AREsp 2775181 - DECISAO
O agravo deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial e não refutou a incidência das Súmulas 283 e 284 do STF; por força do art. 544, §4º, I, do CPC/1973 (art. 1.042 do CPC/2015 na sistemática atual), art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ, o agravo não é...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmulas 283 E 284 Do STF, Súmula 182/stj, Indicação De Dispositivo Legal Nas Razões Recursais
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de conhecimento do agravo que não impugna especificamente os fundamentos da decisão agravada
- 2 exigência de indicação expressa do dispositivo de lei violado nas razões do recurso especial
- 3 aplicação por analogia das Súmulas 182/STJ e 284/STF
Ratio Decidendi
O agravo deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial e não refutou a incidência das Súmulas 283 e 284 do STF; por força do art. 544, §4º, I, do CPC/1973 (art. 1.042 do CPC/2015 na sistemática atual), art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ, o agravo não é conhecido.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, devido à incidência das Súmulas n. 283 e 284 do STF (fls. 149-152). Nas razões deste recurso (fls. 158-166), a parte reitera as razões do especial. Contraminuta apresentada às fls. 170-175. É o relatório. Decido. O agravo que deixa de refutar especificamente os fundamentos da decisão agravada não é passível de conhecimento, em virtude de expressa previsão legal (art. 544, § 4º, I, do CPC/1973 e art. 932, III, do CPC/2015) e da aplicação, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial com base nos seguintes argumentos (fls. 149-152): Acerca das alegações recursais referentes à aludida violação aos artigos 515, inciso I e 523, do Código de Processo Civil, e a tese de ausência de condenação, consta do aresto combatido: .. . Pelo exposto, do exame das razões recursais, denota-se a ausência de impugnação específica aos acima destacados fundamentos basilares da decisão, no sentido da impossibilidade de rediscussão da lide em sede de liquidação de sentença, de modo que incide o óbice da Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal: .. . No que se refere à tese de ausência de comprovação do pagamento e o suscitado dissídio jurisprudencial, analisando as razões recursais verifica-se que os recorrentes deixaram de apontar o dispositivo legal tido por violado. Ocorre que, no recurso especial arrimado tanto na alínea "a" quanto na alínea "c" do permissivo constitucional, a parte deve particularizar os dispositivos de lei federal violados e, sobretudo, fazer acompanhar a devida fundamentação jurídica pertinente, no intuito de viabilizar a abertura da via especial, sendo insuficiente mencionar ofensa genérica, tal qual ocorre na presente hipótese. Portanto, a mera citação de artigo de lei na petição recursal não supre a exigência constitucional, por não ser possível identificar se a menção se dá, tão somente, a teor argumentativo ou se corresponde à violação objeto do recurso especial, o que caracteriza deficiência de fundamentação, atraindo para o recurso, por analogia, o veto previsto na Súmula 284/STF. No caso, não foi impugnado o fundamento relativo à incidência da Súmula n. 284/STF. Conforme a jurisprudência do STJ, "é imprescindível a indicação expressa do dispositivo de lei tido por violado para o conhecimento do recurso especial, quer tenha sido interposto pela alínea "a" quer pela "c"" (AgRg nos EREsp n. 382.756/SC, Relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 18/11/2009, DJe de 17/12/2009). Veja-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO RÉU. 1. É exigência constitucional - com previsão no art. 105, III, "c" da CF/88 -, que nas razões do apelo extremo, a parte recorrente indique os dispositivos legais que entende afrontados, bem como argumentos com a finalidade de demonstrar com clareza a violação praticada pelo acórdão recorrido. 1.1. A falta de indicação de qual o dispositivo legal teria sido violado ou objeto de interpretação jurisprudencial divergente implica em deficiência da fundamentação do recurso especial, incidindo o teor da Súmula 284 do STF, por analogia. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.239.649/SP, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 11/12/2018, DJe de 18/12/2018.) Cabe destacar que a Corte Especial do STJ, no julgamento dos EAREsp n. 746.775/PR, ocorrido na sessão de 19/9/2018 (Relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 30/11/2018), firmou o entendimento de que, nas razões do agravo em recurso especial, o agravante deve rechaçar todos os motivos elencados na decisão de inadmissibilidade, sendo que a ausência de impugnação de um deles, ainda que referente a capítulo autônomo da decisão, enseja o não conhecimento do recurso. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINARMENTE OS EMBARGOS. CONFIRMAÇÃO. SÚMULA 168 E 182/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A Corte Especial, por ocasião do julgamento dos EAREsp 701.404/SC, EAREsp 746.775/SC e EAREsp 831.326/SC (Relator para acórdão o Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 30/11/2018), por maioria, firmou orientação no sentido de que, na interposição do agravo de que trata o art. 1.042 do CPC de 2015 (antigo art. 544 do CPC de 1973), deve o agravante impugnar todos os fundamentos, autônomos ou não, da decisão que não admitiu o recurso especial na origem. 2. É inviável o agravo interno que deixa de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ). 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 2.291.059/SP, Relator Ministro Raul Araújo, Corte Especial, julgado em 23/4/2024, DJe de 3/5/2024.) Assim, é inafastável a aplicação, por analogia, da Súmula n. 182 desta Corte. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo. Publique-se e intimem-se. EMENTA