AREsp 2669627 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente cada um dos fundamentos que ensejaram a inadmissibilidade do recurso especial na origem (incidência das Súmulas 7/STJ e 283/STF e ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial), em violação ao...
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- Parties
- Agravante: VITOR NAZARE FLORINDO; Órgão Julgador De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interveniente: Ministério Público do Estado de São Paulo; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 STJ, Súmula 283 STF, Dissídio Jurisprudencial, Art. 33 Lei 11.343/06, Arts. 244 E 386, Inciso VII, CPP
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Parties
VITOR NAZARE FLORINDO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador De Origem
Ministério Público do Estado de São Paulo
Interveniente
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 aplicabilidade da Súmula 7/STJ
- 2 aplicabilidade da Súmula 283/STF
- 3 ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente cada um dos fundamentos que ensejaram a inadmissibilidade do recurso especial na origem (incidência das Súmulas 7/STJ e 283/STF e ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial), em violação ao princípio da dialeticidade e aos requisitos do art. 932, III, do CPC e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por VITOR NAZARE FLORINDO contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que inadmitiu o recurso especial. O agravante foi condenado como incurso no art. 33, caput, da Lei 11.343/06, à pena 05 (cinco) anos de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 500 (quinhentos) dias-multa, no regime inicial fechado (fls. 575-588). A sentença foi parcialmente reformada pelo Tribunal de Justiça, estabelecendo o regime semiaberto para o início do cumprimento da pena (fls. 794-809). A Defesa interpôs recurso especial para, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegar violação aos arts. 244 e 386, inciso VII, do CPP, bem como ao art. 33, §4º, da Lei 11.343/06 (fls. 821-837). O Tribunal de Justiça inadmitiu o recurso especial por incidência dos óbices das Súmulas n. 7, STJ e n. 283, STF, como também por não estar comprovado o dissídio jurisprudencial (fls. 932-935). A defesa apresentou agravo em recurso especial (fls. 965-968). O Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou contraminuta pelo desprovimento do agravo e do recurso especial (fls. 976-980). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo e, se conhecido, pelo não conhecimento do recurso especial (fls. 994-1005). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial por aplicação das Súmulas n. 7, STJ, e n. 283, STF, além da ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial. Quanto à Súmula n. 7, STJ, incumbe ao agravante demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para concluir pela inexistência de prova suficiente para a condenação, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão recorrido. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 1.207.268/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 19/12/2018. No que concerne ao segundo óbice encontrado para a admissibilidade do recurso, é importante destacar que a Súmula n. 283, STF estipula ser "inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles", de tal modo que cabe ao recorrente demonstrar especificamente que o recurso especial contestou cada uma das razões de decidir suficientes para a manutenção do acórdão recorrido. No caso em análise, o recorrente não destinou sequer um capítulo do agravo ao enfrentamento da aplicação da Súmula 283, STF, limitando-se a reiterar que os artigos 244 e 386, Inciso VII, do CPP e art. 33, §4º, da Lei 11.343/2006, foram violados, em manifesta violação ao princípio da dialeticidade recursal. Finalmente, não houve impugnação específica quanto à inadmissibilidade do recurso especial fundada em divergência jurisprudencial. Com efeito, constata-se que, no agravo interposto com fundamento no art. 1.042 do Código de Processo Civil, deixou-se de indicar, de forma clara e precisa, o trecho do recurso especial em que se teria demonstrado o dissídio, com a necessária transcrição dos relatórios e votos dos acórdãos recorridos e paradigma, bem como a realização do cotejo analítico adequado, apto a evidenciar a similitude fática entre os casos confrontados e a divergência na interpretação jurídica a eles conferida. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA