AREsp 3037061 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial (aplicação da Súmula 284/STF), não atendendo ao ônus de impugnação previsto nos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, motivo pelo qual, nos termos do art. 253,...
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- Parties
- Agravante: FRANCISCO NILTON PASCOAL DE FIGUEIREDO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Fundamentação Do Recurso, Ônus Da Impugnação, Princípio Da Dialeticidade, Presunção De Inocência, Devido Processo Legal
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Parties
FRANCISCO NILTON PASCOAL DE FIGUEIREDO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o agravo impugna adequadamente decisão que inadmitiu recurso especial por aplicação da Súmula 284/STF
- 2 Quais os requisitos de impugnação específicos para afastar a Súmula 284/STF
- 3 Ônus da parte de refutar cada óbice recursal
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não refutou especificamente os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial (aplicação da Súmula 284/STF), não atendendo ao ônus de impugnação previsto nos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, motivo pelo qual, nos termos do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, o agravo não conhece.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FRANCISCO NILTON PASCOAL DE FIGUEIREDO contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO que inadmitiu o recurso especial. A revisão criminal foi julgada improcedente, sendo mantida a improcedência pelo Tribunal de origem. No recurso especial, a defesa sustenta que o Tribunal de origem teria reconhecido a ausência de provas do desvio de recursos públicos, mas mantido a condenação com base no "conjunto da obra", o que configuraria violação ao art. 386, inciso II, do CPP (fl. 2397). A Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região inadmitiu o recurso especial, por entender configurada a deficiência de fundamentação, aplicando, por analogia, a Súmula 284/STF (fls. 2423/2424). No presente agravo, a defesa sustenta que a decisão agravada inadmitiu o recurso sob o argumento de falta de regularidade formal (ausência das razões recursais), porém, o agravante alega que estas foram devidamente apresentadas, indicando claramente a contrariedade à lei federal e aos princípios da presunção de inocência e do devido processo legal (fls. 2432/2434). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 2473/2476). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial, por aplicação da Súmula n. 284, STF. A jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que, para afastar a Súmula n. 284, STF, cabe à parte demonstrar a correlação jurídica entre a os fatos e a legislação tida por violada. Veja-se: " .. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 284/STF exige que o recorrente realize o cotejo entre o conteúdo preceituado na norma e os argumentos aduzidos nas razões recursais, com vistas a demonstrar a devida correlação jurídica entre o fato e o mandamento legal, não bastando, para tanto, a menção superficial a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto." (AgRg no AREsp n. 2.575.436/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/11/2024, DJe de 2/12/2024.) A insurgência limita-se a reproduzir, em poucas linhas, a tese de que o acórdão teria reconhecido a falta de provas, sem, contudo, transcrever trechos do julgado, apontar qual o elemento probatório específico que teria sido desconsiderado, ou demonstrar, de forma técnica e analítica, a incompatibilidade entre a decisão e a norma processual. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA