AREsp 2226189 - ACORDAO
Do cotejo entre a decisão agravada e as razões do agravo verificou-se que os agravantes impugnaram de forma genérica, e não específica, os fundamentos que ensejaram a inadmissão do recurso especial; assim, por força do art. 932, inciso III, do CPC e da Súmula n. 182/STJ, o agravo não se conhece, sendo negado...
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- Parties
- Agravante: JOAQUIMTUR LTDA.; Agravante: JOAQUIM GOMES; Agravante: ELIZABETH DE FATIMA DE MORAES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 06/08/2024 a 12/08/2024)
- Outcome
- agravo interno improvido
- Legal Topics
- Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos Da Decisão Agravada, Súmula N. 182/stj, Incidência Das Súmulas N. 284/stf E 7/stj
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Parties
JOAQUIMTUR LTDA.
Agravante
JOAQUIM GOMES
Agravante
ELIZABETH DE FATIMA DE MORAES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 06/08/2024 a 12/08/2024)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 aplicação da Súmula n. 182/STJ e do art. 932, III, do CPC
- 3 caráter unitário do dispositivo de inadmissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Do cotejo entre a decisão agravada e as razões do agravo verificou-se que os agravantes impugnaram de forma genérica, e não específica, os fundamentos que ensejaram a inadmissão do recurso especial; assim, por força do art. 932, inciso III, do CPC e da Súmula n. 182/STJ, o agravo não se conhece, sendo negado provimento ao agravo interno.
Court Disposition
agravo interno improvido
Orders
- Negou-se provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. 2. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por JOAQUIMTUR LTDA., JOAQUIM GOMES e ELIZABETH DE FATIMA DE MORAES contra decisão monocrática por mim proferida, por meio da qual apliquei a Súmula n. 182 do STJ (fls. 641-646). Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 500-501): APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SENTENÇA CITRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. NÃO DEMONSTRADA. PAGAMENTO NO VENCIMENTO. NÃO COMPROVADO. MULTA CONTRATUAL. LEGALIDADE. LAUDO PRODUZIDO UNILATERALMENTE. PARCIALIDADE. MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1026, §2º, CPC. DESCABIMENTO. MÁ-FÉ DEMONSTRADA. APLICAÇÃO DA MULTA. RESTITUIÇÃO NOS TERMOS DO ARTIGO 940 DO CÓDIGO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE. multa, mesmo porque esta já fora pactuada em 2%, tal como sugerido pelos recorrentes. 4. A ausência de impugnação específica ao laudo pericial apresentado unilateralmente não induz à presunção de veracidade dos fatos alegados, dada a sua manifesta parcialidade. 5. Não restando evidenciado o propósito manifestamente protelatório dos embargos de declaração opostos à sentença, merece respaldo o pedido de afastamento da multa processual prevista no art. 1.026, §2º, do CPC. 6. Evidenciado, nos autos, que o banco/apelado buscou alterar a verdade dos fatos, com a intenção de obter nítida vantagem econômica no processo, deve ser aplicada a multa prevista no art. 81 do CPC. 7. Tendo em vista que a pena por litigância de má-fé já está prevista no dispositivo correspondente, descabe falar em aplicação do sancionamento contido no artigo940 do Código Civil. 8. Os ônus sucumbenciais, em relação aos apelantes pessoas físicas, devem ser mantidos na forma estabelecida na origem (10%), contudo, recaindo, agora, sobre a condenação (art. 85, §2º, CPC), diante das reformas implementadas nesta instância revisora. 9. Parcialmente provido o recurso, não tem aplicação o disposto no art. 85, §11, do CPC. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 543-551). Alega o agravante que (fl. 674): Não há razão de se manter a decisão exarada pelo eminente Ministro relator desse Colendo STJ, eis que o ARESP, conforme já dito, cumpriu de forma inequívoca tudo aquilo que é determinado pela norma de regência, tendo impugnado toda a decisão agravada de inadmissão do RESP na origem, que é formada por um único capítulo, não tendo deixado de atacar um único fundamento sequer do referido decisum denegatório do apelo especial. Assevera que (fl. 674): .. as premissas fáticas estão todas estabelecidas no processo, tendo as partes agravantes demonstrado de forma inequívoca a violação à norma federal, autorizando a recepção do presente RESP para conhecimento, processamento e provimento na forma da lei após se conhecer do presente agravo que ora se interpõe. Aduz, ainda, que (fl. 674): .. havendo a subsunção da norma ao fato sido demonstrada no RESP de forma inequívoca, bem como tendo sido a decisão denegatória da origem impugnada especificamente in totum, não há que se falar em qualquer violação aos dispositivos citados em linhas volvidas que restam todos impugnados nos moldes da norma de regência. Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, pela submissão do presente agravo à apreciação da Turma. Contraminuta apresentada às fls. 681-691. É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. 2. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial por entender que as razões recursais têm óbice nas Súmulas n. 284/STF e 7/STJ. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. Do simples cotejo entre o decidido e as razões do agravo em recurso especial, é possível verificar que a parte agravante rebateu de forma genérica a incidência das Súmulas n. 284/STF e 7/STJ. Nessa esteira, ressalta-se que: .. para afastar o fundamento, da decisão agravada, de incidência do óbice da Súmula 7/STJ não basta apenas deduzir alegação genérica de inaplicabilidade do referido óbice ou que a tese defensiva não demanda reexame de provas. Para tanto o recorrente deve desenvolver argumentação que demonstre como seria possível modificar o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias sem nova análise do conjunto fático-probatório, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão objurgado, ônus do qual, contudo, não se desobrigou. Precedentes. (AgInt no AREsp n. 1.802.143/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 22/3/2021, DJe de 25/3/2021.) Nos termos do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". É firme a jurisprudência no sentido de que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, não admitiu o recurso especial. A propósito, confira-se precedente: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) No mesmo sentido, cito: AgInt no AREsp n. 2.022.410/RJ, relator Ministro Herman Benja min, Segunda Turma, DJe de 22/8/2022; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.063.004/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21/9/2022; AgInt no AREsp n. 1.998.052/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5/5/2022; AgInt no AREsp n. 2.042.472/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23/5/2022. Portanto, é inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.