AREsp 2693989 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o agravante não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso (incidência da Súmula 284/STF), faltando a impugnação exigida pela jurisprudência consolidada (Súmula 182/STJ), o que impede o exame do mérito do agravo previsto no art. 1.042 do CPC;...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: DARLEN ROSA MENDONCA; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial; Juízo De Admissibilidade
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 284/stf, Súmula 182/stj, Organização Criminosa, Prova Testemunhal, Quebra De Sigilo Telefônico
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DARLEN ROSA MENDONCA
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial; Juízo De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial por ausência de impugnação específica à Súmula 284/STF
- 2 incidência da Súmula 182/STJ e impossibilidade de exame do mérito
- 3 cabimento do agravo previsto no art. 1.042 do CPC e suas exceções
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o agravante não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso (incidência da Súmula 284/STF), faltando a impugnação exigida pela jurisprudência consolidada (Súmula 182/STJ), o que impede o exame do mérito do agravo previsto no art. 1.042 do CPC; decisão tomada com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Publique-se
- Intime-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por DARLEN ROSA MENDONCA, com fund amento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA, assim ementado (fls. 1349 - 1354): "APELAÇÕES CRIMINAIS SIMULTÂNEAS. CONDENAÇÃO PELOS CRIMES DE RECEPTAÇÃO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. ABSOLVIÇÃO EM RELAÇÃO AO DELITO DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PLEITOS ABSOLUTÓRIOS RELATIVOS AO CRIMES DE RECEPTAÇÃO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. NÃO ACOLHIMENTO. MATERIALIDADE E AUTORIA DELITIVA COMPROVADAS. CREDIBILIDADE DOS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS CORROBORADAS PELAS PROVAS PRODUZIDAS JUDICIALMENTE. PEDIDO MINISTERIAL PARA CONDENAR OS RÉUS PELA PRÁTICA DO CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. POSSIBILIDADE. AUTORIA E MATERIALIDADE DEMONSTRADAS. QUEBRA DO SIGILO TELEFÔNICO DOS INVESTIGADOS, ONDE AS CONVERSAS REALIZADAS PELOS RÉUS, POR MEIO DO APLICATIVO DE WHATSAPP, DEMONSTRAM QUE ESTES SÃO INTEGRANTES DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA DENOMINADA DMP/TUDO 3. CONSEQUENTE REDIMENSIONAMENTO DAS REPRIMENDAS DIANTE DA CONDENAÇÃO PELO DELITO DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DOS FATOS QUE ENSEJARAM A DECRETAÇÃO DA CUSTÓDIA. MOTIVOS QUE AINDA PERSISTEM. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA, BASEADA EM ELEMENTOS CONCRETOS. RÉUS QUE PERMANECERAM CUSTODIADOS DURANTE TODA A INSTRUÇÃO CRIMINAL. PRESENTES OS REQUISITOS DOS ARTS. 312 E 313 DO CP. PARECER MINISTERIAL PELO NÃO PROVIMENTO DO INCONFORMISMO. PEDIDO DE DETRAÇÃO PENAL. NÃO CONHECIMENTO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO PARA AFERIR A EVENTUAL DETRAÇÃO PENAL DOS RÉUS. ISENÇÃO DAS CUSTAS PROCESSUAIS. NÃO ADMITIDA. AS CUSTAS PROCESSUAIS SÃO DEVIDAS PELOS CONDENADOS, CABENDO AO JUÍZO DE EXECUÇÃO AUFERIR A POSSIBILIDADE OU NÃO DO SEU PAGAMENTO. APELAÇÕES DEFENSIVAS CONHECIDAS, EM PARTE, E, NESTA EXTENSÃO, NEGADO PROVIMENTO AOS RECURSOS DAS DEFESAS DOS RÉUS, BEM COMO CONHECIDO O APELO MINISTERIAL E CONCEDIDO PROVIMENTO." Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 386, VII, do Código de Processo Penal e do art. 1º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013. Alega a insuficiência probatória para a condenação, inexistindo elementos concretos a identificar o recorrente como "Darling" ou comprovar sua liderança na suposta organização criminosa. Aduz ter a acusação se baseado em meras conjecturas, havendo inclusive prova documental a contradizer tal identificação. Argumenta, ademais, a conduta imputada não preencher os requisitos legais para caracterizar organização criminosa, por tratar-se de fato específico sem demonstração de estabilidade ou propósito de obter vantagem com infrações penais graves. Com contrarrazões (fls. 1406 - 1413), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 1414 - 1419), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (fls. 1511 - 1518). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem foi pautada na incidência da Súmula 284/STF. O agravante não impugnou a Súmula 284/STF de forma adequada, pois se limitou a mencionar que não se tratava da incidência da Súmula 7/STJ. Ao focar apenas na questão relacionada à Súmula 7/STJ, o agravante não abordou de maneira específica ou relevante os pontos exigidos pela Súmula 284/STF, deixando de apresentar argumentos que pudessem questionar sua aplicação no caso em questão. A Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do precedente: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intime-se. EMENTA