AREsp 2763219 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o recorrente não especificou, no próprio recurso especial, os dispositivos federais que teriam sido violados, motivo pelo qual a decisão de inadmissão fundada na Súmula 284/STF permanece incólume; além disso, o agravante não enfrentou de forma específica o fundamento da decisão...
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- Parties
- Agravante: DIEGO ZANCHIN DOS SANTOS; Tribunal a Quo: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RONDÔNIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Princípio Da Dialeticidade, Preclusão Consumativa, Indicação De Dispositivos Federais
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Parties
DIEGO ZANCHIN DOS SANTOS
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RONDÔNIA
Tribunal a Quo
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 ausência de especificação do dispositivo federal violado no recurso especial (Súmula 284/STF)
- 2 possibilidade de complementação da indicação do dispositivo no agravo diante da preclusão consumativa
- 3 inobservância do princípio da dialeticidade (art. 932, III, CPC)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o recorrente não especificou, no próprio recurso especial, os dispositivos federais que teriam sido violados, motivo pelo qual a decisão de inadmissão fundada na Súmula 284/STF permanece incólume; além disso, o agravante não enfrentou de forma específica o fundamento da decisão agravada, incorrendo em violação ao princípio da dialeticidade e sendo inviável a complementação posterior por preclusão consumativa.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DIEGO ZANCHIN DOS SANTOS, contra decisão que inadmitiu recurso especial manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RONDÔNIA. Consoante se extrai dos autos, o eg. Tribunal a quo rejeitou o recurso de apelação defensivo para manter a condenação do acusado pela prática do delito previsto no art. 14, caput, da Lei 10.826/2003, à pena definitiva de 02 anos e 03 meses de declusão e 11 dias-multa, a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto (e-STJ, fls. 292-297). No recurso especial, interposto com fulcro no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, o insurgente alegou violação ao artigo 386, do Código de Processo Penal, alegando que o armamento consigo encontrado destinava-se à sua defesa (e-STJ, fls. 308-336). Apresentadas as contrarrazões (e-STJ, fls. 343-350), sobreveio juízo negativo de admissibilidade fundado na incidência da Súmula 284, STF, pois não houve especificação do dispositivo legal violado (e-STJ, fls. 351-352). Nas razões do agravo, postula-se o processamento do recurso especial, haja vista o cumprimento dos requisitos necessários à sua admissão (e-STJ, fls. 356-382). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo (e-STJ, fls. 410-415). É o relatório. DECIDO. O agravo não merece ser conhecido. Conforme relatado, o apelo nobre foi inadmitido pelo Tribunal de origem em razão da aplicação da Súmula n. 284 do STJ, nos seguintes termos: "No tocante à violação ao art. 386, do CPP, a parte não particularizou o seu inciso, não sendo possível obter de sua fundamentação a correta visualização da modificação pleiteada, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial por aplicação da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia", aplicada por analogia". No entanto, ao arrazoar o agravo, a parte ora agravante não combateu especificamente este motivo da decisão agravada, reservando-se a especificar os dispositivos que entende violados pelo acórdão recorrido por ocasião do agravo, sem comprovar, contudo, que assim teria procedido, de forma clara, no próprio recurso especial. Essa distinção é relevante porque, em virtude da preclusão consumativa, a indicação do texto legal violado deve ser feita no próprio recurso especial, não se admitindo tentativas de complementação posterior, no agravo, para sanar omissão daquele primeiro recurso. A propósito: "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS FEDERAIS OBJETOS DA CONTROVÉRSIA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. O ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PARA RECORRER DE DECISÃO CONCESSIVA DE HABEAS CORPUS. SÚMULA 208/STF. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Quando da interposição do recurso especial os agravantes não indicaram especificamente quais seriam os dispositivos de lei federal afrontados pelo acórdão recorrido. Tal circunstância configura deficiência na fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. 2. A indicação dos dispositivos legais deve ser feita no próprio recurso especial, não sendo viável a tentativa de sua complementação no agravo regimental, em virtude da preclusão consumativa. .. 4. Agravo regimental não provido". (AgRg no AREsp n. 2.665.221/RJ, Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 30/8/2024.) Ressalte-se que o recurso especial é meio de impugnação de fundamentação vinculada, e por isso exige a indicação ostensiva dos textos normativos federais a que negou vigência o aresto impugnado. Não basta, para tanto, a menção de passagem a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto, como se estivesse a redigir uma apelação. Para inaugurar a instância especial, é imprescindível que o recurso especial aponte, com precisão, quais dispositivos legais teriam sido violados pela Corte de origem, o que não foi feito no presente caso. O tema é bem explicado no seguinte julgado: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. INCLUSÃO DA ESPOSA NO POLO PASSIVO DECORRENTE DA AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA QUE OSTENTA NATUREZA REAL. ROL DE DISPOSITIVOS AFRONTADOS, SEM INDIVIDUALIZAÇÃO. SÚMULA Nº 284/STF. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não é um menu onde a parte recorrente coloca à disposição do julgador diversos dispositivos legais para que esse escolha, a seu juízo, qual deles tenha sofrido violação. Compete à parte recorrente indicar de forma clara e precisa qual o dispositivo legal (artigo, parágrafo, inciso, alínea) que entende ter sofrido violação, sob pena de, não o fazendo, ver negado seguimento ao seu apelo extremo em virtude da incidência, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Agravo regimental a que se nega provimento". (AgRg no AREsp n. 583.401/RJ, relator Ministro Luís Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 17/3/2015, DJe de 25/3/2015.) Além disso, o agravo reproduz integralmente as razões do recurso especial e cria um tópico para afastar a incidência da Súmula 7/STJ, fundamento não utilizado para impedir a admissão do recurso especial. Nesse contexto, verifica-se que o recorrente deixou de dialogar com a decisão agravada, impugnando-a especificamente, em clara violação ao princípio da dialeticidade recursal. Dessa forma, à míngua de impugnação concreta, específica e individualizada, de todos os fundamentos declinados pela Corte de justiça local para inadmitir o recurso especial, mostra-se insuperável a manifesta inobservância ao princípio da dialeticidade, nos termos do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil. A propósito: " .. 4. Na espécie, a respeito da pretendida substituição da pena privativa de liberdade, a decisão agravada consignou que a medida não era cabível por dois motivos: a) as circunstâncias do crime foram valoradas negativamente ao acusado, inclusive ensejando incremento na pena-base e b) o réu é reincidente em crime doloso, cometido com violência, e as instâncias de origem entenderam não ser adequada a aplicação de pena restritiva de direitos. A defesa, contudo, não impugnou todos os fundamentos da decisão agravada, de modo que se limitou a infirmar a necessidade de reexame fático-probatório para analisar o pleito e a questionar a possibilidade de substituição da reprimenda para sentenciados reincidentes. Desse modo, em razão da ausência de dialeticidade recursal, incide a Súmula n. 182 do STJ, a inviabilizar o conhecimento do pedido. 5. Agravo regimental parcialmente conhecido e não provido." (AgRg no AREsp n. 2.295.338/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/6/2023, DJe de 27/6/2023.). Ainda nesse sentido, dentre vários outros, o AgRg no REsp n. 2.009.728/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 12/9/2023. Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FURTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.