AREsp 2878633 - DECISAO
Houve erro material na decisão de inadmissibilidade (referente a processo distinto), o que torna o pronunciamento nulo ou inaproveitável nesta instância; nos termos do art. 494 do CPC, aplicável aos processos penais pelo art. 3º do CPP, cabe ao julgador corrigir inexatidões materiais, pelo que o agravo deve ser...
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- Parties
- Recorrente: RAPHAEL DO NASCIMENTO BASONI; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Provimento Do Agravo E Remessa À Origem Para Nova Decisão De Admissibilidade
- Outcome
- Agravo provido; decisão de inadmissibilidade anulada por erro material; autos remetidos à origem para que seja proferida nova decisão de admissibilidade.
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Admissibilidade Recursal, Erro Material, Perícia Em Interceptações Telefônicas, Interceptação Telefônica
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Parties
RAPHAEL DO NASCIMENTO BASONI
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Provimento Do Agravo E Remessa À Origem Para Nova Decisão De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Se a decisão que indeferiu perícia sobre interceptações telefônicas é passível de apelação
- 2 Se a decisão de inadmissibilidade do recurso especial contém erro material
- 3 Aplicabilidade do art. 494 do CPC aos processos penais por força do art. 3º do CPP
Ratio Decidendi
Houve erro material na decisão de inadmissibilidade (referente a processo distinto), o que torna o pronunciamento nulo ou inaproveitável nesta instância; nos termos do art. 494 do CPC, aplicável aos processos penais pelo art. 3º do CPP, cabe ao julgador corrigir inexatidões materiais, pelo que o agravo deve ser provido e os autos remetidos à origem para nova decisão de admissibilidade.
Court Disposition
Agravo provido; decisão de inadmissibilidade anulada por erro material; autos remetidos à origem para que seja proferida nova decisão de admissibilidade.
Orders
- Dar provimento ao agravo em recurso especial
- Determinar a remessa dos autos à origem para que seja proferida nova decisão de admissibilidade
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por RAPHAEL DO NASCIMENTO BASONI com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, assim ementado (e-STJ, fls. 1.969 - 1.982): "APELAÇÃO CRIMINAL - DECISÃO QUE INDEFERIU PERÍCIA NOS ÁUDIOS COLHIDOS ATRAVÉS DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA - NÃO EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA O MANEJO DE RECURSO - AUSÊNCIA DO PRESSUPOSTO PROCESSUAL DA ADEQUAÇÃO - RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. De acordo com o requisito de admissibilidade recursal da adequação, a parte deve manejar o recurso que foi previsto pela lei para aquela determinada decisão que busca impugnar, não lhe sendo dada qualquer margem de opção ou elegibilidade, ressalvada a possibilidade de aplicação, excepcionalmente, do princípio da fungibilidade, insculpido no artigo 579, do Código de Processo Penal. 2. Tendo em vista que a decisão em foco não se afigura como definitiva e não possui força de definitiva, assim como também não coloca fim à relação processual ou ainda a uma etapa do procedimento, conclui-se que tal decisum não pode ser desafiado por recurso de apelação. 3. Recurso não conhecido." Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 1.998 - 2.011). Em suas razões recursais, o recorrente aponta violação do art. 593, II, do CPP, argumentando, em síntese, que (i) a decisão que indeferiu a perícia sobre interceptações telefônicas é dotada de força definitiva e, portanto, admite apelação, já que não é impugnável por recurso em sentido estrito e (ii) o não conhecimento da apelação frustra garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, ao vedar a revisão de decisão que interfere no exercício da defesa técnica. Com contrarrazões (fls. 2.044 - 2.049), o recurso especial foi inadmitido (fls. 2.054 - 2.059), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo provimento do agravo (fls. 2.128 - 2.131). É o relatório. Decido. Conforme bem apontado pelo Ministério Público em seu parecer, a decisão de inadmissibilidade diz respeito a processo distinto, envolvendo parte, número de autos, relatório e fundamentação completamente alheios ao presente caso, o que evidencia a existência de erro material insanável. Tal equívoco compromete a validade do pronunciamento jurisdicional, impedindo seu aproveitamento ou convalidação por esta instância superior. Nos termos do art. 494 do Código de Processo Civil, aplicável aos processos penais por força do disposto no art. 3º do Código de Processo Penal, é dado ao órgão julgador corrigir, inclusive de ofício, inexatidões materiais e erros de cálculo constantes das decisões proferidas. Fixada essa premissa e após analisar o parecer ministerial e a decisão de inadmissibilidade, tenho que assiste razão ao Ministério Público quanto à nulidade da referida decisão, uma vez que foi prolatada mediante erro material. Ante o exposto, dou provimento ao agravo em recurso especial, determinando a remessa dos autos à origem, para que seja proferida nova decisão de admissibilidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA