AREsp 2614551 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a parte recorrente deixou de impugnar especificamente e de forma concreta os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal a quo (notadamente a incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ), não demonstrando os elementos necessários para afastar tais óbices; assim,...
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- Parties
- Agravante/recorrente: RIZIVALDO SANTOS MARTINS; Órgão Prolator Da Decisão Agravada: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA - TJBA; Agravado/contrarrazões: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos Da Decisão Agravada, Incidência Das Súmulas 7 E 83 Do STJ, Aplicação Da Súmula 182 Do STJ, Dosimetria Da Pena
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Parties
RIZIVALDO SANTOS MARTINS
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA - TJBA
Órgão Prolator Da Decisão Agravada
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
Agravado/contrarrazões
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se a defesa impugnou de forma específica e concreta os fundamentos da decisão de inadmissibilidade (Súmulas 7 e 83 do STJ)
- 2 Se, diante da ausência de impugnação específica, o agravo em recurso especial pode ser conhecido
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a parte recorrente deixou de impugnar especificamente e de forma concreta os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal a quo (notadamente a incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ), não demonstrando os elementos necessários para afastar tais óbices; assim, aplicando-se por analogia a Súmula 182 do STJ e os arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, o agravo não ultrapassa o juízo de admissibilidade.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Com base nos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo de RIZIVALDO SANTOS MARTINS contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA - TJBA que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 0005102-33.2006.8.05.0113. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática do delito tipificado no art. 121, § 2º, I e IV, do do Código Penal - CP (homicídio qualificado), à pena de 19 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado (fl. 263). Recurso de apelação interposto pela defesa foi parcialmente provido, a fim de reconhecer como preponderante a atenuante da confissão e, assim, redimensionar a pena para 18 anos de reclusão, mantido o regime fechado (fl. 398). Em sede de recurso especial (fls. 000/111), a defesa apontou violação ao art. 59 do CP, porque o TJ manteve a negativação das vetoriais culpabilidade e consequências do delito, a despeito da inexistência de fundamentação idônea para tanto. Aduziu que a suposta premeditação do acusado foi baseada em testemunha de "ouvir dizer" e, além disso, a frase imputada ao réu sequer demonstraria verdadeiro planejamento do delito. De outro lado, argumentou que o fato de a vítima ter deixado algum ente querido é circunstância natural da morte, inerente, pois, ao tipo penal de homicídio, não podendo ser utilizado para agravar a pena. Requereu a fixação da pena no mínimo legal. Contrarrazões do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA (fls. 435/439). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão de: a) óbice da Súmula n. 83 do Superior Tribunal de Justiça - STJ; e b) óbice da Súmula n. 7 do STJ (fls. 440/448). Em agravo em recurso especial, a defesa não impugnou os referidos óbices (fls. 470/476). Contraminuta do Ministério Público (fls. 481/484). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fl. 504). É o relatório. Decido. O agravo não pode ser conhecido. Na espécie, a defesa deixou de impugnar de forma concreta e específica os fundamentos da decisão de inadmissibilidade da origem, consistentes nos seguintes óbices: Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ. Conforme é cediço, faz-se necessária a impugnação específica, concreta e pormenorizada de todos os fundamentos da decisão agravada, não sendo suficiente a mera afirmação de não ser caso de incidência de determinado óbice, sem explicitar-se as razões que sustentariam tal alegação. Verifica-se que a defesa apenas trata da não incidência dos óbices em questão de forma genérica e abstrata, sem demonstrar efetivamente que, no caso concreto, eles não incidiriam. Senão, vejamos. Quanto à Súmula n. 7 do STJ, verifica-se que a parte cinge-se a alegar que "não objetiva a defesa qualquer reabertura da instrução probatória ou reexame da prova, mas tão somente trazer elementos para fins de revaloração da prova, a fim de que seja realizado o recálculo dosimétrico atinente a 1ª fase da dosimetria da pena com a consequente aplicação da pena-base em seu patamar mínimo" (fl. 474). Assim, não há efetiva impugnação do óbice sumular aplicado. Com efeito, mostra-se insuficiente a mera alegação genérica de não incidência do óbice em questão, em face de eventual desnecessidade de revolvimento de matéria fático-probatória. A discussão, assim, manteve-se tão só no plano abstrato, sem descer às especificidades do caso concreto. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que "inadmitido o recurso especial com base na Súm. 7 do STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. O cotejo com as premissas fáticas de que partiu o aresto faz-se imprescindível" (AgInt no AREsp n. 600.416/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18/11/2016). A propósito (grifos nossos): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS ESPECÍFICOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. MANTIDA A DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. É ônus do agravante impugnar as causas específicas de inadmissão do recurso especial, sob pena de incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Na hipótese, é acertada a decisão da Presidência deste Tribunal Superior que não conhece do agravo em recurso especial interposto, uma vez que a defesa deixou de refutar, especificamente, os fundamentos de inadmissibilidade referente às Súmulas n. 284 do STF e 7 do STJ, bem como à ausência de cotejo analítico. 3. São insuficientes, para atender à dialeticidade recursal, alegações genéricas de que o recurso especial preenche todos os requisitos para ser admitido, tampouco se admite a "impugnação implícita" aos óbices apontados pelo Tribunal de origem, como pretende o agravante. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.379.751/PI, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 24/10/2023, DJe de 30/10/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..). 2. Da análise da presente insurgência conclui-se que a parte interessada não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sobretudo no que tange à incidência das Súmulas 7 e 83/STJ. 3. A jurisprudência do STJ é assente no sentido de que "inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada ou simplesmente a insistência no mérito da controvérsia. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que possa justificar o afastamento do citado óbice processual.". 4. Tendo em vista que a Corte de origem invocou a Súmula 83/STJ como fundamento para inadmitir o Recurso Especial, a efetiva impugnação desta decisão exige indicação de precedentes contemporâneos ou posteriores aos mencionados na decisão combatida, demonstrando-se, por adequado confronto analítico, que o entendimento jurisprudencial do STJ é diverso ou que a situação em análise difere substancialmente dos precedentes invocados pelo Tribunal a quo, o que não ocorreu na espécie. 5. Na sessão de 19.9.2018, no julgamento dos EAREsps 701.404/SC, 746.775/PR e 831.326/SP, a Corte Especial decidiu, interpretando a Súmula 182/STJ, que esta se aplica para não conhecer de todo o Recurso nas hipóteses em que o recorrente impugna apenas parte da decisão recorrida, ainda que a parte impugnada seja capítulo autônomo em relação à parte não impugnada. 6. Nos termos da jurisprudência do STJ, a decisão que não admite o Recurso Especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do Recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 7. Não se conhece de Agravo em Recurso Especial que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 253, I, do RISTJ e do art. 932, III, do CPC/2015. 8. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.140.071/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Por outro lado, quanto ao óbice da Súmula n. 83 do STJ, a defesa deixou completamente de rebatê-lo. Ou seja, não demonstrou que, ao contrário do afirmado pela decisão agravada, a jurisprudência deste Sodalício teria se consolidado em sentido contrário ao enten dimento do Tribunal local. A jurisprudência desta Corte determina que " n ão basta, para afastar o óbice da Súmula 83 do STJ, a alegação genérica de que o acórdão recorrido não está em consonância com a jurisprudência desta Corte, devendo a parte recorrente demonstrar que outra é a (STJ, AgInt no AREsp 1.685.430/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/11/2020). Dessa forma, conclui-se que a parte não impugnou devidamente a incidência dos óbices indicados na decisão que inadmitiu o apelo nobre. Portanto, aplicável, por analogia, a Súmula n. 182 do STJ, que dispõe ser "inviável o agravo do art. 545 do Código de Processo Civil - CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Igualmente, o art. 932, III, do Código de Processo Civil - CPC e o art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno desta Corte dispõem que não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Nessa esteira (grifos nossos): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. ÓBICES DAS SÚMULAS N. 7 E 83/STJ E 282/STJ NÃO INFIRMADOS PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ônus da parte recorrente, obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia. 2. Para impugnar a incidência da Súmula n. 83 desta Corte, o agravante deve demonstrar que os precedentes indicados na decisão agravada são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ. 3. Para se afastar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, inviável a mera afirmação de sua não incidência na espécie, devendo o recorrente apresentar argumentação suficiente demonstrando que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não se faz necessário reexame de fatos e provas da causa. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.231.715/PB, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 11/4/2023, DJe de 14/4/2023.) Desse modo, o presente agravo em recurso especial não ultrapassa o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com base nos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA