AREsp 2677973 - DECISAO
O agravo é inadmissível porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissão (incidindo o comando dos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ); subsidiariamente, o recurso especial não seria conhecido por ser inviável o exame de matéria constitucional...
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- Parties
- Condenado: Mauridio Rodrigues dos Santos; Custos Legis: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Inadmissibilidade, Fundamentação Deficiente, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf
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Parties
Mauridio Rodrigues dos Santos
Condenado
Ministério Público Federal
Custos Legis
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por falta de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissão
- 2 possível violação dos arts. 41, 155, 315 §2º I, III e IV, e 564, V, do Código de Processo Penal
- 3 alegada violação do art. 93, IX, da Constituição Federal
Ratio Decidendi
O agravo é inadmissível porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissão (incidindo o comando dos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ); subsidiariamente, o recurso especial não seria conhecido por ser inviável o exame de matéria constitucional na via especial, por fundamentação deficiente quanto aos arts. 41, 155 e 564, V, do CPP (aplicando-se a Súmula 284/STF) e por falta de prequestionamento quanto ao art. 315, § 2º, I, III e IV, do CPP, por ausência de oposição de embargos de declaração ao acórdão recorrido.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ).
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial (fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal) apresentado contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Paraná (Apelação Criminal n. 0045170-10.2015.8.16.0014) que manteve a condenação de Mauridio Rodrigues dos Santos como incurso no crime tipificado no art. 333, parágrafo único, do Código Penal. Nas razões do recurso especial, a defesa do agravante suscitou violação dos seguintes dispositivos: arts. 41, 155, 315, § 2º, I, III e IV, e 564, V, todos do Código de Processo Penal; e art. 93, IX, da Constituição Federal (fls. 3.259/3.269). A Corte de origem inadmitiu o reclamo com fundamento na Súmula 7/STJ, bem como por reputar descabido o exame de matéria constitucional na via especial (fls. 3.283/3.287). Contra o decisum a defesa interpôs o presente agravo (fls. 3.320/3.333). Instado a se manifestar na condição de custos legis, o Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do recurso (fls. 3.378/3.385). É o relatório. O agravo é inadmissível. Conforme orientação jurisprudencial sedimentada nesta Corte, a decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). A Corte de origem inadmitiu o reclamo com fundamento na Súmula 7/STJ, bem como por reputar descabido o exame de matéria constitucional na via especial (fls. 3.283/3.287). O agravante, no entanto, não impugnou especificamente o segundo fundamento (fls. 3.320/3.333). Logo, o agravo é inadmissível (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ). Como fundamento subsidiário, acresço que, ainda que fosse possível conhecer do agravo, o recurso especial não seria conhecido. Primeiro, porque é descabido o reclamo no tocante à suposta violação do art. 93, IX, da Constituição Federal, pois é inviável o exame de matéria constitucional na via especial. De outra parte, no tocante à suposta violação dos arts. 41, 155 e 564, V, todos do Código de Processo Penal, o recurso padece de fundamentação deficiente pois o recorrente apenas suscitou genericamente violação desses preceitos, mas não demonstrou, no arrazoado, de que forma o acórdão atacado violou cada um deles, de modo que, em relação a esses dispositivos, incide o óbice da Súmula 284STF: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. VIOLAÇÃO. VERBETE SUMULAR. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 518/STJ. REEXAME DE PROVAS. CLÁUSULA. INTERPREÇÃO. SÚMULAS Nº 5 E 7/STJ. 1. É inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação quando o recurso especial deixa de indicar especificamente de que forma os dispositivos legais teriam sido violados. Aplicação, por analogia, da Súmula nº 284/STF. 2. A subsistência de fundamento não impugnado apto a manter a conclusão do aresto recorrido impõe o não conhecimento da pretensão recursal. Súmula nº 283/STF. 3. A Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que para fins do art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula (Súmula nº 518/STJ). 4. Na hipótese, acolher a tese pleiteada pela parte agravante exigiria exceder os fundamentos do acórdão impugnado e adentrar no exame das provas e cláusulas contratuais, procedimentos vedados em recurso especial, a teor das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.409.172/SP, Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe 18/9/2024 - grifo nosso). Por fim, no que se refere à suposta violação do art. 315, § 2º, I, III e IV, do Código de Processo Penal, o recurso especial padece de falta de prequestionamento. Ora, a Corte de origem n ão debateu eventual violação da norma processual em comento, sendo certo que, em se tratando de ilegalidade que surgiu na prolação do acórdão recorrido, incumbia à defesa apontar a referida questão mediante oposição de aclaratórios àquele aresto, o que não ocorreu no caso dos autos: .. 2. É importante rememorar que, nos casos em que a violação da lei federal surge no próprio acórdão recorrido, a jurisprudência do STJ é pacífica quanto à necessidade de oposição de embargos de declaração para viabilizar o acesso às instâncias superiores. .. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.013.103/RJ, Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 3/8/2017). Ante o exposto, não conheço do agravo (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ). Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES QUE NÃO LOGRARAM IMPUGNAR TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015, E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA 182/STJ. FUNDAMENTO SUBSIDIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 41, 155 E 564, V, TODOS DO CPP. INADMISSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 315, § 2º, I, III E IV, DO CPP. INADMISSIBILIDADE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. Agravo não conhecido.