AREsp 2709133 - DECISAO
Por não terem os agravantes impugnado de forma específica e adequada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu os recursos especiais (fundamentados nas Súmulas 7 e 83 do STJ), o relator, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015, não conhece dos agravos em recurso...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE ARACAJU; Agravante: EMPRESA MUNICIPAL DE OBRAS E URBANIZAÇÃO - EMURB; Agravante: MANUEL PRUDÊNCIO DA PAIXÃO - ESPÓLIO e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator Não Conhecendo Dos Agravos Por Inadmissibilidade
- Outcome
- NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Juízo De Admissibilidade, Reexame Fático Probatório
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Parties
MUNICÍPIO DE ARACAJU
Agravante
EMPRESA MUNICIPAL DE OBRAS E URBANIZAÇÃO - EMURB
Agravante
MANUEL PRUDÊNCIO DA PAIXÃO - ESPÓLIO e OUTROS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator Não Conhecendo Dos Agravos Por Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ como óbices à admissibilidade
- 3 ônus de demonstrar a não subsunção ao enunciado sumular ou a existência de precedentes que afastem sua aplicação
Ratio Decidendi
Por não terem os agravantes impugnado de forma específica e adequada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu os recursos especiais (fundamentados nas Súmulas 7 e 83 do STJ), o relator, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015, não conhece dos agravos em recurso especial.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial
Orders
- Sem fixação de honorários recursais
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravos em recurso especial apresentados por MUNICÍPIO DE ARACAJU, EMPRESA MUNICIPAL DE OBRAS E URBANIZAÇÃO - EMURB, MANUEL PRUDÊNCIO DA PAIXÃO - ESPÓLIO e OUTROS contra decisão que inadmitiu apelo nobre interposto com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Passo a decidir. Impende destacar que não deve ser conhecido o agravo que não ataque especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos dos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. Confira-se o teor dos dispositivos citados: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; Art. 253. O agravo interposto de decisão que não admitiu o recurso especial obedecerá, no Tribunal de origem, às normas da legislação processual vigente. (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) Parágrafo único. Distribuído o agravo e ouvido, se necessário, o Ministério Público no prazo de cinco dias, o relator poderá: (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) I - não conhecer do agravo inadmissível, prejudicado ou daquele que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida; A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial n. 701.404/SC, 746775/PR e 831.326/SP, decidiu pela necessidade de o agravante impugnar especificamente todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, autônomos ou não, para justificar a inadmissão do recurso especial, sob pena de seu recurso não ser conhecido. No caso, da análise dos autos, verifico que a inadmissão do especial se deu com base nos seguintes fundamentos: (a) recursos do Município e da EMURB: Súmulas 7 e 83 do STJ (b) recurso do Manuel Prudêncio da Paixão - Espólio e Outros: Súmula 83 do STJ Entretanto, o Município se limitou a apresentar alegações genéricas de não incidência dos óbices sumules. A EMURB, por sua vez, deixou de impugnar específica e adequadamente o óbice da Súmula 83 do STJ, não trazendo nenhum argumento para afastar sua aplicação. Já Manuel Prudêncio da Paixão - Espólio e Outros limitam-se a repetir as razões do recurso especial, não fazendo nem sequer menção ao óbice sumular apontado pelo juízo de inadmissão (Súmula 83 do STJ). Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. Em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do reexame dos elementos de convicção presentes nos autos. No que se refere à Súmula 83 do STJ, há de ser consignado não ser suficiente mera citação de precedente no sentido da pretensão do agravante para fins de rebatimento do referido enunciado, o qual dispõe que "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Antes, deve o agravante contrapor frontalmente esse fundamento. Com efeito, inadmitido o recurso especial com base ao referido óbice sumular, caberia à agravante apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão impugnada, procedendo ao devido cotejo analítico, a fim de demonstrar que a orientação desta Corte não se firmou no sentido do acórdão recorrido, ou, ainda, demonstrar a não subsunção do caso concreto à jurisprudência citada pela decisão de inadmissibilidade, o que não ocorreu na espécie em nenhum dos agravos. Cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do apelo nobre, deve analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que falar em usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.107.891/PR, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt no AREsp n. 2.164.815/RS, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022; e AgInt no AREsp n. 2.098.383/BA, Relator Ministro Manoel Erhardt (desembargador c onvocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial. Sem fixação de honorários recursais, porquanto os recursos foram interpostos em autos de ação civil pública. Publique-se. Intimem-se. EMENTA