AREsp 2295993 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram de forma específica e pormenorizada os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstraram precedentes contemporâneos ou supervenientes que afastassem a aplicação da Súmula 83/STJ, e a aceitação de sua tese demandaria reexame do conjunto...
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- Parties
- Agravante: CLEITON ALVES FERREIRA; Agravante: CRISTIOMAR DE FREITAS; Agravante: RAFAEL LEAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial (agravo Regimental)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; não conheço do agravo em recurso especial interposto pelos agravantes.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Reexame De Provas, Decisão Que Não Admite O Recurso Especial
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Parties
CLEITON ALVES FERREIRA
Agravante
CRISTIOMAR DE FREITAS
Agravante
RAFAEL LEAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial (agravo Regimental)
Legal Issues
- 1 aplicabilidade da Súmula 83/STJ como óbice ao conhecimento do recurso especial
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade (Súmula 182/STJ)
- 3 vedação ao reexame do conjunto fático-probatório em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram de forma específica e pormenorizada os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstraram precedentes contemporâneos ou supervenientes que afastassem a aplicação da Súmula 83/STJ, e a aceitação de sua tese demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; não conheço do agravo em recurso especial interposto pelos agravantes.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial interposto por CLEITON ALVES FERREIRA, CRISTIOMAR DE FREITAS e RAFAEL LEAL.
- Publique-se. Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo em Recurso Especial interposto por CLEITON ALVES FERREIRA, CRISTIOMAR DE FREITAS e RAFAEL LEAL (e-STJ fls. 2956-2965) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que inadmitiu o Recurso Especial por eles interposto. Consta que o recurso originário se insurge contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, nos autos da "Operação Integrum", manteve a condenação dos recorrentes pelo crime de organização criminosa, previsto no art. 2º da Lei nº 12.850/2013. Nas razões do especial, a defesa apontou exclusiva vulneração do artigo 155 do Código de Processo Penal, sustentando a ilegalidade da condenação por estar, supostamente, baseada apenas em provas colhidas na fase de inquérito policial. A Corte de origem (e-STJ fls. 2909-2914) não conheceu do recurso especial manejado pelos agravantes, ao fundamento de que o acórdão impugnado se harmoniza com a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, aplicando, na espécie, o óbice da Súmula 83/STJ. No presente agravo, a defesa alega que a referida súmula não se aplicaria ao caso, porquanto a matéria não foi objeto de julgamento em sede de recursos repetitivos e que a decisão de inadmissibilidade seria lacunosa e abstrata. Pugna, ao final, pelo provimento do recurso para que o Recurso Especial seja conhecido e acolhido. É o relatório. Decido. O agravo não merece conhecimento. Com efeito, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. (..) A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, redator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018). Tem-se, assim, que a jurisprudência desta Corte Superior é pacífica e rigorosa quanto ao dever do agravante de impugnar, de maneira específica e pormenorizada, todos os fundamentos que sustentam a decisão de inadmissão do recurso especial. A ausência de enfrentamento de qualquer um dos pilares da decisão agravada atrai, por analogia, a incidência da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça, que dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." A controvérsia central proposta pelos agravantes cinge-se à correta aplicação da Súmula 83/STJ como óbice ao conhecimento do seu recurso. Sustentam que a decisão agravada seria genérica e que a matéria não estaria pacificada. Contudo, a argumentação é manifestamente improcedente. É cediço que a Súmula 83/STJ ("não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida") é plenamente aplicável aos recursos interpostos com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, e sua incidência não se restringe a temas decididos sob o rito dos recursos repetitivos, bastando que o acórdão recorrido esteja em conformidade com a jurisprudência dominante desta Corte Superior. Aliás, na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 83/STJ exige que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame, o que não fizeram os agravantes. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO. DECISÃO DE INADMISSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A decisão que, na origem, ensejou a inadmissão dos recursos especiais, pautou-se nos óbices das Súmulas n. 7 e 83 do STJ. Todavia, nos respectivos agravos, as defesas deixaram de rebater, de forma concreta e arrazoada, o último dos fundamentos. 2. Especificamente, no que diz respeito à impugnação da Súmula 83/STJ, conforme a assente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, incumbe à parte apontar julgados, deste Superior Tribunal, contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo ao cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte Superior é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada, ou mesmo demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie (AgRg no AREsp n. 2.253.769/PR, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 14/08/2023, DJe de 18/08/2023). 3. Conclui-se, portanto, que os agravos em recurso especial não preencheram os requisitos de admissibilidade, uma vez que deixaram de impugnar, de forma dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, ensejaram a inadmissão do apelo nobre, o que faz incidir a Súmula n. 182/STJ e o comando do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável à seara processual penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. 4. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.578.837/SC, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 17/6/2024). AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. ARTIGO 306 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. ALTERAÇÃO DA CAPACIDADE PSICOMOTORA COMPROVADA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONTEMPORÂNEA. SÚMULA 83 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem foi pautada nos óbices das súmulas 7 e 83/STJ. Entretanto, a parte agravante não apresentou impugnação específica em relação aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, limitando-se a alegações genéricas. Aplicação da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No caso, o Tribunal de origem, ao examinar a questão, consignou que a autoria e a materialidade do crime de embriaguez ao volante foram devidamente comprovadas, sendo desnecessária a aferição da graduação alcoólica para a configuração do delito, bastando a alteração da capacidade psicomotora do condutor. Destacou, ainda, que o crime previsto no art. 306 do CTB é de perigo abstrato, o que dispensa a comprovação de risco concreto. 3. A partir do advento da Lei 12.760/2012, que alterou a redação do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro, entende-se ser despicienda a submissão do acusado a teste de etilômetro, sendo admitida a comprovação da embriaguez por vídeo, testemunhos ou outros meios de prova admitidos em direito, observado o direito à contraprova. (AgRg no AgRg no AREsp n. 1.829.045/GO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 17/8/2021, DJe de 27/8/2021.) 4. O acórdão recorrido fundamentou-se em conjunto probatório consistente, incluindo depoimentos testemunhais, auto de constatação e relatos policiais, os quais indicaram olhos vermelhos, vestes desalinhadas e odor etílico, sendo aptos, portanto, a demonstrar a alteração da capacidade psicomotora do réu. Diante disso, a pretensão recursal exigiria reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 5. A decisão agravada encontra-se em consonância com a jurisprudência pacífica desta Corte, sendo inviável o recurso especial com base em alegada divergência jurisprudencial sem a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes ao julgado impugnado. Aplicação da Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.808.614/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 26/2/2025.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DA CORTE LOCAL QUE INADMITIU O APELO NOBRE. SÚMULA N.182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, com fulcro na Súmula 182 do STJ, em razão da ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a defesa impugnou efetivamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. III. Razões de decidir 3. A decisão ora agravada deve ser mantida, porquanto a defesa não refutou de forma específica os fundamentos referentes aos óbices das Súmulas 83 do STJ e 284 do STF, este último quanto à demonstração do dissídio jurisprudencial. 4. O óbice referente à Súmula 83 do STJ deve ser refutado de forma específica, com a demonstração da inaplicabilidade dos precedentes indicados na decisão de admissibilidade ao caso concreto, mediante a apresentação de precedentes contemporâneos ou supervenientes no mesmo sentido defendido no recurso especial. 5. Para a comprovação do dissídio jurisprudencial, por sua vez, não basta a mera transcrição de trechos das ementas e dos votos dos julgados confrontados, porquanto incumbe à parte demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência, notadamente a existência de similitude fática e identidade jurídica entre os acórdãos recorridos e paradigmas. 6. A decisão que inadmite o recurso especial não é composta por capítulos autônomos, devendo ser impugnada em sua integralidade. 7. Assim, a ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão proferida na origem inviabiliza o conhecimento do seu agravo em recurso especial, conforme a Súmula 182 do STJ e o art. 932, III, do CPC. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação da decisão de inadmissibilidade de recurso especial deve ser específica, concreta e pormenorizada. 2. A ausência de impugnação adequada dos fundamentos referentes aos óbices das Súmulas 83 do STJ e 284 do STF impede o conhecimento do agravo em recurso especial, conforme a Súmula 182 do STJ. 3. A decisão que inadmite o recurso especial não é composta por capítulos autônomos, devendo ser impugnada em sua integralidade". Dispositivos relevantes citados: CPC, 932, III; CPC, 1.021, § 1º; RISTJ, 253, parágrafo único, I; STJ, Súmula n. 182.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 2.378.870/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 8/9/2023; STJ, AgRg no AREsp n. 2.698.382/BA, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 8/10/2024, DJe de 15/10/2024; STJ, AgRg no AREsp n. 2.571.832/CE, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/11/2024, DJEN de 16/1/2025. (AgRg no AREsp n. 2.770.100/RN, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 20/3/2025, DJEN de 26/3/2025.)" No caso concreto, ainda, tem-se que para se chegar a conclusão diversa daquela firmada pela Corte de origem - ou seja, para acolher a tese defensiva de que a condenação se baseou unicamente em provas da fase inquisitorial - seria indispensável o reexame aprofundado do conjunto fático-probatório dos autos. Referida providência, contudo, é vedada em sede de recurso especial, a teor do óbice da Súmula 7 desta Corte. Extrai-se, em verdade, que os recorrentes tão somente alegaram que o acórdão colacionado pela Origem não teria qualquer relação com o caso concreto (e-STJ fl. 2963). Entretanto, em momento algum apontaram qual seria o vício na análise de conformidade realizada na origem; ao revés, alegaram genericamente a não incidência do óbice sumular, evidenciando que buscam rediscutir o próprio mérito do recurso especial, matéria que, justamente pela correta aplicação do filtro de admissibilidade, não pode ser apreciada por esta Corte. Dessa forma, a manutenção da decisão agravada é medida que se impõe, pois os agravantes não se desincumbiram do ônus de demonstrar o desacerto na aplicação da Súmula 83/STJ, notadamente porque a análise da conformidade do acórdão com a jurisprudência desta Corte, no caso, perpassaria, ainda, pela premissa fática firmada na instância ordinária, cujo reexame é vedado pela Súmula 7 também desta Corte. Afigura-se, portanto, correta a inadmissão do recurso especial na origem. Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do egrégio Superior Tribunal de Justiça , não conheço do agravo em recurso especial interposto por CLEITON ALVES FERREIRA, CRISTIOMAR DE FREITAS e RAFAEL LEAL. Publique-se. Intimem-se. EMENTA