AREsp 2651797 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e específica todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial pelo Tribunal de origem, violando o dever de dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015) e atraindo a Súmula 182/STJ; além disso, não...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FAZENDA NACIONAL; Agravada: empresa agravada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissão Do Apelo Nobre, Impugnação Concreta, Súmula 182/stj, Súmula 83/stj, Tributação Dos Créditos Presumidos De ICMS Na Base De Cálculo Do IRPJ E Da CSLL
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Agravante
empresa agravada
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial pode ser conhecido quando não impugna especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Se a decisão recorrida estava em harmonia com a jurisprudência do STJ (Súmula 83) e se tal fundamento foi atacado adequadamente
- 3 Questão de mérito sobre exclusão dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (contexto fático)
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e específica todos os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial pelo Tribunal de origem, violando o dever de dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015) e atraindo a Súmula 182/STJ; além disso, não apresentou precedentes atuais que demonstrassem divergência da jurisprudência do STJ (Súmula 83), de modo que o agravo era inviável.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pela FAZENDA NACIONAL contra a decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO que inadmitiu recurso especial dirigido em oposição ao acórdão prolatado em remessa necessária e apelação cível. A empresa agravada impetrou mandado de segurança requerendo o afastamento da tributação dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Após sentença que concedeu a segurança, o acórdão negou provimento à remessa necessária e à apelação da Fazenda Pública. O Ministério Público manifestou-se pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 1397-1401). É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte de origem inadmitiu o apelo nobre diante da generalidade das alegações de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (Súmula n. 284 do STF) e porque o acórdão está em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça (Súmula n. 83 do STJ). Todavia, nas razões do agravo em recurso especial, a parte ora agravante não impugnou de maneira apropriada a fundamentação referente à Súmula n. 83 do STJ. Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Na espécie, a parte agravante cingiu-se a sustentar, dentre outras alegações, que: Ocorre que, data maxima venia, as decisões colacionadas pela Vice- Presidência do E. Tribunal Regional da Terceira Região não caracterizam estratificação jurisprudencial no âmbito do STJ. Deve-se destacar que tampouco houve julgamento de Recurso Especial sob a sistemática de recursos repetitivos acerca do tema em debate. Pertinente destacar que, recentemente, no AREsp 2.388.499/RS, a 2ª Turma desse Sodalício, por unanimidade, conheceu do Agravo para dar provimento ao R Esp da Fazenda Nacional, ante a não observância, pelo Tribunal de origem, das peculiaridades definidas no julgamento do REsp 1.945.110/RS (Tema 1.182/RR), acerca dos requisitos para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, previstos no art. 10 da LC 160/17 e no art. 30 da Lei 12.973/14, aplicando-lhe as razões de decidir daquele precedente qualificado. .. Constata-se, portanto, que a tese desenvolvida no recurso especial da União NÃO esbarra em jurisprudência estratificada do STJ a justificar a incidência do óbice da Sumula 83 desse Sodalício (fl. 1.377). Compulsando detidamente os autos, observo que o recorrente não cuidou de trazer qualquer julgado contemporâneo ao provimento judicial agravado e prolatado em moldura fática análoga, de forma a atestar que o acórdão recorrido não estaria em harmonia com a atual jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, nem comprovou que os precedentes apontados na decisão agravada seriam inaplicáveis à hipótese dos autos. Nessas condições, não se desobrigou do ônus de comprovar a incorreção do decisum que não admitiu o apelo nobre. Sabe-se que a jurisprudência utilizada como fundamento para inadmitir o recurso especial "deveria ter sido atacada mediante demonstração, por meio de julgados mais atuais, de que o entendimento do STJ não estaria no mesmo sentido, ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes em tópico (por meio de distinguishing), o que não ocorreu na espécie, impedindo, portanto, o conhecimento do agravo em recurso especial nesta parte" (AgInt no AREsp n. 2.460.525/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 24/6/2024). A propósito: .. 1. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 2. A adequada impugnação ao fundamento do juízo negativo de admissibilidade que aplicou a Súmula n. 83 desta Corte pressupõe a demonstração por meio de precedentes atuais de que a jurisprudência do STJ não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes através de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese (AgInt no AREsp n. 2.168.637/R S, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.147.724/RS, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 30/3/2023.) Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte Agravante não se insurge de maneira adequada contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. Em tempo, a ementa do mencionado julgado: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.