIVA. JUÍZO DE PROBABILIDADE. SUBMISSÃO AO TRIBUNAL DO JÚRI. QUALIFICADORA. MANUTENÇÃO. DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME. IMPOSSIBILIDADE. VIABILIDADE DA ACUSAÇÃO. RECURSO CONHECIDO. PRELIMINAR REJEITADA. NÃO PROVIDO. 1. Se restar caracterizado, ao final da instrução, o cabimento de nova definição jurídica do fato, não há falar em quebra da imparcialidade do magistrado apenas pelo fato de ter sido ele quem identificou tal questão. Aplica-se o instituto do mutatio libelli , previsto no art. 384 do CPP, o qual prevê que o Ministério Público deve realizar o aditamento à denúncia, porém não proíbe que o juiz faça apontamentos, caso identifique nova capitulação jurídica do fato, diante da produção de provas durante a instrução e julgamento. Preliminar rejeitada. 2. Para a decisão de pronúncia, além da prova da materialidade, é suficiente o juízo de probabilidade quanto à autoria delitiva para o prosseguimento do processo e subsequente julgamento do réu perante o Tribunal do Júri, vigorando o princípio dubio pro societate. 3. As qualificadoras não devem ser afastadas quando existentes elementos que indicam sua ocorrência, cabendo ao Tribunal do Júri o juízo de certeza quanto à sua existência e aplicação ao caso concreto. 4. Para que ocorra a desclassificação para crime diverso do doloso contra a vida é preciso que se constate, de plano e sem quaisquer dúvidas, a ausência do animus . Se houver dúvida, a pronúncia é medida que se impõe, devendo o necandi julgamento ser submetido ao Júri popular. 5. Recurso conhecido, preliminar rejeitada e, no mérito, não provido. Sobreveio recurso especial, interposto com fulcro no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, no qual se alega, em síntese, que houve "VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 14, INCISO II, E 121, §2º, INCISOS III E V, AMBOS DO CÓDIGO PENAL, 303 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO E 254, INCISO IV, E 419, AMBOS DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL" (e-STJ, fls. 468-475). Para tanto, menciona que "A Corte a quo desconsiderou a incompatibilidade entre o instituto do dolo eventual e o crime tentado. Isso porque, no dolo direito, o agente deseja produzir o resultado. Já no dolo eventual, espécie de dolo indireto, o sujeito não quer o resultado, mas assume o risco de produzi-lo ao persistir em sua conduta" (e-STJ, fl. 896). Aduz, outrossim, que "Em relação à qualificadora da conexão consequencial, não houve menção a tal qualificadora quando do aditamento (ID 62313147)" (e-STJ, fl. 906). Requer, ao final (e-STJ, fls. 908/909): I) conhecer da nulidade pela quebra de imparcialidade do magistrado atuante no ato de ID 121561988; II) subsidiariamente: a) desclassificar a conduta do recorrente (vítima WARLEY) para o crime previsto no art. 303 do CTB e remeter os autos ao Juízo competente; b) desclassificar a conduta desclassificar a conduta do recorrente (vítima GILVAN) para o crime previsto no art. 303 do CTB e remeter os autos ao Juízo competente; c) excluir as qualificadoras previstas nos incisos III (perigo comum) e V (conexão consequencial) do §2º do artigo 121 do Código Penal da pronúncia do recorrente. Apresentadas as contrarrazões (e-STJ, fls. 925/929), o especial foi inadmitido na origem pela pela aplicação dos óbices das Súmulas 7 e 83, ambas do STJ (e-STJ, fls. 935/937). Foi interposto o presente agravo (e-STJ, fls. 947/961), no qual se requer o provimento do recurso especial. Apresentada a contraminuta (e-STJ, fl. 969), manifestou-se o Ministério Público Federal pelo não conhecimento do agravo (e-STJ, fls. 997/999). Eis a ementa do parecer: MANIFESTAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, COMO CUSTOS IURIS, NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 105, INCISO III, ALÍNEA "A", DA CRFB/1988. DIREITO PROCESSUAL PENAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO DOS AUTOS. PROVIDÊNCIA VEDADA. ENUNCIADO N.º 7 DA SÚMULA DO STJ. 1. "Nos termos da Súmula 7 do STJ, não se conhece do recurso especial na hipótese em que a pretensão recursal é dependente do reexame de provas" (AgInt nos EDcl no REsp n.º 1.904.313-SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 17/5/2021, DJe de 19/5/2021.). 2. Manifestação do Ministério Público Federal pelo conhecimento do presente agravo, para que não seja conhecido o recurso especial. É o relatório. Decido. O agravo não merece conhecimento. O agravante não infirmou, de maneira adequada e suficiente, todas as razões apresentadas pelo Tribunal de origem para negar trânsito ao recurso especial, especificamente a incidência do óbice da Súmula n. 83/STJ. Como cediço, não basta, simplesmente, deduzir genericamente a impossibilidade de incidência do referido óbice apontado. No que diz respeito ao óbice do Enunciado Sumular n. 83/STJ, caberia ao agravante comprovar, por meio da indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes deste Superior Superior de Justiça, a desarmonia do julgado com a jurisprudência sedimentada, de modo a evidenciar, assim, a inaplicabilidade do embaraço indicado pelo Tribunal a quo, o que não se verifica no caso dos autos. Nos termos da jurisprudência desta eg. Corte, " p ara se afastar o óbice contido na Súmula 83/STJ, não basta que se mencione um único julgado, devendo "ser trazidos à colação julgados do Superior Tribunal de Justiça, atuais em relação à decisão agravada, que demonstrem ter o acórdão recorrido adotado entendimento contrário à posição dominante da jurisprudência desta Corte Superior" (AgRg no AREsp n. 1.712.720/TO, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 20/10/2020, DJe de 26/10/2020.). Assim, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do apelo nobre obsta, nos termos do art. 932, inciso III do CPC, o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL INADMITIDO. SÚMULAS 7, 83 E 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do STJ que, com base na Súmula 182/STJ, não conheceu do agravo em recurso especial. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial impugnou de maneira específica e concreta todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, especialmente em relação às Súmulas 7 e 83 do STJ. III. Razões de decidir 3. A parte agravante não apresentou argumentos suficientes para infirmar a decisão que inadmitiu o recurso especial, pautada nas Súmulas 7 e 83 do STJ, bem como na ausência de omissão no julgado. 4. A impugnação genérica à aplicação da Súmula 7/STJ, sem cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, não satisfaz a exigência de impugnação específica. 5. A ausência de indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida inviabiliza a impugnação da aplicação da Súmula 83/STJ. 6. A Súmula 182/STJ impede o conhecimento do agravo regimental, pois não houve impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação genérica à aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ não satisfaz a exigência de impugnação específica. 2. A ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada atrai a incidência da Súmula 182/STJ, impedindo o conhecimento do agravo regimental". Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 1.042; CPC/1973, art. 544, § 4º, I. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1789363/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 02.02.2021; STJ, AgRg no RHC 128.660/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18.08.2020; STJ, EAREsp 746.775/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Min. Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19.09.2018. (AgRg no AREsp n. 2.781.629/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 03/01/2025, grifei.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE FUNDAMENTO DA DECISÃO QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO DO STJ. SÚMULA N. 83 DO STJ. 1. Não havendo impugnação específica de fundamento da decisão que não conheceu do recurso especial, deve ser aplicado, por analogia, o teor da Súmula n. 182 deste Tribunal Superior. 2. Diante do não conhecimento do apelo extremo com base no verbete sumular 83/STJ, incumbiria à parte interessada apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos citados na decisão impugnada, procedendo ao cotejo analítico entre eles, de forma a demonstrar que outra é a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior, o que não ocorreu na espécie. 3. Ademais, conforme destacado na decisão que não conheceu do recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que "a imposição das restrições de liberdade .. , por medida de caráter cautelar, de modo indefinido e desatrelado de inquérito policial ou processo penal em andamento, significa, na prática, infligir-lhe verdadeira pena sem o devido processo legal, resultando em constrangimento ilegal" (RHC n. 94.320/BA, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 9/10/2018, DJe 24/10/2018). 4. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp n. 1.664.424/ MG, relator Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/09/2024, DJe de 09/10/2024, grifei.) Incide, no caso, o enunciado da Súmula n. 182/STJ, que dispõe, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA