AREsp 2386961 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente a incidência da Súmula n. 7/STJ nem demonstrou, por meio de cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, que o conhecimento do recurso especial dispensaria o reexame de provas, tornando aplicáveis a Súmula n. 182/STJ...
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- Parties
- Agravante: ANTONIO ANGELO NETO; Agravado: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Impugnação Específica Às Razões De Inadmissão, Reexame De Provas, Aplicação Do Art. 932, III, CPC Por Força Do Art. 3º Do CPP, Competência Administrativa Do RISTJ
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Parties
ANTONIO ANGELO NETO
Agravante
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
Agravado
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula n. 7/STJ e necessidade de demonstração de que o conhecimento do recurso não demandaria reexame probatório
- 2 Consequências da ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissão (Súmula n. 182/STJ e art. 932, III, CPC aplicado ao processo penal)
- 3 Admissibilidade do agravo e do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente a incidência da Súmula n. 7/STJ nem demonstrou, por meio de cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, que o conhecimento do recurso especial dispensaria o reexame de provas, tornando aplicáveis a Súmula n. 182/STJ e o art. 932, III, do CPC (no processo penal, por força do art. 3º do CPP). A decisão foi proferida com fundamento no art. 34, inciso XVIII, alínea "a", do RISTJ.
Court Disposition
Não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ANTONIO ANGELO NETO contra a decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, que inadmitiu recurso especial apresentado contra acórdão proferido na Apelação Criminal n. 0002522-34.2016.4.03.6106. Em suas razões, o agravante reitera as razões de mérito do recurso inadmitido, acerca da atipicidade da conduta de crime contra a ordem tributária (art. 212 do Código Tributário Nacional) e violação ao art. 1º, I, e 2º, I, da Lei n. 8.137/90 e 386, III, do Código de Processo Penal. Requer o provimento do agravo para admitir-se o recurso especial e absolver o recorrente (fls. 3017-3043). Contrarrazões às fls. 3047-3050. O Ministério Público Federal manifesta-se pelo não conhecimento e não provimento do agravo em recurso especial (fls. 3070-3077). É o relatório. DECIDO. O agravo não pode ser conhecido. A Corte de origem inadmitiu o recurso especial diante do óbice contido nas Súmula n. 7 do STJ (fls. 3007-3014). Nas razões do agravo, contudo, a parte deixou de impugnar a incidência do referido impedimento. Com atinência à refutação do verbete sumular de número 7 desta Corte Superior, o agravante deixou de esclarecer, por meio do cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, de que forma o conhecimento da insurgência dispensaria o revolvimento probatório. Não houve sequer o cuidado de se contextualizar os dados concretos constantes do acórdão recorrido. Como se sabe, são insuficientes, para rebater a incidência da Súmula n. 7 do STJ, assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. O agravante deve demonstrar, com particularidade, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória dos autos (AgRg no AREsp 2176543/SC. Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 21/3/2023, DJe de 29/3/2023), o que não se verifica na hipótese. A propósito: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍF ICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. 1. A ausência de impugnação dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial impõe, conforme ressaltado na decisão monocrática recorrida, o não conhecimento do agravo em recurso especial. 2. No caso dos autos, a parte agravante deixou de infirmar, de maneira adequada e específica, as razões apresentadas pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, especificamente com relação à incidência da Súmula n. 7/STJ. 3. Nos termos da jurisprudência desta eg. Corte Superior, "para afastar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, não é bastante a mera afirmação de sua não incidência na espécie, devendo a parte apresentar argumentação suficiente a fim de demonstrar que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não é necessário reexame de fatos e provas da causa" (AgRg no AREsp n. 2.121.358/ES, relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27/09/2022, DJe de 30/09/2022.). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 2422499/SP. Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024 - grifamos) Conclui-se, portanto, que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade, uma vez que deixou de impugnar, de forma dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, ensejaram a inadmissão do recurso especial, o que faz incidir a Súmula n. 182/STJ e o comando do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável à seara processual penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Com igual conclusão: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. OFENSA. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INEXISTÊNCIA. MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMOU, DE FORMA CONCRETA E INDIVIDUALIZADA, TODOS OS FUNDAMENTOS DECLINADOS NA DECISÃO DE INADMISSÃO DO APELO NOBRE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A prolação de decisão monocrática não conhecendo do agravo em recurso especial é permitida no art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, a possibilidade de interposição de agravo regimental afasta a alegação de ofensa ao princípio da colegialidade. 2. Não hou ve concreta impugnação de todos os fundamentos declinados pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial. Incidência da Súmula n. 182/STJ mantida. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1871630/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023, DJe de 23/2/2023 - grifamos) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, inciso XVIII, alínea "a", do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA