AREsp 2725206 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque as alegações do agravante exigiriam revolvimento do acervo fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ), não restou demonstrada divergência jurisprudencial específica capaz de afastar a Súmula 83/STJ, e houve impugnação genérica em confronto com o dever de dialeticidade, atraindo...
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- Parties
- Agravante: ADRIANO SILVA DOS SANTOS; Parte Recorrida (decisão Impugnada): TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática: Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Reexame De Provas, Nulidade De Prova Por Violação Domiciliar, Tráfico De Drogas
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Parties
ADRIANO SILVA DOS SANTOS
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS
Parte Recorrida (decisão Impugnada)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática: Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada ofensa ao art. 240, §1º do CPP e ao art. 11.1 da CADH
- 2 Se a análise da nulidade de prova demandaria reexame do acervo fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ)
- 3 Se há divergência jurisprudencial apta a afastar a Súmula 83/STJ
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque as alegações do agravante exigiriam revolvimento do acervo fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ), não restou demonstrada divergência jurisprudencial específica capaz de afastar a Súmula 83/STJ, e houve impugnação genérica em confronto com o dever de dialeticidade, atraindo a Súmula 182/STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ADRIANO SILVA DOS SANTOS contra a decisão proferida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS que não admitiu seu recurso especial fundado na alegada ofensa ao disposto no art. 240, §1º, do CPP e art. 11.1 da CADH (Apelação Criminal n. 0000731-59.2020.8.04.3800). Depreende-se dos autos que o agravante foi condenado, como incurso no art. 33, caput, Lei n. 11.343/2006, à pena total de 3 (três) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, no regime inicial fechado, além do pagamento de 233 (duzentos e trinta e três) dias-multa, e no delito do artigo 12 da Lei n. 10826/03, à pena de 1 (um) ano e 3 (três) meses de detenção, além do pagamento de 68 (sessenta e oito) dias-multa (e-STJ fl. 263). O agravante sustenta a insubsistência dos óbices apontados na decisão de inadmissibilidade, requerendo o conhecimento e provimento ao recurso especial interposto, pois (e-STJ fl. 337): " .. estando nitidamente evidenciado ter havido contrariedade à Lei Federal (art. 240, §1º, do CPP e art. 11.1 da CADH ) e diante da necessária discussão de tese jurídica, espera os réus, ora recorrentes, a reforma da decisão recorrida a fim de se garantir seguimento ao RECURSO ESPECIAL interposto, por intermédio do presente agravo, em virtude do total descabimento das alegações referentes a reexame de provas, como acima asseverado." O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo conhecimento e provimento parcial do agravo, admitindo-se parcialmente o recurso especial (e-STJ fls. 396/404). É o relatório. Decido. A decisão em questão não comporta reforma, porquanto devidamente fundamentada e em conformidade com a jurisprudência consolidada, razão pela qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais ora transcrevo (e-STJ fls. 317/319): "Adianto que o recurso não merece trânsito. Isso porque, o acórdão vergastado foi decidido em consonância com a jurisprudência da Corte Superior, incidindo na hipótese a Súmula n. 83/STJ, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas "a" e/ou "c " do permissivo constitucional. Nesse sentido, confira-se Aglnt no AREsp 1713650/SE , Rei. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe 18/12/2020 e Aglnt no AREsp 1738992/DF, Rei. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, DJe 11/5/2021. Destaco, ainda, que a admissão do referido recurso também encontra óbice na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, pois a análise da tese recursal, qual seja, a declaração de nulidade pela violação domiciliar, com a anulação das demais provas decorrentes e, consequentemente a absolvição por ausência de provas , têm como objetivo o reexame de matéria de fatos e provas. Assim, a pretensão recursal demandaria, necessariamente, amplo reexame da matéria fático-probatória, especialmente o cotejo das peças processuais do feito em trâmite no primeiro grau de jurisdição, principalmente no que se refere ao juízo de valor sobre a existência ou não de interesse público, procedimento inviável em sede de recurso especial ante o óbice previsto na Súmula ns 7/STJ. Confira-se: Aglnt nos EDcl no REsp 1671696/DF, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 25/05/2018 e Aglnt no REsp 1677745/RS, Rei. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/03/2018, DJe 27/03/2018." Verifica-se que a defesa não argumentou especificamente de que forma não demandaria incursão no acervo fático-probatório dos autos a revisão das premissas fixadas pelo Tribunal de origem. Com efeito, a pretensão recursal esbarra no óbice previsto no enunciado da Súmula n.º 7 do Superior Tribunal de Justiça, porquanto o agravante visa à desconstituição das provas produzidas nos autos, alegando sua ilicitude, bem como requerendo sua absolvição ao argumento de insuficiência de provas. Tais alegações, contudo, demandam inevitavelmente o revolvimento do acervo fático-probatório, providência vedada no âmbito do recurso especial. Ademais, com o intuito de afastar a incidência do óbice previsto na Súmula n.º 83 do Superior Tribunal de Justiça, o agravante sustenta, em síntese, que a decisão recorrida diverge da orientação jurisprudencial firmada no âmbito deste Tribunal. Tal alegação, contudo, não merece acolhimento. Embora o recorrente tenha colacionado julgados recentes do STJ, os precedentes invocados referem-se, de forma genérica, à ilicitude de abordagens policiais fundamentadas exclusivamente em denúncias anônimas ou informações desprovidas de elementos objetivos. Assim, não se verifica similitude fático-jurídica entre os julgados apresentados e a situação ora examinada, razão pela qual não há que se falar em divergência apta a afastar a aplicação da Súmula n.º 83 do Superior Tribunal de Justiça. Ausente, portanto, demonstração de dissídio jurisprudencial específico e comprovado, nos termos exigidos pela legislação processual e pela jurisprudência consolidada. Desse modo, não havendo impugnação específica de todos os fundamentos da decisão questionada, deve ser aplicado, por analogia, o teor da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça Nesse sentido, confiram-se: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PLEITO PARA INTIMAÇÃO QUANTO À DATA DE JULGAMENTO, COM O FIM DE APRESENTAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INCABÍVEL MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULAS N.os 7 e 83 DO STJ. RAZÕES RECURSAIS. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. PEDIDO PARA CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS, DE OFÍCIO. UTILIZAÇÃO COMO MEIO PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO RECURSO. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 258 do Regimento Interno deste Superior Tribunal de Justiça, o agravo regimental relativo à matéria penal em geral será apresentado em mesa, para que o órgão colegiado sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. Além disso, o art. 159, inciso IV, do RISTJ também afasta a realização de sustentação oral no julgamento do agravo regimental, salvo expressa disposição legal em contrário, o que não constitui a hipótese dos autos. Precedente da Terceira Seção. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, especificamente, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, e à incidência das Súmulas n. 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a aplicação da Súmula n. 182/STJ. 3. Não foi demonstrado o desacerto da decisão agravada, indicando eventual superação do entendimento do STJ, em que a Corte local se orientou ou, ainda, eventual distinção com o caso dos autos. 4. O comando contido na Súmula n. 83/STJ também é aplicável aos recursos interpostos com fulcro nas alíneas a e c do permissivo constitucional. 5. No tocante à aplicação da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça, nas razões do agravo em recurso especial, o Agravante se limitou a sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, sem explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu o referido recurso de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da citada súmula desta Corte. 6. Nos termos do art. 654, § 2.º, do Código de Processo Penal, o habeas corpus de ofício é deferido por iniciativa dos Tribunais quando detectarem ilegalidade flagrante, não se prestando como meio para que a Defesa obtenha pronunciamento judicial acerca do mérito de recurso que não ultrapassou os requisitos de admissibilidade. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no AREsp 1777813/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 16/3/2021, DJe 25/3/2021.) PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1. PLEITO DE NULIDADE. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. DECISÃO PROFERIDA COM OBSERVÂNCIA DO RISTJ E DO CPC. 2. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. OFENSA À DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. 3. PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO CAUTELAR. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. RECURSO DE FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. 4. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. O cabimento do agravo autoriza o exame do recurso especial, para que se possa aferir se a matéria trazida ultrapassa os óbices sumulares, situação que não se verificou na hipótese dos autos. Assim, embora se tenha conhecido em parte do recurso especial, este foi improvido, em virtude da incidência dos verbetes ns. 7 e 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Ademais, diversamente da alegação do agravante, não há óbice ao julgamento monocrático do recurso especial, conforme autoriza o RISTJ, bem como o art. 932 do CPC. Relevante registrar, outrossim, que os temas decididos monocraticamente sempre poderão ser levados ao colegiado, por meio do controle recursal, o qual foi efetivamente utilizado no caso dos autos, com a interposição do presente agravo regimental. 2. Com pequenas alterações, o agravante se limitou a repetir as razões do recurso especial. Assim, a petição recursal do agravante não impugna os fundamentos da decisão agravada, esbarrando, dessa forma, no óbice do enunciado n. 182 da Súmula desta Corte. Nesse contexto, não havendo impugnação específica e pormenorizada à fundamentação declinada para conhecer do agravo e conhecer em parte do recurso especial, para negar-lhe provimento, fica inviável o conhecimento do presente agravo regimental, por violação ao princípio da dialeticidade, uma vez que os fundamentos não impugnados se mantêm. 3. No que concerne ao pedido de revogação da prisão preventiva, esclareço que o especial é recurso com fundamentação vinculada, no qual se discute a fiel aplicação dos textos legais, e não a justiça da avaliação dos fatos realizada pela Corte local. Assim, inviável analisar, na via eleita, a possibilidade de aplicação das medidas cautelares diversas da prisão. 4. Agravo regimental não conhecido. (AgRg nos EDcl no AREsp 1219543/MA, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 2/8/2018, DJe 10/8/2018.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO IMPUGNAM O FUNDAMENTO PRINCIPAL DA DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182/STJ. 1. "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada" (Súmula n. 182 do STJ). 2. No caso sub examinem, infere-se que a agravante limitou-se a aduzir a existência de similitude fática entre o caso dos autos e os paradigmas apontados, furtando-se a elidir o fundamento da decisão agravada subjacente à ausência de juntada das cópias integrais autenticadas dos arestos apontados como paradigmas, bem como da falta de indicação do repositório oficial em que tais decisões tenham sido publicadas. Assim, a ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada atrai a incidência do Enunciado Sumular n. 182 desta Corte. 3. Agravo regimental não conhecido. (AgRg nos EREsp 1184505/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/2/2011, DJe 2/3/2011, grifei) Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA