AREsp 2453255 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não atacou de forma específica todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem, limitando-se a alegações genéricas sobre a inaplicabilidade da Súmula 7 e à repetição das razões do recurso especial quanto à divergência...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MEDLEY FARMACEUTICA LTDA; Relatora/decisora: Ministra Assusete Magalhães
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
- Outcome
- negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Divergência Jurisprudencial, Preclusão, Negativa De Prestação Jurisdicional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MEDLEY FARMACEUTICA LTDA
Agravante
Ministra Assusete Magalhães
Relatora/decisora
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 se a agravante impugnou de forma específica os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 aplicabilidade da Súmula 182 do STJ por insurgência genérica
- 3 limites da Súmula 7 do STJ quanto ao revolvimento do acervo fático-probatório
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não atacou de forma específica todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem, limitando-se a alegações genéricas sobre a inaplicabilidade da Súmula 7 e à repetição das razões do recurso especial quanto à divergência jurisprudencial, o que autoriza a incidência da Súmula 182 do STJ e a manutenção da inadmissibilidade.
Court Disposition
negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 11/06/2024 a 17/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNADO DE FORMA ESPECÍFICA O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 182 DO STJ. SÚMULA N. 7 DO STJ. INSURGÊNCIA GENÉRICA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A parte agravante, no agravo em recurso especial, deixou de impugnar de forma específica, o fundamento da decisão que não admitiu o recurso especial na origem. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MEDLEY FARMACEUTICA LTDA contra decisão proferida pela Ministra Assusete Magalhães, por meio da qual não foi conhecido o respectivo agravo em recurso especial (fls. 872-875). Pondera a parte agravante que não deve incidir, ao caso, a Súmula n. 182 do STJ, pois todos os óbices constantes da decisão de inadmissibilidade do apelo nobre na origem foram devidamente infirmados. Especificamente, destaca que foram impugnados os fundamentos de incidência da Súmula n. 7 do STJ (aplicado relativamente às questões da higidez da CDA, comprovação de comunicação ao fisco e renovação do seguro com acréscimo de 30%) e de descumprimento dos requisitos legais e regimentais, no tocante à divergência jurisprudencial. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNADO DE FORMA ESPECÍFICA O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 182 DO STJ. SÚMULA N. 7 DO STJ. INSURGÊNCIA GENÉRICA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A parte agravante, no agravo em recurso especial, deixou de impugnar de forma específica, o fundamento da decisão que não admitiu o recurso especial na origem. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO A despeito dos argumentos veiculados no presente recurso, a insatisfação não merece provimento. Verifica-se que, no que concerne à Súmula n. 7 do STJ, a parte agravante restringiu-se a afirmar, de maneira genérica, que não se trata de revolvimento do acervo fático-probatório, não tendo esclarecido, à luz das teses veiculadas no apelo nobre, especialmente, cotejando a fundamentação do acórdão recorrido, de que forma o exame daquelas prescindiria da análise de elementos probantes, tal como explicitado na decisão que não admitiu o recurso especial. Destaca-se que a agravante limitou-se a afirmar que não havia dúvidas quanto à comunicação expressa ao fisco acerca da extinção da empresa, sem, contudo cotejar a fundamentação do acórdão recorrido quanto a este ponto, de modo a não infirmar o fundamento da decisão de inadmissibilidade na origem, que asseverou não haver comprovação da informação oportuna do negócio jurídico ao fisco, à luz do Tema n. 1.049 do STJ, in verbis: "A execução fiscal pode ser redirecionada em desfavor da empresa sucessora para cobrança de crédito tributário relativo a fato gerador ocorrido posteriormente à incorporação empresarial e ainda lançado em nome da sucedida, sem a necessidade de modificação da Certidão de Dívida Ativa, quando verificado que esse negócio jurídico não foi informado oportunamente ao fisco " (fl. 783). A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Observa-se que a ora agravante alega, em agravo interno, que não questiona a delimitação do quadro fático, mas reputa-o incompleto, afirmando haver negativa de prestação jurisdicional. No entanto, destaca-se que não foi apontada negativa de prestação jurisdicional em sede de recurso especial, sendo este momento processual inadequado para aduzir referida alegação, por ocorrência de preclusão consumativa. Outrossim, quanto ao óbice de descumprimento dos requisitos legais e regimentais, no tocante à divergência jurisprudencial, verifica-se que a agravante ateve-se a repetir as razões do recurso especial, não impugnando especificamente o fundamento da decisão de inadmissibilidade na origem, que asseverou não ter havido o devido cotejo analítico, sendo insuficiente a mera transcrição de ementas ou excertos de votos (fl . 784). Portanto, inarredável a incidência da Súmula n. 182/STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ilustrativamente: .. 2. Em se tratando de agravo em recurso especial, a parte agravante deve impugnar todos os fundamentos da decisão que negou admissibilidade ao recurso especial na origem, ainda que tais fundamentos se refiram a pontos autônomos em relação à matéria principal debatida no recurso especial, sob pena de incidência do teor do art. 932, III, do CPC/2015 e da aplicação, por analogia, da Súmula nº 182 do STJ. .. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.179.576/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.