AREsp 2711004 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque: (i) não houve omissão do tribunal de origem quanto à análise da fruição, sendo a decisão devidamente fundamentada nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC/15; e (ii) o recurso especial careceu de fundamentação adequada ao não indicar o dispositivo...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CONSTRUTORA COLMEIA S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conhece-se do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Judicial, Omissão E Negativa De Prestação Jurisdicional, Dissídio Jurisprudencial, Fruição, Multa Moratória, Súmula 284/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CONSTRUTORA COLMEIA S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação aos arts. 489, II e III, §1º, I, II e IV, e 1.022, II, do CPC/15 (omissão/insuficiência de fundamentação)
- 2 alegado dissídio jurisprudencial quanto à possibilidade de cumulação da fruição com a multa moratória e inaplicabilidade do Tema 970
- 3 necessidade de indicação do dispositivo legal para demonstrar dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque: (i) não houve omissão do tribunal de origem quanto à análise da fruição, sendo a decisão devidamente fundamentada nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC/15; e (ii) o recurso especial careceu de fundamentação adequada ao não indicar o dispositivo legal federal tido por violado, tornando aplicável a Súmula 284 do STF, o que inviabiliza seu conhecimento.
Court Disposition
Conhece-se do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por CONSTRUTORA COLMEIA S/A, em face de decisão de inadmissibilidade de recurso especial. O apelo extremo, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, objetivou reformar acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, assim ementado (fl. 264, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR E PROCESSO CIVIL. RESCISÃO DE CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. INADIMPLÊNCIA DA COMPRADORA. VALIDADE DE CLÁUSULA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM LUCROS CESSANTES. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. APURAÇÃO POR ARBITRAMENTO, NA FORMA DO ART. 85 §2º DO CPC. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O magistrado a quo considerou válida as multas contratuais previstas nos contratos em exame ponto este não objeto deste recurso e, portanto, transitado em julgado consistente na incidência de juros moratório de 1% (um por cento) ao mês e multa de 2% (dois por cento) do valor do débito atualizado. Assim, descabe pleito de condenação da compradora em pagamento de lucros cessantes, vez que o referido instituto tem a mesma finalidade da cláusula moratória, qual seja, indenizar o promitente vendedor pelas despesas decorrentes do negócio. 2. Nos casos de rescisão de contrato de aquisição de unidade autônoma por iniciativa do promissário comprador, não há que se falar em mora da vendedora, de modo que os juros moratórios (taxa SELIC) deverão incidir a partir da data do trânsito em julgado da demanda, em relação aos valores a serem restituídos à recorrida. 3. A sentença merece reforma quanto ao arbitramento de honorários advocatícios, os quais deverão ser fixados por arbitramento, em fase de liquidação, em consonância com o art. 85 § 2 o do CPC. 4. Recurso conhecido e parcialmente provido. Opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados (fls. 285-288, e-STJ). Nas razões do recurso especial (fls. 292-306, e-STJ), a parte insurgente aponta ofensa aos arts. 489, II e III, § 1º, I, II e IV, e 1.022, II, do CPC/15, sustentando que, a despeito da oposição de embargos de declaração, o Tribunal de origem não se manifestou sobre "as razões da necessidade de aplicação da fruição em casos de rescisão contratual motivada pelo comprador, devendo este arcar com o usufruto do imóvel no período que permaneceu na posse" (fl. 298, e-STJ). Ainda, alega dissídio jurisprudencial em relação à possibilidade de cumulação da fruição com a multa moratória e aduz a inaplicabilidade do Tema 970. Sem contrarrazões. Em juízo de admissibilidade (fls. 330-331, e-STJ), negou-se processamento ao recurso. Daí o agravo (fls. 334-352, e-STJ), em que a parte agravante impugna a decisão agravada. Sem contraminuta. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. In casu, a parte insurgente aponta violação aos arts. 489, II e III, § 1º, I, II e IV, e 1.022, II, do CPC/15, ao argumento de que o decisum atacado não restou suficientemente fundamentado, pois deixou de analisar questões relevantes suscitadas no recurso. Com efeito, consoante a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que, em sua decisão, discorra sobre todas as questões fundamentais para a correta solução da controvérsia. Na hipótese, da leitura do acórdão recorrido, infere-se que a questão relativa à taxa de fruição fora analisada e discutida pelo órgão julgador, de forma ampla e devidamente fundamentada, consoante se extrai dos seguintes trechos do julgado (fl. 266, e-STJ): "Restou incontroverso que as partes, em outubro de 2003, firmaram contrato particular de promessa de compra e venda, tendo como objetos as unidades "lojas 0108, 0109, 0110, integrantes do Empreendimento Tropical Center, localizado na Estrada do Aleixo, s/n, Manaus/AM" (Contratos de fls. 11/40). No mesmo sentido, é possível afirmar que, em maio de 2004, a empresa recorrida tornou-se inadimplente, o que foi confessado pela própria ré em contestação de fl. 60, pelo que a autora requereu a rescisão do contrato, a reintegração de posse e a condenação da apelada ao pagamento de: (i) R$ 1.000,00 (mil reais), por imóvel, por mês de fruição dos imóveis; (ii) indenização por perdas e danos, em quantum a ser arbitrado em liquidação de sentença; (iii) custas e honorários advocatícios (fl. 03/04 dos autos). Primeiro, saliento que não houve omissão do juízo de piso. Isso porque o magistrado a quo considerou válidas as multas contratuais previstas nos contratos em exame ponto este não objeto deste recurso e, portanto, transitado em julgado , registradas nos itens de n. 15 (quinze) do documento "Condições de Contrato" (fl. 18), consistente na incidência de juros moratório de 1% (um por cento) ao mês e multa de 2% (dois por cento) do valor do débito atualizado." (grifou-se) Como se vê, ao contrário do que aponta a parte recorrente, não se vislumbra a alegada omissão no decisum, portanto deve ser afastada a suposta violação aos aludidos dispositivos. Ademais, segundo entendimento pacífico deste Superior Tribunal, o magistrado não é obrigado a responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem a ater-se aos fundamentos e aos dispositivos legais apontados, mas apenas sobre aqueles considerados suficientes para fundamentar sua decisão, como ocorreu no caso ora em apreço. Precedentes: AgInt no REsp 1716263/RS, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/08/2018, DJe 14/08/2018; AgInt no AREsp 1241784/SP, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 21/06/2018, DJe 27/06/2018. Ainda: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. INSTRUMENTO CONTRATUAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO E DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO IMEDIATO DA CAUSA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. CLÁUSULA DE QUITAÇÃO GERAL E PLENA. AUSÊNCIA DE DOLO, COAÇÃO OU ERRO. TESE NÃO PREQUESTIONADA. SÚMULAS 282 E 356/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. HONORÁRIOS RECURSAIS. MAJORAÇÃO. CABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. (..) 7. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1839431/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 08/02/2021, DJe 12/02/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. VENDA FUTURA. 1. DEFICIÊNCIA NA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL AFASTADO PELA CORTE DE ORIGEM. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 3. MULTA. NÃO INCIDÊNCIA. 4. HONORÁRIOS RECURSAIS. DESCABIMENTO. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A orientação jurisprudencial desta Corte é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. Assim, tendo a Corte de origem motivado adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese, não há afirmar que a Corte estadual omitiu-se apenas pelo fato de ter o aresto impugnado decidido em sentido contrário à pretensão da parte. (..) 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1508584/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/06/2020, DJe 04/06/2020) Afasta-se, portanto, a alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/15. 2. Quanto ao suposto dissídio jurisprudencial, em relação à possibilidade de cumulação da fruição com a multa moratória e à inaplicabilidade do Tema 970, verifica-se que o recurso especial apresenta deficiência em sua fundamentação, uma vez que a parte recorrente se limitou a alegar, de forma genérica, a necessidade de reforma do decisum, ante o dissídio pretoriano, deixando de apontar o dispositivo legal que teria sido objeto de interpretação divergente. O recurso especial é um meio impugnativo processual de fundamentação vinculada, no qual o efeito devolutivo se opera nos termos do que foi impugnado. A ausência de indicação expressa de dispositivo legal tido por vulnerado ou objeto de interpretação divergente não permite verificar se a legislação federal infraconstitucional restou, ou não, malferida. Dessa forma, é de rigor a incidência do verbete nº 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ademais, nos termos do entendimento desta Corte, os recursos interpostos tanto pela alínea "a", quanto pela alínea "c", do permissivo constitucional exigem a indicação do dispositivo legal vulnerado ou ao qual foi atribuída interpretação divergente. Nesse sentido, precedentes: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. CERCEAMENTO DE DEFESA. JUIZ. DESTINATÁRIO FINAL. NECESSIDADE DA PROVA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO NÃO INDICADO. SÚMULA Nº 284 DO STF. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. SÚMULAS NºS 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 5. Para comprovação da divergência jurisprudencial é necessário que o recorrente aponte o dispositivo de lei federal sobre o qual se manifeste o dissídio entre tribunais, sob pena de incidência da Súmula nº 284 do STF, bem como proceda ao cotejo analítico, mediante a demonstração da identidade das situações fáticas e da interpretação diversa dada ao mesmo dispositivo. (..) 7. A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula nº 284 do STF. 8. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 9. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1905503/AM, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/03/2021, DJe 25/03/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. REVISÃO DO BENEFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO COM A ENTIDADE PREVIDENCIÁRIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos do entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, o recurso especial possui natureza vinculada, exigindo, para o seu cabimento, a imprescindível demonstração do recorrente, de forma clara e precisa, dos dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida juntamente com argumentos suficientes à exata compreensão da controvérsia estabelecida, sob pena de inadmissão. 2. Segundo a jurisprudência deste Tribunal de Uniformização, a alegação de dissídio jurisprudencial deve estar pautada também na citação de dispositivo da legislação federal a que se tenha conferido interpretação diversa pelo aresto impugnado, sob pena de configurar-se deficiência na fundamentação. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1709794/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/12/2020, DJe 11/12/2020) Desse modo, inafastável, no ponto, a incidência da Súmula 284 do STF, por analogia. 3. Do exposto, conhece-se do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intime-se. EMENTA