AREsp 2608214 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada, não comprovando a existência de precedentes atuais que demonstrassem divergência da jurisprudência do STJ ou que permitissem distinguishing, de modo que faltou o...
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- Parties
- Agravante: AGEMED SAÚDE S/A -EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissão Do Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos Da Decisão Agravada, Súmula 83 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
AGEMED SAÚDE S/A -EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial por ausência de impugnação específica
- 2 incidência da Súmula 83 do STJ
- 3 incidência da Súmula 182 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada, não comprovando a existência de precedentes atuais que demonstrassem divergência da jurisprudência do STJ ou que permitissem distinguishing, de modo que faltou o requisito de admissibilidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, atraindo a aplicação da Súmula 182/STJ e mantendo a incidência da Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Por tratar-se, na origem, de recurso interposto contra decisão interlocutória, na qual não houve prévia fixação de honorários, não incide a regra do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por AGEMED SAÚDE S/A -EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL (fls. 113-119) contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA que inadmitiu recurso especial manejado em face do acórdão prolatado no Agravo de Instrumento n. 5032203-81.2023.8.24.0000/SC e assim ementado (fl. 60): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. MULTA DO PROCON. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ACOLHIMENTO PARCIAL APENAS PARA DECLARAR A INEXIGIBILIDADE DOS JUROS DE MORA E MULTA DE MORA, A PARTIR DA DECRETAÇÃO DA LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INSURGÊNCIA DA EXECUTADA, QUE PRETENDE A EXTINÇÃO DA DEMANDA ANTE A APLICAÇÃO DA LEI N. 6.024/1974 EM DETRIMENTO DA LEI N.6.830/1980. LEI DE EXECUÇÃO FISCAL QUE É ESPECIAL E ULTERIOR À LEI DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NÃO SUJEIÇÃO DO DÉBITO PERSEGUIDO A CONCURSO DE CREDORES OU HABILITAÇÃO EM FALÊNCIA, CONCORDATA, LIQUIDAÇÃO, INVENTÁRIO OU ARROLAMENTO. DECISUM MANTIDO. JUROS DE MORA. CONSECTÁRIO EXIGÍVEL, SENDO APENAS CONDICIONADO À SUFICIÊNCIA DE ATIVOS DA PARTE DEVEDORA, APÓS A QUEBRA. POSSIBILIDADE DE PENHORA DE BENS DESDE QUE NÃO RECAIA SOBRE BEM DESTINADO A ASSEGURAR A MANUTENÇÃO DAS ATIVIDADES DA EMPRESA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Nas razões do recurso especial, a parte recorrente sustenta violação do art. 18, alínea f, da Lei 6.024/1974. Contrarrazões ao recurso especial apresentadas (fls. 85-99). A Vice-Presidência do Tribunal a quo não admitiu o recurso especial por entender, em suma, que: (i) a insurgência não impugna de forma específica e integral a conclusão exarada por esta Corte, de sorte que incidem no caso os óbices das Súmulas 283 e 284 do STF; (ii) o entendimento delineado nos acórdãos combatidos está em harmonia com a jurisprudência da Corte destinatária a respeito do tema, o que atrai a incidência da Súmula 83 do STJ (fls. 103-105). É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre, pois o aresto atacado estaria em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior (Súmula n. 83 do STJ), além dos outros fundamentos transcritos acima. Verifico, contudo, que a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial (fls. 113-119), não impugnou, de maneira específica, a fundamentação atinente a incidência da Súmula n. 83 do STJ, como também não cuidou de trazer nenhum julgado contemporâneo ao provimento judicial agravado e prolatado em moldura fática análoga, de forma a atestar que o acórdão recorrido não estaria em harmonia com a atual jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, nem sequer comprovou que os precedentes apontados na decisão agravada seriam inaplicáveis à hipótese dos autos. Nessas condições, não se desobrigou do ônus de comprovar a incorreção do decisum que não admitiu o apelo nobre. A propósito: .. 1. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 2. "A adequada impugnação ao fundamento do juízo negativo de admissibilidade que aplicou a Súmula n. 83 desta Corte pressupõe a demonstração por meio de precedentes atuais de que a jurisprudência do STJ não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes através de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese" (AgInt no AREsp n. 2.168.637/R S, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.147.724/RS, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 30/3/2023; sem grifo no original) Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte local para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Salienta-se, ainda, que este Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que "a Súmula 83 do STJ é de possível aplicação tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional" (AgInt no AREsp n. 1.900.711/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte agravante não se insurge de maneira adequada contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. A propósito, a ementa do mencionado julgado: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o a gravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Por tratar-se, na origem, de recurso interposto contra decisão interlocutória, na qual não houve prévia fixação de honorários, não incide a regra do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. SÚMULA N. 83 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.