AREsp 3090993 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, que se assentou na inexistência de omissão/falha de fundamentação e na inaplicabilidade da via especial para matéria constitucional (Tema 793);...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE PRAIA GRANDE; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 January 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade (inadmissão Do Recurso Especial)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso, Princípio Da Dialeticidade, Direcionamento De Obrigação Entre Entes Federados, Honorários Advocatícios
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Parties
MUNICIPIO DE PRAIA GRANDE
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade (inadmissão Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Se houve omissão do Tribunal a quo quanto à determinação do direcionamento da obrigação de fornecimento de medicamentos/serviço de saúde
- 2 Se o acórdão do Tribunal de origem careceu de fundamentação nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 3 Se é admissível analisar matéria constitucional (Tema 793/STF) em recurso especial para fins de prequestionamento
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, que se assentou na inexistência de omissão/falha de fundamentação e na inaplicabilidade da via especial para matéria constitucional (Tema 793); aplica-se o princípio da dialeticidade e os arts. 932, III, do CPC e 253, p. ú., I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Agravo não conhecido.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários pelas instâncias de origem, majoro-os em desfavor da parte agravante em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites dos §§ 2º e 3º e legislações aplicáveis.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MUNICIPIO DE PRAIA GRANDE contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado na alínea "a" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (fl. 253): "Ação de obrigação de fazer. Realização de cirurgia. Nefrectomia Total de Rim Direito. Determinação de realização do procedimento cirúrgico e tratamento pós operatório. Antecipação de tutela confirmada pela sentença de procedência. Condição de saúde da autora comprovada por relatórios e exames médicos. Procedimento previsto no rol da ANS. Presença dos requisitos legais aplicáveis. Cirurgia realizada. Procedência mantida. Recurso oficial não provido". Não foram opostos embargos de declaração. Em seu recurso especial de fls. 266-279, a parte recorrente sustenta que o decisum violou os artigos 1.022, inciso II e parágrafo único, inciso II e 489, § 1º, incisos IV e VI e 927, inciso III, todos do Código de Processo Civil. Nessa perspectiva, argumenta que o Tribunal a quo foi omisso quanto ao direcionamento da obrigação de fornecimento de medicamentos para o Estado de São Paulo. Pontua, ainda, fragmento do Tema n. 793, fixado em sede de repercussão geral, segundo o qual "compete à autoridade judicial direcionar o cumprimento conforme as regras de repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o ônus financeiro" (fls. 270-271). Por fim, defende que "a r. decisão ora recorrida não se sustenta, pois contraria o disposto pelos artigos 927, IV e 1.013, todos do Código de Processo Civil" (fl. 279). O Tribunal de origem, às fls. 328-329, não admitiu o recurso especial, sob os seguintes fundamentos: "(..) De início, a apregoada afronta aos artigos 489 e 1022 do Código de Processo Civil não enseja a abertura da via especial porque o acórdão não está desprovido de fundamentação. Deve observar-se que a motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo decidido, não se traduz em maltrato às normas apontadas como violadas. Ademais, verifica-se que o posicionamento apresentado pelos doutos Julgadores, embora contrário às pretensões da recorrente, não traduz desrespeito à legislação, condição para o prosseguimento do recurso sob exame. Consigne-se, ademais, que a tese sob exame somente pode ser analisada por meio do recurso especial em casos nos quais não dirimida a controvérsia à luz da Carta Magna. Nestes autos, valeu-se a douta Turma Julgadora da interpretação de tema constitucional (tema sob nº 793/STF) para alcançar a exegese conferida ao caso concreto, hipótese essa estranha à esfera de admissibilidade do recurso especial. Nesse sentido: AgRg no AREsp 653.370/PR, 2ª Turma, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe de 30/09/2015; AgRg no REsp 1549797/CE, 1ª Turma, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe de 19/11/2015 e AREsp 1.787.217/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe de 18/01/2021. Inadmito, pois, o recurso especial (págs. 266-79) com fundamento no art. 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil". Em seu agravo, às fls. 332-340, a parte agravante, aduz que "a omissão do Tribunal a quo não se refere a "pontos irrelevantes", como sugere a decisão agravada, mas sim a aspectos centrais da controvérsia" (fl. 336). Outrossim, manifesta que "embora o Tema 793 tenha sido fixado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Recurso Extraordinário, a sua aplicação prática e as consequências dela advindas, como o direcionamento da obrigação e o ressarcimento entre os entes federados, envolvem, necessariamente, a interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais, notadamente a Lei nº 8.080/90 (Lei Orgânica da Saúde), (..) bem como o próprio Código de Processo Civil" (fl. 337). No mais, reprisa fragmentos da petição do recurso especial. É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. A decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se em três fundamentos distintos e autônomos, quais sejam: (i) - inexistência de ofensa aos artigos 489 e 1.022, ambos do Código de Processo Civil, e de negativa de prestação jurisdicional, uma vez que a Corte de origem manifestou-se sobre todas as questões jurídicas ou fatos relevantes para o julgamento da causa; (ii) - "o posicionamento apresentado pelos doutos Julgadores, embora contrário às pretensões da recorrente, não traduz desrespeito à legislação", situação a atrair a incidência do enunciado 284 da Súmula do STF, por analogia, ante a impossibilidade de compreensão integral da controvérsia, frente à fundamentação recursal deficiente; e (iii) - impossibilidade de análise de matéria constitucional em sede de recurso especial, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Todavia, nota-se que em seu agravo, a parte recorrente não refutou, de forma fundamentada, nenhum dos argumentos do decisum de inadmissibilidade, os quais, à míngua de impugnação específica e pormenorizada, permanecem hígidos, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar a fundamentação do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, a parte agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Nesse sentido: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido". (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Deverão ser observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do dispositivo legal acima referido, bem como eventuais legislações extravagantes que tratem do arbitramento de honorários e as hipóteses de concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC E 253, P. Ú, I, DO RISTJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.