AREsp 2932673 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido por ser intempestivo (protocolado em 11/04/2025, após o termo final de 10/04/2025) e por não impugnar especificamente os fundamentos da inadmissão do recurso especial na origem, em especial a aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ e a ausência de cotejo analítico...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: GILMAR REIS DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 STJ, Súmula 83 STJ, Divergência Jurisprudencial, Tempestividade Recursal, Ônus Da Impugnação Específica, Cotejo Analítico
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GILMAR REIS DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 tempestividade do agravo em recurso especial
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos de inadmissibilidade
- 3 aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido por ser intempestivo (protocolado em 11/04/2025, após o termo final de 10/04/2025) e por não impugnar especificamente os fundamentos da inadmissão do recurso especial na origem, em especial a aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ e a ausência de cotejo analítico demonstrando divergência jurisprudencial, em afronta ao art. 932, III, do CPC e ao art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por GILMAR REIS DA SILVA contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO que inadmitiu o recurso especial. O agravante foi condenado por infração ao art. 14, caput, da Lei n. 10.826/03, à pena de 02 (dois) anos, 07 (sete) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, em regime inicial semiaberto (fls. 756-765). O Tribunal negou provimento ao apelo defensivo, mantendo na íntegra a sentença condenatória (fls. 924-930). A defesa interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, para alegar negativa vigência ao art. 14 da Lei n. 10.826/03 e dissídio jurisprudencial (fls. 939-949). O recurso foi inadmitido na origem devido à incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ e ausência de cotejo analítico (fls. 957-962). Nas razões do agravo em recurso especial, a defesa sustenta que o recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, alegando que a questão é de direito, não demandando reexame de provas, mas revaloração. Além disso, sustenta que o acórdão recorrido não está em consonância com a jurisprudência deste STJ (fls. 964-975). O Ministério Público Federal, por sua vez, opinou pelo não conhecimento do agravo (fls. 998-1005). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso dos autos, verifico que a decisão recorrida foi disponibilizada no Diário da Justiça eletrônico em 25/03/2025 e considerada publicada no primeiro dia útil posterior que foi 26/03/2025. Assim, o prazo de 15 dias para interposição do agravo em recurso especial se iniciou no primeiro dia útil subsequente, ou seja, dia 10/04/2025 e a peça recursal deveria ter sido apresentada até o dia 10/04/2025, termo final do prazo. Dessa forma, é intempestivo o agravo em recurso especial, porquanto protocolado em 11/04/2025 (fl. 977). Ainda que assim não fosse, no caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial por aplicação das Súmulas n. 7 e 83, STJ e por ausência de comprovação da divergência jurisprudencial. Quanto à Súmula n. 7, STJ, incumbe ao agravante demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para o acolhimento da pretensão absolutória com base na precariedade das provas produzidas em desfavor do recorrente, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão recorrido. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1.207.268/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 19/12/2018. De igual modo, a jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que, para afastar a Súmula n. 83, STJ, não basta a mera alegação. Ao revés, incumbe à parte indicar, de modo preciso, precedentes contemporâneos ou supervenientes aos colacionados na decisão recorrida que demonstrem o desacerto da inadmissão do recurso interposto. Veja-se: " .. Inadmitido o recurso especial com base na incidência da Súmula 83 do STJ, incumbe à parte interessada apontar julgados deste Tribunal contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo ao cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada. Pode ainda, se fosse o caso, demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie." (AgInt nos EDcl no AREsp 1.842.229/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, DJe de 11/5/2023). Finalmente, não houve impugnação específica quanto à inadmissibilidade do recurso especial fundada em divergência jurisprudencial. Com efeito, constata-se que, no agravo interposto com fundamento no art. 1.042 do Código de Processo Civil, deixou-se de indicar, de forma clara e precisa, o trecho do recurso especial em que se teria demonstrado o dissídio, com a necessária transcrição dos relatórios e votos dos acórdãos recorridos e paradigma, bem como a realização do cotejo analítico adequado, apto a evidenciar a similitude fática entre os casos confrontados e a divergência na interpretação jurídica a eles conferida Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA