AREsp 2928628 - DECISAO
Houve nulidade no cadastramento das partes, razão pela qual a decisão de fls. 227/228 foi tornada sem efeito; quanto ao mérito da admissibilidade do Recurso Especial, a deficiência de fundamentação (ausência de indicação precisa dos dispositivos legais federais violados) impõe o não conhecimento do recurso com...
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- Parties
- Peticionante: ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Recorrente/agravante: MUNICÍPIO DE VOLTA REDONDA; Recorrente/agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Análise De Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Torno sem efeito a decisão de fls. 227/228; não conheço do recurso.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso, Súmula N. 284/stf, Honorários Advocatícios, Nulidade Por Cadastramento De Partes
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Parties
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Peticionante
MUNICÍPIO DE VOLTA REDONDA
Recorrente/agravante
OUTRO
Recorrente/agravante
Procedural Posture
Agravo / Análise De Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se houve nulidade processual em razão de cadastramento incorreto das partes
- 2 Se a deficiência de fundamentação impede o conhecimento do recurso especial nos termos da Súmula n. 284/STF
- 3 Aplicação do art. 85, § 11, do CPC para majoração de honorários advocatícios
Ratio Decidendi
Houve nulidade no cadastramento das partes, razão pela qual a decisão de fls. 227/228 foi tornada sem efeito; quanto ao mérito da admissibilidade do Recurso Especial, a deficiência de fundamentação (ausência de indicação precisa dos dispositivos legais federais violados) impõe o não conhecimento do recurso com fundamento na Súmula n. 284/STF; havendo fixação prévia de honorários nas instâncias de origem, determina-se sua majoração em 15% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Torno sem efeito a decisão de fls. 227/228; não conheço do recurso.
Orders
- Torno sem efeito a decisão de fls. 227/228
- Não conheço do recurso
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de petição protocolada pelo ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra decisão de fls. 227/228, que não conheceu do recurso. Em suas razões, sustenta a requerente, em síntese, que o Estado do Rio de Janeiro não é parte no processo, e sim o Município de Volta Redonda, o que ocasionou a nulidade. Requer, assim, o acolhimento do seu pedido com a retificação necessária. É o relatório. Decido. De fato, houve equívoco no cadastramento das partes na autuação do feito. Conforme fls. 180/189 e 205/211, a parte recorrente/agravante é o Município de Volta Redonda, sendo que o Estado do Rio de Janeiro não faz parte da lide. Ante o exposto, ante a nulidade, torno sem efeito a decisão de fls. 227/228. No mais, tendo em vista que a autuação já foi retificada, passo a uma nova análise dos autos. Cuida-se de Agravo interposto por MUNICÍPIO DE VOLTA REDONDA e OUTRO, à decisão que inadmitiu Recurso Especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Por meio da análise do referido recurso, verifica-se que incide a Súmula n. 284/STF, porquanto a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26.6.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4.5.2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14.8.2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29.6.2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14.8.2020; REsp n. 1.114.407/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18.12.2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17.12.2009. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Ante o exposto, ante a nulidade, torno sem efeito a decisão de fls. 227/228. E, por fim, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso nos termos acima expostos. Publique-se. Intimem-se. EMENTA