AREsp 1863058 - DECISAO
Não conhecer do agravo em recurso especial porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (art. 932, III, CPC/art. 544, §4º, I, CPC/1973 e art. 253 RISTJ) e, superado tal óbice, o exame do mérito demandaria reexame de provas vedado pela Súmula...
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- Parties
- Agravante: ÍTALO THIAGO SILVA CUNHA; Demandado: Município (demandado)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 7/stj, Reexame De Prova, Excludente De Responsabilidade Do Agente Público, Nexo De Causalidade
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Parties
ÍTALO THIAGO SILVA CUNHA
Agravante
Município (demandado)
Demandado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do agravo por não impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 impossibilidade de reexame de provas em recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ
- 3 análise da responsabilidade civil do Estado e da excludente de responsabilidade do agente público
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo em recurso especial porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (art. 932, III, CPC/art. 544, §4º, I, CPC/1973 e art. 253 RISTJ) e, superado tal óbice, o exame do mérito demandaria reexame de provas vedado pela Súmula 7/STJ, diante do acórdão que afastou a responsabilidade da administração por várias razões.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de agravo interposto por ÍTALO THIAGO SILVA CUNHAcontra decisão que inadmitiu o recurso especial com base na Súmula 7/STJ. O agravante reitera a argumentação trazida no apelo extremo. É o relatório. Das razões expendidas, verifica-se que a parte insurgente não impugnou os fundamentos da decisão agravada, não realizando o necessário cotejo entre o acórdão recorrido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do referido óbice processual. Desse modo, forçosa é a incidência do disposto no art. 932, III, do CPC (correspondente ao art. 544, § 4º, I, do CPC/1973), segundo o qual não se conhece do agravo que não ataca inteiramente a decisão agravada, nos seguintes termos: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifo acrescido) .. . Ademais, consoante o art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". A propósito: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. .. 3. Conforme reiterada jurisprudência desta Corte, nos termos do art. 544, § 4º, I, do CPC/1973, o conhecimento do agravo em recurso especial está condicionado à impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que nega admissibilidade ao apelo nobre, sejam eles autônomos ou não. Precedentes. .. 5. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se nega provimento. (EDcl no AREsp 419.689/ES, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe 8/6/2016). Nesse sentido, os precedentes: AgInt no AREsp 880.709/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/6/2016; AgRg no AREsp 575.696/MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe 13/5/2016; AgRg no AREsp 825.588/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 12/4/2016; AgRg no REsp 1.575.325/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 1º/6/2016; e AgRg nos EDcl no AREsp 743.800/SC, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 13/6/2016. Ainda que superado o óbice processual, o exame do recurso especial demandaria incursão na seara probatória dos autos, o que não é possível tendo em vista a orientação fixada pela Súmula 7 do STJ, mormente quando o acórdão recorrido afastou por diferentes ângulos a possibilidade de responsabilização da administração: Nesse prumo. restou evidenciado que o Autor ora Apelante excedeu a sua conduta, extrapolando os limites da sua função, ao decidir sair por conta própria, em perseguição dos infratores de trânsito que desobedeceram a sua ordem de parar, assumindo assim o risco do resultado danoso, já que realizar perseguições em vias públicas municipais não integra as atribuições próprias de suas funções. Além do mais, existem nos autos documentos que comprovam que o Município demandado ofereceu o curso de capacitação aos agentes de trânsito devidamente aprovados no Concurso. em data anterior ao ocorrido, de acordo com os documentos de fls. 329/336. caindo por terra a tese de negligência suscitada pelo recorrente. Sendo assim, decidiu com bastante propriedade a Magistrada sentenciante, ao demonstrar claramente os motivos que sustentarem o seu convencimento pela excludente de responsabilidade do Estado, especialmente ao ressaltar que "o agente de trânsito deverá usar o bom senso e zelar pela segurança pessoal". Ademais, é de se ressaltar ainda que, em que pese todo sofrimento suportado pelo recorrente após ter sido baleado, o resultado do incidente de fato decorreu da sua própria conduta, ao decidir sair em perseguição dos infratores na motocicleta, mesmo estando ciente de que referidaatitude estaria extrapolando os limites da sua função. Logo, pelo cotejo probatório dos autos, clarividente está que o causador do dano não foi o ente público, inexistindo pois, obrigação de reparar civilmente o recorrente, por ausência do nexo de causalidade. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC de 2015, correspondente ao art. 544, § 4º, I, do CPC de 1973, c/c o art. 1º da Resolução STJ n. 17/2013, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se.