AREsp 2697048 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para decidir que o recurso especial não deve ser conhecido porque a inadmissão fundou-se na incidência da Súmula 7 do STJ, diante de matéria que exige reexame do conjunto fático-probatório (valoração de provas e conclusão dos jurados), o que é vedado ao STJ, não cabendo-lhe funcionar como...
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- Parties
- Agravante: PEDRO HENRIQUE DIAS; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Revaloração De Provas, Legítima Defesa, Homicídio Qualificado Tentado
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Parties
PEDRO HENRIQUE DIAS
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 incidência da Súmula 7 do STJ e impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório
- 3 se a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para decidir que o recurso especial não deve ser conhecido porque a inadmissão fundou-se na incidência da Súmula 7 do STJ, diante de matéria que exige reexame do conjunto fático-probatório (valoração de provas e conclusão dos jurados), o que é vedado ao STJ, não cabendo-lhe funcionar como terceira instância revisora.
Court Disposition
conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por PEDRO HENRIQUE DIAS contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS que inadmitiu o recurso especial. O agravante foi condenado pela prática do crime de homicídio qualificado tentado, tipificado nos arts. 121, §2º, inciso I, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, à pena de 8 (oito) anos de reclusão, em regime semiaberto (fls. 1312-1333). Irresignado, o agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando negativa de vigência aos arts. 593, III, alíneas "c" e "d", do Código de Processo Penal, ao argumento de que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos e que a pena base foi fixada acima do mínimo legal sem os fundamentos necessários (fls. 1341-1358). O recurso foi inadmitido na origem, por incidência da Súmula 7 do STJ (fls. 1368-1371). No presente agravo, a defesa sustenta, em síntese, que o recurso especial deveria ter sido admitido, tendo em vista o preenchimento de todos os requisitos de admissibilidade recursal e a inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ (fls. 1377-1389). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo em recurso especial, alegando que o agravante não atacou especificamente os fundamentos da decisão recorrida, conforme exigido pela jurisprudência do STJ (fls. 1409-1412). É o relatório. DECIDO. Entendo que, no agravo, o recorrente rechaçou os fundamentos de inadmissão do recurso especial. Todavia, o recurso especial não deve ser conhecido, uma vez que, como bem fundamentado pela Corte de origem, a impossibilidade de seguimento do recurso se deu com base na incidência da Súmula 7 do STJ. Observo, no ponto, que, no que concerne à Súmula n. 7, STJ, embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admita a revaloração das premissas fáticas no âmbito do recurso especial, não basta a mera alegação de que a pretensão visa tão somente ao reenquadramento jurídico dos fatos. Incumbe à parte demonstrar, de forma cuidadosa, que os fatos, tal qual descritos no acórdão recorrido, reclamam solução jurídica diversa daquela que fora aplicada pelo julgador. A propósito: "É entendimento desta Corte Superior que, "inadmitido o recurso especial com base na Súm. 7 do STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. O cotejo com as premissas fáticas de que partiu o aresto faz-se imprescindível" (AgInt no AREsp n. 600.416/MG, Segunda Turma, rel. Min. Og Fernandes, DJe 18/11/2016)" (AgRg no AREsp n. 2.153.967/TO, Sexta Turma, Rel. Min. Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, DJe de 23/6/2023); "Para afastar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, não é bastante a mera afirmação de sua não incidência, devendo a parte apresentar argumentação suficiente a fim de demonstrar que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não é necessário reexame de fatos e provas da causa" (AgRg no AREsp n. 1.713.116/PI, Quinta Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 8/8/2022). Com efeito, verifico da leitura do acórdão impugnado pelo recurso especial que a Corte local não incorreu em qualquer erro ou contrariedade na valoração da prova. Destaca-se (fls. 1321-1326): " .. Na hipótese em voga, de uma análise geral das provas produzidas no processo, não é difícil concluir que a decisão dos ilustres jurados da Comarca de Juiz de Fora/MG não contrariou as provas ora produzidas. Conforme se infere da votação dos quesitos (doc. 202), concluiu-se, pela maioria de votos, que o denunciado Pedro Henrique Dias perpetrou o injusto penal em voga, motivado por sentimento de vingança. Em frontal contramão à constatação alhures, a Defesa do réu sustenta a inocência do mesmo, sob o fundamento de que o denunciado agiu em legítima defesa. Contudo, não é esta a realidade que se depreende dos autos, porquanto, ao contrário da afirmação defensiva, existem provas no sentido de que Pedro não agiu em legítima defesa. Isso porque, para que seja configurada a legítima defesa, nos moldes do art. 25 do Código Penal, é necessário que o agente repila, usando moderadamente os meios necessários, a injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. A materialidade encontra-se cabalmente comprovada pelo Boletim de Ocorrência (doc. 4, fls. 01/04), pelo exame de corpo de delito indireto (doc. 8) além de outras provas colhidas durante as investigações. A autoria, de igual forma, também restou devidamente comprovada, não havendo sequer irresignação defensiva nesse ponto. O réu Pedro Henrique Dias, em plenário (PJe Mídias), afirmou que agiu em legítima defesa, dizendo que a vítima Elber tentou lhe dar uma tesourada, razão pela qual efetuou dois disparos para repelir a iminente agressão, ressaltando que poderia ter efetuado outros disparos quando a vítima estava caída ao solo, mas não tinha intenção de matá-lo. Apesar de a versão do acusado ser corroborada pelas declarações de Simone Brito Luiz e Jéssica Luiz da Silva Dias na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri e também em plenário (PJe Mídias), há provas de que o recorrente Pedro cometeu o crime após a vítima ter cessado as agressões contra Simone e que não tentou agredir Pedro, sendo a tentativa de homicídio cometida quando a vítima já estava em casa. .. Ao exame dos autos, verifica-se que a vítima foi socorrida dentro de sua residência, o que corrobora a tese de que os disparos foram efetuados dentro da residência e não do lado de fora, como afirma o acusado. Ou seja, as supostas agressões contra Simone já tinham cessado, não eram atuais ou iminentes, como exige o art. 25 do Código Penal. Essa versão da vítima, corroborada por seus filhos e, em parte, pelo policial militar, rechaçam a alegação do réu de que o ofendido teria tentado lhe dar uma tesourada. Vale ressaltar, por oportuno, que nos quesitos (doc. 202), o Conselho de Sentença não considerou a conduta do ofendido como sendo suficiente para absolvição do recorrente. Nesse sentido, entendo que o ônus probatório de demonstrar a ocorrência de causa excludente da ilicitude é de quem a alega, conforme disposição do art. 156, caput, do Código de Processo Penal: "A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício". .. Ao que se extrai, verifica-se o réu se enfureceu com as agressões contra sua sogra, tendo se dirigido para a residência do ofendido com uma arma de fogo em punho, esperado ele atender a porta e efetuar os disparos de arma de fogo, ou seja, quando as agressões já haviam cessado. .. ". Deste modo, rever a conclusão a que soberanamente chegou o Tribunal de origem importaria revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7, STJ. Por fim, convém acentuar que o Superior Tribunal de Justiça não é terceira instância revisora ou Corte de apelação sucessiva. O recurso especial é excepcional, de fundamentação vinculada, com forma e conteúdo próprios, que se destina a atribuir a adequada interpretação e uniformização da lei federal, e não ao rejulgamento da causa, à moda de recurso ordinário ou de apelação, sob pena de se tornar uma terceira instância recursal. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA