AREsp 1905582 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não demonstrou, de forma adequada e específica, o desacerto da decisão que negou seguimento ao recurso especial, não impugnou os fundamentos da inadmissibilidade indicados pelo Tribunal de origem nem indicou corretamente os dispositivos tidos por...
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- Parties
- Agravante: GILDETE FERREIRA DA SILVA; Agravado: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos Da Decisão De Inadmissibilidade, Incidência Da Súmula 284 STF Por Analogia, Aplicação Da Súmula 182 STJ, Princípio Da Dialeticidade, Habeas Corpus De Ofício, Art. 1.029 CPC, Art. 932, III, CPC
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Parties
GILDETE FERREIRA DA SILVA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por falta de fundamentação específica
- 2 ausência de impugnação adequada e específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 3 aplicação, por analogia, da Súmula 284 do STF e da Súmula 182 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não demonstrou, de forma adequada e específica, o desacerto da decisão que negou seguimento ao recurso especial, não impugnou os fundamentos da inadmissibilidade indicados pelo Tribunal de origem nem indicou corretamente os dispositivos tidos por violados, configurando ofensa ao princípio da dialeticidade, motivo pelo qual se aplicou, por analogia, o óbice da Súmula 182/STJ, nos termos do art. 932, III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por GILDETE FERREIRA DA SILVA. contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que não admitiu o recurso especial. A agravante foi condenada nas instâncias ordinárias como incursa nas sanções dos artigos 155, § 4º, II e IV, e 288, caput, ambos do Código Penal, à pena de 4 (quatro) anos, 3 (três) meses e 10 (dez) dias de reclusão, em regime semiaberto, e ao pagamento de 15 (quinze) dias-multa (fls.726 - 740). Opostos embargos declaratórios, esses foram rejeitados (fls. 771 - 777). A Defesa interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição, pois "infringiu o dispositivo legal, pois proferiu o decreto condenatório sem ter se atentado e respeitado os ditames do mesmo" (fls. 786 - 818). Inadmitido o recurso na origem por incidência da Súmula n. 284, STF, por analogia, e 7, STJ (fls. 867 - 868), sobreveio o agravo (fls. 871 - 915). Contraminuta ao agravo (fls.919 - 932) O Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do recurso (fls.946 - 956). É o relatório. DECIDO. Inicio destacando: "O Superior Tribunal de Justiça não é terceira instância revisora ou Corte de apelação sucessiva. O recurso especial é excepcional, de fundamentação vinculada, com forma e conteúdo próprios, que se destina a atribuir a adequada interpretação e uniformização da lei federal, e não ao rejulgamento da causa, à moda de recurso ordinário ou de apelação, sob pena de se tornar uma terceira instância recursal" (AgRg no AREsp n. 2.409.008/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 16/8/2024)." Não obstante os argumentos expendidos pela parte agravante, estes não possuem o condão de infirmar os fundamentos da decisão agravada. No presente caso, a parte agravante não demonstrou ter realizado no agravo em recurso especial a impugnação adequada e específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem em relação à incidência do óbice previsto no enunciado da Súmula 284, STF, por analogia. Não houve a demonstração de qual foi o desacerto da decisão que negou seguimento ao recurso especial. Quanto ao óbice da Súmula 284 do STF, caberia ao agravante apontar que indicou corretamente os dispositivos tidos por violados, o que não fez. No ponto, destaco trecho do acórdão recorrido (fl. 867): "Com efeito, o recurso especial foi interposto sem a fundamentação necessária, consoante determina o artigo 1.029 do Código de Processo Civil, uma vez que não relacionou com clareza a violação de norma infraconstitucional em todas as teses aventadas, além de não ter rebatido todos os argumentos do aresto, o que afasta a possibilidade de seu conhecimento. O E. Superior Tribunal de Justiça, considerando a importância desse requisito formal, assinalou que "(..) Nas razões do apelo nobre, faz-se necessária a expressa e correta indicação dos dispositivos legais eventualmente ofendidos pela decisão recorrida, como também a indicação precisa dos parágrafos e/ou alíneas, a fim de que se possa identificar clara e fundamentadamente as razões da irresignação, e de que modo consistiram as tais ofensas, sob pena de ser incabível a admissibilidade do recurso, em decorrência da deficiência na sua fundamentação. Incidência do enunciado n. 284 da Súmula do STF." A ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do artigo 932, inciso III do CPC, obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023. Assim, aplicável, por analogia, a Súmula n. 182 do STJ, que dispõe ser "inviável o agravo do art. 545 do Código de Processo Civil - CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Precedente: AgRg no AREsp n. 2.225.453/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. Por fim, saliento que, com lastro na interpretação sistemática dos arts. 647-A e 654, §2º, ambos do CPP, esta Corte Superior entende que a concessão da ordem de ofício de habeas corpus é de iniciativa exclusiva do julgador, quando se deparar com flagrante ilegalidade em procedimento de sua competência, o que não é o caso dos autos. Ilustrativamente: "O pleito de concessão de habeas corpus de ofício, como forma de tentar burlar a inadmissão do apelo especial ou de seus posteriores recursos, é descabido" (AgRg no AREsp n. 2.142.170/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/9/2022, DJe de 22/9/2022). Ante o exposto, verifico ofensa ao princípio da dialeticidade, o que reclama a aplicação, por analogia, do óbice previsto no enunciado da Súmula 182/STJ, razão pela qual não conheço do agravo em recurso especial, forte no artigo 932, III, do Código de Processo Civil, e artigo 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA