AREsp 1879856 - DECISAO
Conheceu-se do agravo por tempestividade, mas não se conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento dos arts. 155 e 156 do CPP, sujeitando-se à Súmulas 282 e 356/STF, e porque as alegações referentes ao art. 386, VII, do CPP e ao art. 69-A da Lei n. 9.605/1998 implicam reexame de matéria...
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- Parties
- Agravante: Gilmar Michel Poyer; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0003491-36.2015.8.24.0037); Custos Legis: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmulas 282 E 356/stf, Prova, Dolo, Art. 69 a Da Lei N. 9.605/1998, Arts. 155 E 156 Do CPP, Art. 386, VII, Do CPP
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Parties
Gilmar Michel Poyer
Agravante
Tribunal de Justiça de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0003491-36.2015.8.24.0037)
Tribunal a Quo
Ministério Público Federal
Custos Legis
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 exigência de prequestionamento para conhecimento do recurso especial
- 2 vedação ao reexame de matéria fático-probatória pela Súmula 7/STJ
- 3 eventual violação dos arts. 155 e 156 do CPP não suscitada por embargos de declaração
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo por tempestividade, mas não se conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento dos arts. 155 e 156 do CPP, sujeitando-se à Súmulas 282 e 356/STF, e porque as alegações referentes ao art. 386, VII, do CPP e ao art. 69-A da Lei n. 9.605/1998 implicam reexame de matéria fático-probatória, obstado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que ina dmitiu o recurso especial (com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal) apresentado contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0003491-36.2015.8.24.0037) que manteve a condenação de Gilmar Michel Poyer como incurso no crime ambiental tipificado no art. 69-A, caput, da Lei n. 9.605/1998. Nas razões do recurso especial, a defesa do agravante suscitou violação dos seguintes dispositivos de lei federal: arts. 155, 156 e 386, VII, todos do Código de Processo Penal; e art. 69-A da Lei n. 9.605/1998 (fls. 1.146/1.162). A Corte de origem inadmitiu o recurso com fundamento na Súmula 7/STJ (fls. 1.190/1.195). Contra o decisum a defesa interpôs o presente agravo (fls. 1.206/1.222). Instado a se manifestar na condição de custos legis, o Ministério Público Federal opinou pela inadmissão do recurso especial, nos termos do parecer assim ementado (fl. 685): AGRAVOS EM RECURSOS ESPECIAIS. CRIME AMBIENTAL (ART. 69-A, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998). CONDENAÇÃO. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA, AUSÊNCIA DE DOLO NA CONDUTA E IMPRESTABILIDADE DA PROVA UTILIZADA PARA A CONDENAÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO- PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚMULA N.º 7/STJ. Parecer pelo conhecimento dos agravos, para não conhecer dos recursos especiais. É o relatório. O agravo é admissível, pois é tempestivo e impugnou o fundamento da decisão de inadmissão. De outra parte, no que se refere ao recurso especial em si, não há dúvida de que a insurgência é manifestamente inadmissível. Inicialmente, verifico que a Corte de origem não debateu eventual vulneração ao conteúdo dos arts. 155 e 156, ambos do CPP, tampouco eventual omissão na análise desses preceitos foi suscitada pelo embargante em sede de aclaratórios opostos às fls. 1.050/1.061, de modo que, nesse aspecto, incide às Súmulas 282 e 356/STF. Ressalto, nesse particular, que, ainda que a pretensa violação de lei federal tivesse surgido na prolação do acórdão recorrido, seria indispensável a oposição de embargos de declaração ao acórdão impugnado e a indicação desses preceitos como objeto de omissão, de modo a viabilizar que a Corte de origem debatesse o conteúdo normativo de tais normais (REsp n. 1.384.899/PE, de minha relatoria, Sexta Turma, DJe 23/9/2015), o que não ocorreu na espécie. No mesmo sentido, confira-se: .. 2. É importante rememorar que, nos casos em que a violação da lei federal surge no próprio acórdão recorrido, a jurisprudência do STJ é pacífica quanto à necessidade de oposição de embargos de declaração para viabilizar o acesso às instâncias superiores. .. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.013.103/RJ, Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 3/8/2017). No que se refere à suposta violação dos arts. 386, VII, do Código de Processo Penal e. 69-A da Lei n. 9.605/1998, não há dúvida de que a insurgência encontra óbice na Súmula 7/STJ. Ora, a Corte de origem, soberana na análise dos elementos probatórios coligidos, firmou que há prova suficiente do crime e do dolo do agravante na prática delitiva (fls. 937/939): .. No tocante às araucárias, por outro lado, é certo que elas existiam naquela área, pois estão estampadas nas fotografias de fls. 11-13, mas não foram discriminadas no corqui de fl. 117 do processo VEG/68172/CRP, como quer fazer acreditar o réu Diego. Também quanto à vegetação em estágio avançado de regeneração, não há por que questionar o auto pericial, tendo em vista que foi elaborado por profissionais competentes e que, como apontado pela Parquet, não considerou isoladamente as imagens de satélite, mas também as cepas e a floresta remanescente ao redor. Aliado a isso está o relatório elaborado anteriormente pela Polícia Militar Ambiental, que registrou a presença, nas adjacências, de diversas espécie indicadoras de estágio avançado, conforme o art. 3º, III, "n", da Resolução n. 4/1994 do CONAMA e que bem observou que, não somente os tipos de árvores, mas até mesmo a área basal superior a 20 metros quadrados, calculada pelo réu Diego, reforça a conclusão dos Policiais, pois é também caracterizadora de estágio avançado de regeneração, segundo a alínea "a" do supracitado dispositivo. Logo, é evidente que os réus inseriram informação falsa nos documentos, referente ao estágio de regeneração da vegetação, e omitiram a existência, no local, de espécie ameaçada de extinção. Em relação ao dolo dos acusados, também não restam dúvidas pois a araucária é uma espécie que se destaca visivelmente das demais, além de o acusado Gilmar ter confirmado que havia árvores do tipo em meio à vegetação secundária. E ainda que sua supressão pudesse ser abarcada pela exceção do art. 39 do Decreto n. 6.660/1998, isso somente poderia ser aferido pelo órgão ambiental se a exitência das árvores estivesse descrita nos documentos que acompanharam o requerimento de supressão da vegetação. Ademais, no que tange ao estágio de regeneração, ressalta-se que os réus são especialistas e que, assim como os Policiais que elaboraram o relatório e o auto pericial já mencionado, tinham condições de verificar que a floresta ali existente estava em estágio avançado de regeneração. Reitera-se que o réu Gilmar até mesmo registrou à fl. 35 que a área basal no local era superior a 20 metros quadrados por hectare, além de ter mencionado no inventário de fls. 37-38 a presença de árvores da espécie canela branca, a qual é indicativa de estágio avançado de regeneração, o que demonstra que, tanto o engenheiro ambiental, quando o acusado Diego, tinham elementos suficientes para concluir diversamente a respeito do enquadramento da área, em observância às disposição da Resolução n. 4/1994 do CONAMA. Portanto, estão suficientemente comprovadas a materialidade do crime, a autoria delitiva e o dolo dos réus. .. Inviável rediscutir tais conclusões sem proceder ao reexame dos elementos de prova, providência essa vedada nos termos da Súmula 7/STJ. Sobre o tema, destaco: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO. ALEGAÇÃO DE OFENSA A DISPOSITIVO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. DESCABIMENTO. PLEITO ABSOLUTÓRIO. RECONHECIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. INVIABILIDADE. REEXAME DA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. 1. É incabível, na via eleita, o exame de violação de dispositivos constitucionais, cuja competência é reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição Federal. 2. Na hipótese dos autos, o acolhimento da pretensão recursal, no sentido de reconhecer a insuficiência de provas para condenação, ou a atipicidade da conduta por ausência de dolo, além da ocorrência de coação moral irresistível e da redutora de participação de menor importância, demanda o necessário reexame fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.026.543/RS, de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 24/5/2022, DJe de 27/5/2022 - grifo nosso). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME AMBIENTAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 155 E 156, AMBOS DO CPP. INADMISSIBILIDADE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 386, VII, DO CPP, E DO ART. 69-A DA LEI N. 9.605/1998. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.