AREsp 1787572 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte não impugnou, de forma específica e no momento oportuno, todos os fundamentos que o Tribunal de origem apontou para inadmitir o recurso especial, notadamente a incidência da Súmula 282/STF, razão pela qual se manteve a decisão agravada.
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- Parties
- Agravante: JOSÉ FERNANDES GOLÇALVES SILVA E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso, Prequestionamento, Súmula 282/stf, Súmula 7/stj, Impugnação Específica Dos Fundamentos
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Parties
JOSÉ FERNANDES GOLÇALVES SILVA E OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 incidência da Súmula 282/STF por ausência de prequestionamento
- 3 obstáculo da Súmula 7/STJ quanto à reavaliação de prova
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte não impugnou, de forma específica e no momento oportuno, todos os fundamentos que o Tribunal de origem apontou para inadmitir o recurso especial, notadamente a incidência da Súmula 282/STF, razão pela qual se manteve a decisão agravada.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OSFUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1.A decisão hostilizada não conheceu do agravo em recurso especial por entender que a parte deixou de impugnar especificamente um dosfundamentos em que se pautou o Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, qual seja, Súmula 282/STF. 2. Em que pese as razões do presente agravo, a parte não infirmou, no momento oportuno, todos os óbices ao conhecimento do recurso especial aplicados pelo Tribunal de origem, motivo pelo qual a decisão agravada deve ser mantida. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO JOSÉ FERNANDES GOLÇALVES SILVA E OUTROS interpuseramagravo interno contra decisão da presidência desta Corte de Justiça que não conheceu do agravo em razão da não impugnação de todos os fundamentos da decisão recorrida. Sustentam os agravantes que: a)os argumentos dispendidos pelos recorrentes foram devidamente ventilados no Recurso, assim como houve o devido prequestionamento da matéria em que se busca o conhecimento e revaloração para julgamento por esta Corte de Justiça;b)muito embora a decisão recorrida não tenha feito menção expressa ao artigo de lei tido por violado,todos os fundamentos estavam presentes no Acórdão exarado pelo E.TJ/RO, o que é suficientepara o afastamento da incidência da Súmula 282/STF. É o necessário relatar. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OSFUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1.A decisão hostilizada não conheceu do agravo em recurso especial por entender que a parte deixou de impugnar especificamente um dosfundamentos em que se pautou o Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, qual seja, Súmula 282/STF. 2. Em que pese as razões do presente agravo, a parte não infirmou, no momento oportuno, todos os óbices ao conhecimento do recurso especial aplicados pelo Tribunal de origem, motivo pelo qual a decisão agravada deve ser mantida. 3. Agravo interno não provido. VOTO A pretensão não merece acolhida. O recurso especial teve seu processamento negado pela origem em razão dos seguintes fundamentos: a)as matéria dos art. 10 do CPC, acerca da violação ao princípio da não surpresa, art. 489, §1º, IV, do mesmo Codex, que dispõe sobre fundamentação da sentença e art. 372, também do CPC, sobre prova emprestada, não foram objeto de análise pelo Tribunal, razão pela qual o recurso especial não preenche o requisito constitucional do prequestionamento em relação aos dispositivos, atraindo o óbice disposto na Súmulas 282 do Supremo Tribunal Federal; b)sustentam que ao entender pela ausência do nexo de causalidade que pudesse atribuir à recorrida os danos ambientais, o acórdão contrariou os artigos 927, parágrafo único do CC e art. 14, §1º, da Lei 6.938/91, todavia o entendimento foi firmado com base nas provas existentes nos autos, de modo que a modificação dos fundamentos adotados, como pretendem os recorrentes, necessariamente perpassa pela análise do conjunto probatório, razão pela qual o seguimento do recurso especial encontra óbice na Súmula 07 do Superior Tribunal de Justiça; e c)Em relação à divergência jurisprudencial apontada, fica prejudicado o exame do dissídio, pois, em virtude da incidência da Súmula n. 7/STJ, não é possível encontrar similitude fática entre o aresto combatido e os acórdãos referidos. Todavia, nas razões do agravo em recurso especial, aparterecorrente limitou-se a impugnar apenas a incidência do óbice da Súmula 7/STJ, quedando-se inerte quanto à impugnação da Súmula 282/STF. Sendo assim, em que pese as razões do presente agravo, a parte não infirmou, no momento oportuno, todos os óbices ao conhecimento do recurso especial aplicados pelo Tribunal de origem, motivo pelo qual a decisão agravada deve ser mantida. Dessa forma, na esteira do entendimento desta Corte Superior, não obedece ao comando do art. 932, III, do CPC/2015, o agravo que não tenha atacado especifica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.