AREsp 2495128 - ACORDAO
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não realizou impugnação específica e adequada dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (principalmente quanto à incidência da Súmula 83 do STJ), limitando-se à transcrição de ementas sem cotejo analítico e sem demonstrar a correlação jurídica...
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- Parties
- Agravante: Luís Carlos Amaral Aragão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento Do Agravo Regimental Contra Decisão Que Inadmitiu Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Negaram provimento ao agravo regimental (recurso desprovido).
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 284/stf (aplicada Por Analogia), Súmula 83/stj, Impugnação Específica, Cerceamento De Defesa, Agravo Regimental, Preclusão Temporal E Consumativa
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Parties
Luís Carlos Amaral Aragão
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento Do Agravo Regimental Contra Decisão Que Inadmitiu Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a parte agravante cumpriu o ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 Incidência da Súmula 83 do STJ
- 3 Aplicação analógica da Súmula 284 do STF por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não realizou impugnação específica e adequada dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (principalmente quanto à incidência da Súmula 83 do STJ), limitando-se à transcrição de ementas sem cotejo analítico e sem demonstrar a correlação jurídica entre fatos e norma, o que configura deficiência de fundamentação suscetível de aplicação analógica da Súmula 284 do STF e manutenção do óbice da Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Negaram provimento ao agravo regimental (recurso desprovido).
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. INADMISSÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NA FORMA DA SÚMULA 284 DO STF. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com fundamento na incidência do óbice previsto no enunciado da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia. 2. A parte agravante foi condenada em primeiro grau pela prática de homicídio simples, em concurso material, contra quatro vítimas, à pena de 33 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime fechado. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da defesa, mantendo a sentença condenatória. A defesa alegou cerceamento de defesa devido ao indeferimento de substituição de testemunhas em plenário, mas o Tribunal de origem considerou que houve preclusão temporal e consumativa. 3. O recurso especial interposto foi inadmitido pelo Tribunal a quo devido à incidência da Súmula 83 do STJ, por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial nos moldes legais. 4. Interposto o agravo em recurso especial, este foi inadmitido por ausência de fundamentação, conforme a Súmula 284 do STF. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 5. A questão em discussão consiste em saber se a parte agravante cumpriu o ônus de impugnar adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, especialmente no que tange à incidência da Súmula 83 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 6. A parte agravante deixou de demonstrar a impugnação específica e adequada dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade, conforme exigido pelo princípio da dialeticidade. 7. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico entre os precedentes citados e a situação dos autos não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 8. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação do óbice da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia, bem como da Súmula 182 do STJ por falta de impugnação específica. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação à decisão de inadmissibilidade de recurso especial deve ser clara e específica, demonstrando o equívoco dos fundamentos utilizados. 2. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 3. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação dos óbices das Súmulas 284 do STF, aplicada por analogia e 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.029; Código Penal, art. 334-A; Lei n. 4.117/1962, art. 70; Lei n. 9.472/1997, art. 183. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1.842.229/PR, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe 11/5/2023; STJ, AgRg no AR Esp 2.153.320/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 11/10/2022.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por Luís Carlos Amaral Aragão contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial. A decisão recorrida fundamentou-se na aplicação da Súmula 284/STF, sustentando que o recorrente não indicou precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou que seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional (e-STJ fls. 1.468-1.469). O recorrente, por sua vez, argumenta que a decisão de inadmissão do recurso especial padece de erro de julgamento ao encampar o acórdão do AgRg no AREsp 2.274.677, a respeito de hipótese subjacente à perda do direito de arrolamento de testemunhas, vencido o prazo do art. 422 do CPP. Alega que, no caso concreto, houve cerceamento de defesa decorrente do indeferimento de pedido de substituição de testemunha tempestivamente arrolada, apresentada em banca. Defende que a interpretação a ser conferida ao art. 422 do CPP, à luz da norma convencional do art. 8.2.f da CADH, deve ser expansiva, generosa e compreensiva, visando à máxima eficácia das garantias fundamentais ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal (e-STJ fls. 1474-1478). Requer a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do feito à Quinta Turma, a fim de que seja dado provimento ao recurso especial, pois o acórdão recorrido é contrário à jurisprudência dominante acerca do tema, ou que se determine a autuação do agravo como recurso especial. Ademais, pleiteia a reforma do acórdão recorrido, de modo a anular o julgamento popular e ordenar sua renovação, assegurada a inquirição da testemunha substituta apresentada em banca. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. INADMISSÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NA FORMA DA SÚMULA 284 DO STF. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com fundamento na incidência do óbice previsto no enunciado da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia. 2. A parte agravante foi condenada em primeiro grau pela prática de homicídio simples, em concurso material, contra quatro vítimas, à pena de 33 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime fechado. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da defesa, mantendo a sentença condenatória. A defesa alegou cerceamento de defesa devido ao indeferimento de substituição de testemunhas em plenário, mas o Tribunal de origem considerou que houve preclusão temporal e consumativa. 3. O recurso especial interposto foi inadmitido pelo Tribunal a quo devido à incidência da Súmula 83 do STJ, por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial nos moldes legais. 4. Interposto o agravo em recurso especial, este foi inadmitido por ausência de fundamentação, conforme a Súmula 284 do STF. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 5. A questão em discussão consiste em saber se a parte agravante cumpriu o ônus de impugnar adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, especialmente no que tange à incidência da Súmula 83 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 6. A parte agravante deixou de demonstrar a impugnação específica e adequada dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade, conforme exigido pelo princípio da dialeticidade. 7. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico entre os precedentes citados e a situação dos autos não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 8. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação do óbice da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia, bem como da Súmula 182 do STJ por falta de impugnação específica. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação à decisão de inadmissibilidade de recurso especial deve ser clara e específica, demonstrando o equívoco dos fundamentos utilizados. 2. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 3. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação dos óbices das Súmulas 284 do STF, aplicada por analogia e 182 do STJ". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.029; Código Penal, art. 334-A; Lei n. 4.117/1962, art. 70; Lei n. 9.472/1997, art. 183. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1.842.229/PR, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe 11/5/2023; STJ, AgRg no AR Esp 2.153.320/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 11/10/2022. VOTO Com efeito, o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento firmado anteriormente, sob pena de ser mantida a decisão combatida por seus próprios fundamentos. Nessa linha, não obstante o teor das razões suscitadas no presente agravo, não vislumbro elementos hábeis a alterar a decisão agravada, porquanto está devidamente fundamentada. Verifica-se nos autos que o recurso especial interposto pelo agravante foi inadmitido na forma do art. 83 do STJ, pois segundo a decisão de inadmissibilidade, o acórdão recorrido está consoante a jurisprudência consolidada do STJ. Interpôs-se agravo em recurso especial (fls. 1.431/1.437). Ocorre que a parte agravante se absteve de atacar especificamente o núcleo da decisão de inadmissão, consubstanciado na Súmula 83 do STJ. Tal omissão resultou na inadmissibilidade do agravo, desta vez por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284 do STF. A decisão agravada está assim fundamentada (e-STJ fls. 1.468-1.469): .. Mediante análise do recurso de LUIS CARLOS AMARAL ARAGÃO, verifica-se que incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Conforme orientação consolidada nesta Corte, o agravo em recurso especial deve impugnar, de maneira específica e fundamentada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem (art. 932, III, CPC e Súmula n. 182 do STJ). Portanto, a ausência de impugnação concreta da deficiência na fundamentação do recurso especial tornou o agravo em recurso especial manifestamente inadmissível. Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com fundamento na incidência do óbice previsto no enunciado da Súmula 182 do STJ, aplicada por analogia. 2. A parte agravante foi condenada em primeiro grau por delitos previstos nos artigos 334-A do Código Penal e art. 70 da Lei n. 4.117/1962, com penas de reclusão e detenção, além de inabilitação para dirigir veículo automotor. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da defesa e deu provimento ao recurso ministerial, alterando a classificação jurídica do delito de telecomunicação. 3. O recurso especial interposto não foi admitido pelo Tribunal "a quo" devido à incidência das súmulas 7 e 83 do STJ, por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial nos moldes legais. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a parte agravante cumpriu o ônus de impugnar adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, especialmente no que tange à incidência das súmulas 7 e 83 do STJ. III. Razões de decidir 5. A parte agravante não demonstrou a impugnação específica e adequada dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade, conforme exigido pelo princípio da dialeticidade. 6. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico entre os precedentes citados e a situação dos autos não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 7. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação do óbice da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia. IV. Dispositivo e tese 8. Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação à decisão de inadmissibilidade de recurso especial deve ser clara e específica, demonstrando o equívoco dos fundamentos utilizados. 2. A mera transcrição de ementas e a ausência de cotejo analítico não são suficientes para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ. 3. A falta de demonstração da correlação jurídica entre o fato e a norma legal impede a superação do óbice da Súmula 284 do STF, aplicada por analogia". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 1.029; Código Penal, art. 334-A; Lei n. 4.117/1962, art. 70; Lei n. 9.472/1997, art. 183. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1.842.229/PR, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe 11/5/2023; STJ, AgRg no AR Esp 2.153.320/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 11/10/2022. (AgRg no AREsp n. 2.543.958/MS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 26/6/2025) Assim, conclui-se que o recurso deixa de apresentar argumentos novos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado. Em suma, a decisão agravada deve ser mantida por seus próprios fundamentos, razão pela qual nego provimento ao agravo regimental. É o voto.