AREsp 2543400 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou adequadamente, no agravo em recurso especial, os fundamentos da decisão agravada: ausência de fundamentação necessária nos termos do art. 1.029 do CPC (Súmula 283/STF), incidência da Súmula 7/STJ por ausência de impugnação específica que demonstrasse que não...
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- Parties
- Agravante: THIAGO FERNANDO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmula 283/stf, Súmula 518/stj, Art. 33, § 4º Da Lei 11.343/06, Art. 386, VII Do CPP, Redução De Pena, Regime Inicial De Cumprimento De Pena
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Parties
THIAGO FERNANDO DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial por falta de fundamentação (art. 1.029 CPC e Súmula 283/STF)
- 2 incidência da Súmula 7/STJ e necessidade de impugnação específica para evitar reexame de provas
- 3 incidência da Súmula 518/STJ que impede REsp baseado em violação de súmula
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou adequadamente, no agravo em recurso especial, os fundamentos da decisão agravada: ausência de fundamentação necessária nos termos do art. 1.029 do CPC (Súmula 283/STF), incidência da Súmula 7/STJ por ausência de impugnação específica que demonstrasse que não seria necessário reexame de provas, e óbice da Súmula 518/STJ; assim, nos termos do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, o agravo não pode ser conhecido.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por THIAGO FERNANDO DA SILVA contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, (e-STJ, fls. 14463-14464). Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 14508). No recurso especial inadmitido, aponta violação aos artigos 33, § 4º, da Lei 11.343/06 (e-STJ, fls. 14270) e 386, VII, do Código de Processo Penal (e-STJ, fls. 14269). Requer: a) a absolvição dos delitos imputados, em razão da insuficiência de provas (art. 386, VII, do CPP) (e-STJ, fls. 14269); b) em sede sucessiva, o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º da Lei 11.343/06, em seu patamar máximo (e-STJ, fls. 14270) e c) a fixação do regime inicial para cumprimento da pena nos regimes aberto ou semiaberto (e-STJ, fls. 14271). O recurso especial foi inadmitido na origem devido aos seguintes óbices de conhecimento: 1) falta de fundamentação necessária, conforme o artigo 1.029 do Código de Processo Civil; não foram atacados todos os argumentos do acórdão recorrido, incidindo a Súmula 283 do STF; 2) e incidência da Súmula 7 do STJ (e-STJ, fls. 14463-14464) e 3) óbice da Súmula 518 do STJ, que impede recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula. Ao que se seguiu a interposição de agravo (e-STJ, fls. 14506-14510). O agravante alega que o recurso especial foi indevidamente inadmitido, pois apresentou a fundamentação necessária e não busca o reexame de provas, mas sim o reconhecimento de irregularidades praticadas pelas instâncias ordinárias. Argumenta que o recurso especial está dentro das hipóteses constitucionalmente previstas, citando a violação ao artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/06. Aduz que houve negativa de vigência aos comandos legais e violação ao princípio da ampla defesa e contraditório. Instado, o recorrido apresentou contrarrazões (e-STJ, fls. 14603-14612). Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não provimento do agravo (e-STJ, fls. 14603-14612). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial por: 1) falta de fundamentação necessária, conforme o artigo 1.029 do Código de Processo Civil, incidindo a Súmula 283 do STF; 2) incidência da Súmula 7 do STJ e 3) óbice da Súmula 518 do STJ. Por outro lado, o agravante não refutou - em sede de agravo em recurso especial, adequadamente, os referido fundamentos. Sobre a aplicação da Súmula 7/STJ, a parte agravante trouxe apenas razões genéricas de inconformismo (aduzindo que não seria necessário reexaminar as provas dos autos), o que não satisfaz a exigência de impugnação específica para viabilizar o conhecimento do agravo. Isso porque, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Ilustrativamente: "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL, NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. PEDIDO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. BUSCA VEICULAR. EXISTÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Na decisão recorrida, não se conheceu do agravo pela incidência da Súmula 182/STJ, porquanto não atacados os fundamentos erigidos pela Corte local para inadmitir o recurso especial: deficiência de cotejo analítico e Súmulas 7 e 83 do STJ. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, a parte deixou de combater, de forma adequada, esses óbices. Limitou-se a reprisar exatamente as mesmas questões meritórias trazidas no recurso especial. 3. "Para afastar a aplicação da Súmula 7 do STJ, não é bastante a mera afirmação de sua não incidência, devendo a parte apresentar argumentação suficiente a fim de demonstrar que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não é necessário reexame de fatos e provas da causa." (AgRg no AREsp 1.713.116/PI, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022). 4. A superação da Súmula 83/STJ exige demonstração de divergência estabelecida entre o entendimento adotado pelo Tribunal e a jurisprudência do STJ, com indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, o que não ocorreu. 5. Esta Corte pacificou orientação de que a ausência de efetivo ataque a um dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, na origem, impede o conhecimento do agravo, nos termos da Súmula 182 do STJ. 6. Constatada a justa causa para a busca veicular, não há flagrante ilegalidade a ser corrigida de ofício por esta Corte. 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no AREsp n. 2.410.763/MT, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador Convocado do Trf1), Quinta Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 6/10/2023.) Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA