AREsp 3032574 - DECISAO
O agravo não deve ser conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma específica e pormenorizada, a inaplicabilidade dos fundamentos de inadmissibilidade apontados pelo Tribunal de origem, notadamente não superou o óbice da Súmula 284/STF mediante correlação jurídica entre fatos e norma, incorrendo em...
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- Parties
- Agravante: EDILBERTO OLIVEIRA SILVA; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do Ceará
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284 STF, Individualização Da Pena, Agravo Em Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
EDILBERTO OLIVEIRA SILVA
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado do Ceará
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de superação da Súmula 284/STF
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 3 adequação da via recursal para discussão de matéria constitucional
Ratio Decidendi
O agravo não deve ser conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma específica e pormenorizada, a inaplicabilidade dos fundamentos de inadmissibilidade apontados pelo Tribunal de origem, notadamente não superou o óbice da Súmula 284/STF mediante correlação jurídica entre fatos e norma, incorrendo em impugnação genérica em desrespeito ao art. 932, III, do CPC e ao art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por EDILBERTO OLIVEIRA SILVA contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ que inadmitiu o recurso especial. O agravante foi condenado como incurso nos arts. 33 c/c 40 da Lei n. 11.343/06, à pena de 8 (oito) anos e 6 (seis) meses de reclusão, no regime inicial fechado (fls. 1215-1216). O recurso defensivo foi improvido pelo Tribunal de Justiça (fls. 1431-1463). Embargos de Declaração rejeitados (fls. 1570-1591). A Defesa interpôs recurso especial para, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, alegar violação aos arts. 93, inciso IX, da Carta Magna, aos arts. 33, § 2.º, alínea "b", 59 e 64, inciso I, do Código Penal, ao art. 387, § 2.º, do Código de Processo Penal e ao art. 33, § 4.º, da Lei n.º 11.343/2006 (fls. 1527-1528) e, por isso, postula o reexame dos critérios de individualização da pena (fls. 1499-1529). O Tribunal de Justiça inadmitiu o recurso especial por incidência do óbice da Súmula n. 284, STF, bem como em razão da inadmissibilidade de análise de matéria constitucional na via eleita (fls. 1630-1633). A defesa apresentou agravo em recurso especial (fls. 1639-1668). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 1696-1699). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial por aplicação da Súmula n. 284, STF, bem como pela inadequação da via eleita para discussão de descumprimentos de normas constitucionais. A jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que, para afastar a Súmula n. 284, STF, cabe à parte demonstrar a correlação jurídica entre os fatos e a legislação tida por violada. Veja-se: " .. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 284/STF exige que o recorrente realize o cotejo entre o conteúdo preceituado na norma e os argumentos aduzidos nas razões recursais, com vistas a demonstrar a devida correlação jurídica entre o fato e o mandamento legal, não bastando, para tanto, a menção superficial a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto." (AgRg no AREsp n. 2.575.436/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/11/2024, DJe de 2/12/2024.) Na espécie, o agravante limitou-se a sustentar genericamente a presença dos requisitos para admissão do apelo nobre, o que resulta em afronta ao princípio da dialeticidade. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA