AREsp 2483768 - DECISAO
Não conhecer do agravo em recurso especial porque o agravante não superou o óbice da Súmula 7/STJ nem apresentou impugnação específica aos fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, além de haver deficiência na fundamentação do recurso em desacordo com o art. 1.029 do CPC; alegações genéricas sobre...
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- Parties
- Agravante: ANTONIO JOSE BEZERRA FEITOSA; Órgão Recorrido: Vice Presidência do Tribunal do Estado do Piauí; Pareceu Pelo Não Provimento: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Fundamentação Do Recurso, Reexame De Provas
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Parties
ANTONIO JOSE BEZERRA FEITOSA
Agravante
Vice Presidência do Tribunal do Estado do Piauí
Órgão Recorrido
Ministério Público Federal
Pareceu Pelo Não Provimento
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial por aplicação da Súmula 7/STJ
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos que impediram o seguimento do recurso especial
- 3 deficiência de fundamentação do recurso especial e aplicação analógica da Súmula 284/STF
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo em recurso especial porque o agravante não superou o óbice da Súmula 7/STJ nem apresentou impugnação específica aos fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, além de haver deficiência na fundamentação do recurso em desacordo com o art. 1.029 do CPC; alegações genéricas sobre a desnecessidade de reexame probatório são insuficientes.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ANTONIO JOSE BEZERRA FEITOSA contra decisão da Vice Presidência do Tribunal do Estado do Piauí que inadmitiu o recurso especial interposto com base no art. 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, fundamentado na incidência do enunciado da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, a qual veda o reexame do conjunto fático -robatório na instância extraordinária. O recurso especial foi interposto contra acórdão, unânime, do Tribunal de origem, que negou provimento ao recurso em sentido estrito defensivo (RESE º 0005520- 87.2007.8.18.0140), mantendo, na íntegra, a sentença que pronunciou o recorrente pela prática do delito previsto no art. 121, § 2º, inciso I, do Código Penal (fls. 1344). Nas razões recursais do recurso especial, a parte recorrente sustenta a contrariedade e negativa de vigência ao art. 121, §2º, inciso I do Código Penal e artigos 413 e 414 do Código de Processo Penal. Inadmitido o recurso especial, foi interposto o presente agravo sob o fundamento equívoco na decisão recorrida por não haver necessidade de revolvimento probatório. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não provimento do recurso. É o relatório . DECIDO. Não obstante os argumentos expendidos pela parte agravante, estes não possuem o condão de infirmar os fundamentos da decisão agravada. A inadmissão do Recurso Especial se deu com fundamento na Súmula 7, STJ. No presente caso, nota-se que a parte recorrente não realizou a impugnação adequada contra o óbice apontado, limitando-se a repetir as razões do recurso especial, sem demonstrar em nenhum momento qual foi o desacerto da decisão que negou seguimento ao recurso especial. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 7/STJ exige que a parte agravante não se limite a sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, devendo explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. A alegação genérica sobre a desnecessidade de que sejam reexaminados os fatos e as provas é insuficiente para o efetivo enfrentamento da decisão recorrida, ainda que feita breve menção à tese sustentada, quando ausente o devido cotejo das premissas fáticas do acórdão proferido na origem (AgRg no AREsp n. 2.030.508/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 13/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.672.166/SE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024; e AgRg no AREsp n. 2.576.898/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024). Ademais, considerando que o presente recurso tem fundamento em suposta negativa de vigência à lei federal, verifico deficiência na fundamentação do recurso, pois, a Defesa se limitou a citar os referidos dispositivos de lei infraconstitucional tidos por violados, sem, contudo, especificar de forma clara e específica, como teria havido violação à legislação federal, deixando de atender o previsto no artigo 1.029 do CPC, o qual dispõe que o recurso especial conterá: "I - a exposição do fato e do direito; II - a demonstração do cabimento do recurso interposto; III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão recorrida". O apelo nobre, portanto, esbarra na Súmula 284 do STF, aplicada por analogia, que preceitua: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Conforme, a jurisprudência consolidada desta Corte, a superação do óbice da Súmula 284/STF, exige que o recorrente faça a comparação entre o que estabelece a norma e os argumentos apresentados nas razões do recurso, a fim de evidenciar a correlação jurídica entre o fato e a norma legal. Não é suficiente, portanto, menção superficial às leis federais, nem a simples exposição da interpretação jurídica que o recorrente considera correta. Os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas sobre as razões que levaram à inadmissão do agravo ou do recurso especial, ou a insistência no mérito da controvérsia (AgRg no AR Esp 2.153.320/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 4/10/2022, D Je 11/10/2022). Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do artigo 932, inciso III do CPC, obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. Nesse sentido: AgRg no REsp n. 1.958.975/PR, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 14/11/2022; e AgRg no AREsp n. 1.682.769/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 23/06/2020. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA