AREsp 2460179 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque o recurso especial não indicou com precisão os dispositivos de lei federal alegadamente violados, caracterizando deficiência de fundamentação atraente à incidência da Súmula 284/STF, e porque a controvérsia restringia-se à juntada de extratos de pagamento, não ao...
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- Parties
- Agravante: PRADO TRANSPORTES TURISMO E LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado, Decisão De Negar Provimento
- Outcome
- agravo interno a que se nega provimento
- Legal Topics
- Inadmissibilidade Por Deficiência De Fundamentação, Súmula 284/stf, Juntada De Extratos/comprovantes, Ônus Da Prova, Honorários Advocatícios
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Parties
PRADO TRANSPORTES TURISMO E LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado, Decisão De Negar Provimento
Legal Issues
- 1 deficiência das razões do recurso especial e incidência da Súmula 284/STF
- 2 exigência de indicação precisa dos dispositivos legais federais violados
- 3 pedido de juntada de extratos de pagamento versus pedido de contrato
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque o recurso especial não indicou com precisão os dispositivos de lei federal alegadamente violados, caracterizando deficiência de fundamentação atraente à incidência da Súmula 284/STF, e porque a controvérsia restringia-se à juntada de extratos de pagamento, não ao contrato entre as partes.
Court Disposition
agravo interno a que se nega provimento
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que inadmitiu o recurso especial por aplicação da Súmula 284/STF
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/03/2025 a 31/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA DAS RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 284/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. " A simples menção de preceito legal, de modo genérico, sem explicitar a forma como ocorreu sua efetiva contrariedade pelo Tribunal de origem, manifesta deficiência na fundamentação do recurso especial a atrair a incidência da Súmula 284 do STF" (REsp n. 1.755.866/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 9/12/2020, DJe de 16/12/2020). 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Prado Transportes Turismo e Locadora de Veículos LTDA. em face da seguinte decisão: Cuida-se de agravo interposto por PRADO TRANSPORTES TURISMO E LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, contra decisão que inadmitiu recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 02 e n. 03, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. Mediante análise do recurso de PRADO TRANSPORTES TURISMO E LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, verifica-se que incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Publique-se. Intimem-se. Afirma que não se aplicam as disposições do verbete n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, porquanto teria havido indicação do dispositivo legal tido por violado. Pede o provimento do recurso que, embora intimada a parte contrária, não foi respondido. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA DAS RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 284/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. " A simples menção de preceito legal, de modo genérico, sem explicitar a forma como ocorreu sua efetiva contrariedade pelo Tribunal de origem, manifesta deficiência na fundamentação do recurso especial a atrair a incidência da Súmula 284 do STF" (REsp n. 1.755.866/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 9/12/2020, DJe de 16/12/2020). 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O inconformismo não merece acolhida. A recorrente manifestou agravo contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA EM AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO PEDIDO DE DETERMINAÇÃO DE JUNTADA DE EXTRATO DE PAGAMENTO DE PARCELAS FEITO PELA EXEQUENTE DESNECESSIDADE DE INVERSÃO DA PROVA INOCORRÊNCIA DE HIPOSSUFICIÊNCIA DEVER DO AUTOR DE GUARDAR COMPROVANTES DE PAGAMENTO DECISÃO MANTIDA RECURSO IMPROVIDO. I) Não há hipossuficiência técnica, jurídica, fática ou informacional que justifique a aplicação da inversão do ônus da prova para que a executada apresente extratos referentes aos pagamentos de parcelas de contrato objeto de ação revisional. Dever da parte exequente, notadamente porque esta demonstrou o pagamento apenas de dezessete parcelas antes do ajuizamento da ação revisional, de sorte que caberia a ela manter os documentos referentes à continuidade do pagamento dos valores, inclusive, para assegurar o direito que estava discutindo em juízo. II) Recurso conhecido e desprovido. Afirma "que é incontestável a possibilidade de aplicação do artigo 396 do Novo Código de Processo Civil no caso em tela tendo em vista o estado de hipossuficiência do autor Recorrente em relação ao réu apelado, bem como a prática conhecida dos estabelecimentos bancários em deixar de entregar aos correntistas os contratos firmados entre as partes" (e-STJ, fl. 277). Esta Corte tem firme entendimento de que a simples menção a dispositivos legais não abre a via do recurso especial, porquanto cabe à parte indicar e demonstrar de que maneira houve a violação do direito objetivo. Assim: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA - ARTIGO 1036 E SEGUINTES DO CPC/2015 - AÇÃO COMINATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL - PROCEDÊNCIA DA DEMANDA, NA ORIGEM, ANTE A ENTÃO REPUTADA ABUSIVIDADE NA LIMITAÇÃO DE COBERTURA APÓS O TRIGÉSIMO DIA DE INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA - INSURGÊNCIA DA OPERADORA DO PLANO DE SAÚDE VOLTADA À DECLARAÇÃO DE LEGALIDADE DA CLÁUSULA CONTRATUAL DE PLANO DE SAÚDE QUE ESTABELECE O PAGAMENTO PARCIAL PELO CONTRATANTE, A TÍTULO DE COPARTICIPAÇÃO, NA HIPÓTESE DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR SUPERIOR A 30 DIAS DECORRENTE DE TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS. 1. Para fins dos arts. 1036 e seguintes do CPC/2015: 1.1 Nos contratos de plano de saúde não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente ajustada e informada ao consumidor, à razão máxima de 50% (cinquenta por cento) do valor das despesas, nos casos de internação superior a 30 (trinta) dias por ano, decorrente de transtornos psiquiátricos, preservada a manutenção do equilíbrio financeiro. 2. Caso concreto: 2.1 Inviável conhecer da tese de negativa de prestação jurisdicional, pois a simples menção de preceito legal, de modo genérico, sem explicitar a forma como ocorreu sua efetiva contrariedade pelo Tribunal de origem, manifesta deficiência na fundamentação do recurso especial a atrair a incidência da Súmula 284 do STF. 2.2 Inexistindo limitação de cobertura, mas apenas previsão de coparticipação decorrente de internação psiquiátrica por período superior a 30 dias anuais, deve ser afastada a abusividade da cláusula contratual com a consequente improcedência do pedido veiculado na inicial. 3. Recurso especial conhecido em parte e, na extensão, provido. (REsp n. 1.755.866/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 9/12/2020, DJe de 16/12/2020.) A questão decidida, não fosse isso, versou apenas sobre a juntada de extratos ou comprovantes de pagamentos, e não do contrato firmado entre as partes, de modo que a argumentação tecida no recurso especial está dissociada dos fundamentos do acórdão de origem. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.