AREsp 2940023 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a parte agravante não enfrentou de forma específica e detalhada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (incidência da Súmula 7/STJ e falta de prequestionamento), devendo ser aplicada, por analogia, a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SELECTA COMERCIO E INDUSTRIA S.A.; Agravante: ISAILMA DE AZEVEDO RIBEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Prequestionamento, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios, Súmula 280/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SELECTA COMERCIO E INDUSTRIA S.A.
Agravante
ISAILMA DE AZEVEDO RIBEIRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 incidência da Súmula 7/STJ como óbice
- 3 ausência de prequestionamento do art. 103 da Lei n. 11.101/2005
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a parte agravante não enfrentou de forma específica e detalhada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (incidência da Súmula 7/STJ e falta de prequestionamento), devendo ser aplicada, por analogia, a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC; por consequência, o agravo não ultrapassa a barreira do conhecimento e é desprovido, com condenação em honorários de 20% pelo trabalho adicional.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Imposição de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC)
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por SELECTA COMERCIO E INDUSTRIA S.A., ISAILMA DE AZEVEDO RIBEIRO, desafiando decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que não admitiu recurso especial com base nos seguintes fundamentos: (i) incidência da Súmula 7/STJ; e (ii) ausência de prequestionamento da matéria tratada no art. 103 da Lei n. 11.101/2005. Nas razões do agravo, a parte agravante alega, em síntese, que: (i) "a despeito da Súmula 7 do C. STJ, em se tratando de recurso especial não se comporta a revisão fático-probatória, para que seja dada adequada solução ao caso concreto e não haja obstrução do direito das partes, nada impede que esse C. STJ exerça eventual revaloração jurídica dos fatos estabelecidos pelas instâncias ordinárias, a partir da análise dos elementos contidos nos autos, e a Agravante, ciente disso, promoveu tão somente à análise da Lei e da jurisprudência dominante. 46. Tais aspectos, sem sombra de dúvidas, se tratam de fatos incontroversos nestes autos e, portanto, dispensam a reanálise do acervo fático-probatório carreado aos autos" (fls. 1.200/1.201); (ii) "No que concerne ao prequestionamento das questões legais tidas como ofendidas, impossível não considerá-lo existente, eis que os temas que foram abordados foram debatidos exaustivamente no julgamento do v. acórdão prolatado nos autos do recurso de apelação de origem. De toda a sorte, destaca-se que a mera ausência de menção expressa de dispositivos legais no julgado combatido é absolutamente irrelevante para fins de verificação da presença do prequestionamento, conforme reiteradamente decidido por essa C. Corte de Justiça" (fls. 1.198/1.199). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que o inconformismo não ultrapassa a barreira do conhecimento, pois a parte agravante deixou de impugnar a totalidade dos motivos adotados pelo Tribunal de origem para negar trânsito ao apelo especial. No caso, em suas razões de agravo, a parte agravante deixou de rebater, de modo específico, as duas fundamentações que embasaram a inadmissibilidade. Nos termos da jurisprudência do STJ, a afirmação genérica de que não se busca o reexame de provas, mesmo que haja breve referência à tese defendida, não é suficiente para caracterizar efetiva impugnação ao óbice da Súmula 7/STJ. Para tanto, faz-se necessário um confronto detalhado entre o acórdão recorrido e os argumentos apresentados no recurso especial, de modo a justificar a superação do impedimento processual mencionado. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A decisão ora recorrida não conheceu do agravo em decorrência da não impugnação aos fundamentos da decisão que inadmitira o recurso especial na origem, especificamente em relação à Súmula 7/STJ e à Súmula 280/STF. Por conta disso, consignou-se a incidência da Súmula 182 do STJ. 2. A parte, para ver examinado por esta Corte Superior seu recurso especial inadmitido, precisa, primeiro, desconstituir os fundamentos utilizados para a negativa de admissão daquele recurso sob pena de vê-los mantidos. 3. As razões demonstrativas do desacerto da decisão agravada devem ser veiculadas na oportunidade de interposição do agravo em recurso especial, pois, convém frisar, não é admitida a impugnação a destempo, a fim de inovar a justificativa para admissão do recurso excepcional, devido à preclusão consumativa. 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ainda que autônomos, impede o conhecimento do respectivo agravo consoante preceituam os arts. 253, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, aplicável por analogia. 5. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial; correta, portanto, a incidência na espécie do enunciado da Súmula 182 do STJ. 6. Afinal, inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não é suficiente a afirmação genérica de que é desnecessário o reexame de provas, ainda que seja feita uma breve menção à tese sustentada, ou simplesmente a insistência no mérito da controvérsia. É indispensável o cotejo entre o acórdão recorrido e a argumentação trazida no recurso especial que possa justificar o afastamento do óbice processual em questão. 7. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.991.801/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 17/3/2023.) Quanto à ausência de prequestionamento, é imperioso frisar que, negado o processamento do recurso especial ante a ausência de prequestionamento da matéria veiculada no apelo raro, é essencial que as razões do agravo demonstrem o seu efetivo debate pelo acórdão recorrido. De fato, "Para impugnar a falta de prequestionamento, deveria ter se remetido à ratio decidendi a fim de especificar em que trechos haveria debate judicial suficiente acerca do conteúdo de cada um dos dispositivos que o recorrente julga violados." (AgInt no AREsp n. 2.498.984/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 4/6/2024). Incide, desse modo, por analogia, a Súmula 182/STJ ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão recorrida"). Essa foi a linha de entendimento confirmada pela Corte Especial do STJ ao julgar os EAREsp 701.404/SC e os EAREsp 831.326/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 30/11/2018. ANTE O EXPOSTO, nos termos do art. 932, III, do CPC, não conheço do agravo em recurso especial. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC). Publique-se. EMENTA